31 de agosto de 2012

Lolita - Opinião

Título: Lolita
Autor: Vladimir Nabokov
Editora: Colecção Biblioteca Visão
Páginas: 288
Sinopse:
"Vladimir Nabokov, romancista e poeta russo, distingui-se pela riqueza imaginativa das suas obras, redigidas na sua língua natal e depois em inglês, dada a condição de escritor emigrado. À mestria estilística das narrativas, acrescenta-se a originalidade de perspectivas, que por vezes se aproximam do grotesco, da sátira e do insólito. Entre os seus romances, publicados ao longo do século XX, sem dúvida que o mais célebre é Lolita, no qual se descreve a relação amorosa entre um intelectual de meia-idade e uma jovem de 12 anos. Uma história escrita com o brilhantismo característico deste autor, cuja prosa nunca cessa de surpreender."

Opinião:

A primeira coisa que me saltou à vista, neste livro, foi uma frase na sinopse: "a relação amorosa entre um intelectual de meia-idade e uma jovem de 12 anos". A este tipo de relação, normalmente, chamamos de pedofilia mas para vir, na sinopse, descrita como uma relação amorosa, a coisa fez com que eu ficasse interessada, como se fosse um desafio do próprio livro. E foi isso que este livro foi: um desafio. Poucos livros me deixam sem saber o que escrever, mas este foi um deles.

Humbert Humbert é o narrador, contando a história da sua vida, a sua adoração e fixação por raparigas que ainda não atingiram a puberdade e o seu envolvimento com Lolita. A alternância da narrativa entre a primeira e terceira pessoa do singular foi uma das primeiras coisas que me chamou à atenção. Primeiro não percebi a razão de ser desta característica, mas depois até me fez sentido. Humbert é o narrador da sua própria história de vida e da sua paixão por Lolita, de 12 anos, conferindo uma perspectiva pessoal à obra. Mas ao narrar algumas partes na terceira pessoa, percebemos que ele tem o distanciamento suficiente para perceber que algumas coisas são consideradas erradas perante a sociedade e, por isso, condenáveis. Neste aspecto, o livro levanta algumas questões complexas ligadas à moralidade, uma das principais sendo a linha que separa, neste caso, o amor do abuso e obsessão.

Confesso que estava à espera de algo mais rude e cru do que o que este livro se revelou. Adoração e fascínio é a palavra correcta para descrever o sentimento que Humbert tem em relação a raparigas com menos de 14 anos. A sua obsessão não é, na maioria das vezes, em ter relações sexuais com essas raparigas a que ele chama de "ninfitas" e isso passa através de algumas passagens em que ele revela que não quer corromper a inocência e pureza de Lolita, neste caso específico. Porém, as coisas não são assim tão simples e ele acaba por ceder. Mas mesmo essa cedência coloca questões: nem Lolita é tão inocente assim, nem Humbert tão culpado ou monstruoso.

A prosa deste livro é fantástica. A maneira como ele descreve os seus sentimentos, o seu fascínio por Lolita, as maquinações elaboradas e, por vezes, brutais, a sua paranóia, permite-nos entrar na sua mente e saber como ela funciona. Porém, há que ter um pormenor em atenção: a história é descrita sob o ponto de vista de Humbert e, por isso, nunca podemos saber até que ponto esta narrativa está distorcida pela sua paixão e fascínio por Lolita ou não.

Não é uma leitura fácil mas foi, para mim, uma leitura compensadora. Foi desafiante ler este livro porque não consegui, em nenhuma parte do livro, não gostar de Humbert. O narrador joga com o nosso pensamento ao confundir os nossos sentimentos para com as personagens deste livro e joga com as nossas noções pré-estabelecidas do que é certo e errado. Humbert é, claramente, um pedófilo que manipula as situações e a própria Lolita para poder estar com ela e para que ela não denuncie a relação de ambos a ninguém. Mas a vertente humana e sentimental é aqui evidenciada, ao invés da vertente criminosa e de aberração com que é visto o pedófilo por parte das outras pessoas. Como alguém me disse, quando falava sobre este livro, esta é uma obra moralmente ambígua.

5/6 - Muito Bom

22 de agosto de 2012

Persuasion - Opinião

Título: Persuasion
Autor: Jane Austen
Editora: Wordsworth Classics
Páginas: 224
Sinopse:
"What does persuasion mean - a firm belief, or the action of persuading someone to think someting else? Anne Elliot is one of Austen's quietest heroines, but also one of the strongest and the most open to change. She lives at the time of the Napoleonic wars, a time of accident, adventure, the making of new fortunes and alliances.
A woman of no importance, she manoeuvres in her restricted circumstances as her long-time love Captain Wentworth did in the wars. Even though she is nearly thirty, well past the sell-by bloom of youth, Austen makes her win out for herself and for others like herself, in a regenerated society."

Opinião:

Depois de acabado este livro, posso afirmar: Jane Austen não é para mim. Antes deste li o Pride and Prejudice que até gostei, embora não tivesse achado nada de especial. Como me falaram no Persuasion, resolvi comprar e ver o que a autora me poderia oferecer mais. Pois bem, não me podia oferecer nada. Mas vamos por partes.

Em Persuasion, Jane Austen dá-nos a conhecer a sociedade em que ela própria vivia, satirizando-a à medida que se desenrola o enredo com as personagens principais. Mais uma vez, vemos aqui a crítica àqueles que dão demasiada importância às aparências: quer aparência física quer aparência social. Todos querem ser mais e melhores do que o vizinho do lado e isso dá azo a algumas situações caricatas por parte de algumas personagens que, por vezes, chegam a atingir o ridículo. Contudo, não consegui apreciar tanto este romance. É esta descrição do dia-a-dia em pormenor, das regras, dos valores invertidos da sociedade que Austen caracteriza que acabava por ser demasiado exaustiva, dando pouco ênfase a Anne Elliot, a heroína da história, e a Frederick Wentworth o seu amor de há tantos anos.

De facto, Anne é uma mulher já de 27 anos, considerada velha para casar e muito longe do auge da sua beleza, bastante discreta e reservada. Talvez por isto não se veja muito de Anne e ela esteja em maior destaque quando Frederick se encontra no mesmo espaço que ela. Mas o que me aborreceu também, foi eu sentir que as personagens não têm muita profundidade. Não sei... Este livro aborreceu-me no seu todo, considerei até desistir da sua leitura. Não consegui sentir a intensidade do amor entre Anne e Frederick e tanta descrição do quotidiano fazia com que eu desesperasse por alguma acção concreta. Além disso, penso que Austen usa demasiado o discurso indirecto, o que acaba por retirar a emoção de alguns momentos. Não quer dizer que o livro seja mau. Simplesmente não é para mim.

Depois deste livro, penso que será muito difícil eu voltar a pegar em mais alguma obra de Jane Austen outra vez.

2/6 - Razoável

P.S. - WhiteLady3, a carta é bem bonita! Mas não consegue salvar o livro completamente...

13 de agosto de 2012

A Glória dos Traidores - Opinião

Título: A Glória dos Traidores (As Crónicas de Gelo e Fogo - Livro 6)
Autor: George R. R. Martin
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 528
Sinopse:

Podem ver a sinopse aqui.

Opinião:

Depois de ter lido A Tormenta de Espadas, esperava uma continuação que me surpreendesse tal como este volume o fizera. Pois que o livro correspondeu às minhas expectativas e ainda as superou! Digo-vos: o Martin estava inspirado quando escreveu esta parte da história! Este livro é surpreendente, emocionante e as reviravoltas são mais que muitas, os acontecimentos são imprevisíveis e marcam o ritmo rápido do livro e o interesse em todos os pontos de Westeros. As personagens, os cenários, os plot-twists, tudo está magistralmente bem articulado e não há um único momento parado.  Não posso dizer muito mais sobre este livro porque não quero revelar nada do que acontece, mas este livro lê-se com o coração nas mãos, de tanta coisa que nos revela. O autor tanto nos põe a pensar "nãããããããooo!! não pode ser!!" como a seguir "muahahahaha! yes!! bem feita!!" Este livro é uma autêntica montanha-russa de emoções.

Se estão em dúvida quanto a começar a ler esta série, ou se leram alguns livros e não sabem se hão de continuar, digo-vos: leiam! A Glória dos Traidores consegue superar A Tormenta de Espadas; mas, se considerarmos que ambos são duas metades do terceiro livro original, Storm of Swords, então devo dizer que este é o melhor livro da saga, até agora.

6/6 - Excelente

11 de agosto de 2012

Listas de Livros

Provavelmente alguns não sabem e outros vão partilhar este gosto comigo, mas eu adoro listas de livros. Adoro saber quais são os melhores, os piores, os que se devem ler pelo menos uma vez na vida, os melhores romances, os melhores livros de ficção científica, o que quiserem. Claro que é tudo subjectivo, mas eu não lhes consigo resistir e, além disso, permitem-me ficar a conhecer mais livros que, de outra maneira, me passariam completamente ao lado. E, claro, fazem-me adicionar mais títulos de livros que gostaria de vir a ler um dia. Como ultimamente tenho vindo a deparar-me com várias, resolvi partilhá-las convosco. Aqui ficam!

10 Books That Are Meant to Be Savored

The Top 10 Most Difficult Books

The 10 Best End of the World Novels

Top 100 Teen Books

The 10 Most Disturbing Books of All Time

9 de agosto de 2012

Aquisições de Agosto

E eis que o mês de Agosto também começa bem! Hoje, finalmente, após duas semanas à espera, chegou a minha trilogia do Lord of the Rings, de J. R. R. Tolkien!! É tão bonita! São os três livros, com os mapas originais desenhados pelo Tolkien e caixa arquivadora também com desenhos concebidos por ele. Gosto tanto! Ainda estou aqui toda aparvalhada a olhar para eles *.* A imagem não é das melhores, mas foi o que consegui arranjar... Se carregarem nela, fica aumentada.


Esta semana ainda, recebi uma prenda de aniversário de duas amigas minhas (loucas) que resolveram oferecer-me o The Collector's Edition of The Little Prince and Other Stories. Quando olhei para o livro até se me ia dando uma coisa. Para além da história do Principezinho, com os desenhos originais também, a colectânea contém ainda: Little Women, Black Beauty, Alice in Wonderland e Alice Through the Looking Glass (com bonecos!), The Secret Garden, The Jungle Book, The Wind in the Willows, The Railway Children e Peter Pan. Não podia pedir mais nada! :D
 

No mesmo dia, aproveitei que havia uns clássicos da Wordsworth a preço de saldo e comprei o Persuasion da Jane Austen. Adquiri também a revista Bang! nº13 que, numa das páginas finais tem lá uma opinião minha sobre o Hobbit! Heheheh


7 de agosto de 2012

Trilogia Favole - Opinião

Título: Trilogia Favole (#1 Lágrimas de Pedra; #2 Liberta-me; #3 Gélida Luz)
Autor: Victoria Francés
Editora: VitaminaBD
Páginas: 48 (cada livro)
Sinopse (do Goodreads):
"Donzelas à beira da morte, lânguidas imagens erguendo-se por detrás de uma lápide, castelos carregados de mistérios, lagos obscuros no meio de bosques banhados pelo luar...
Chega agora Favole um livro ilustrado de grande beleza que se junta a esta corrente de uma forma original ao combinar ilustrações com textos carregados de poesia. Favole converte-se assim numa novela ilustrada dividida em três capítulos, um estilo de livro que agrada a todos os públicos, mas em particular ao feminino.
Vampiros, violinos, Veneza... Um mundo onírico retratado em 48 páginas que marcam a estreia profissional de Victoria Francés, ilustradora espanhola de apenas 23 anos cujo nome se vai tornar grande nos próximos anos."

Opinião:

Como os livros são pequenos, achei que podia fazer uma crítica reunindo aquilo que eu achei desta trilogia no geral. A capa é de uma edição que contém a trilogia completa, embora eu tenha lido os três livros individuais. Deixo, desde já, o link para o site da Victoria Francés para que possam ver vários desenhos e ilustrações suas: aqui.

A primeira coisa que nos salta à vista, claro, são as ilustrações belíssimas de Victoria Francés. As imagens são de florestas, cemitérios perdidos, vampiros, donzelas cujas almas habitam as florestas que rodeiam castelos e outros lugares do imaginário desta trilogia. Os desenhos são mesmo qualquer coisa de extraordinário para quem gosta de imagens do estilo gótico. E, para além disso, a escrita é igualmente bela, poética e tem claramente a influência do Romantismo do século XVIII e XIX. Fala-nos das paisagens lúgubres onde habitam estes seres especiais, no limbo entre este mundo e o outro, de amores não concretizados e não correspondidos, de esperanças vãs, de melancolia e de morte. A escrita e as imagens formam uma união perfeita, lembrando-nos um pouco os contos de fadas, lendas pagãs de outros tempos e transportam-nos para aqueles castelos misteriosos, para as florestas onde pouca luz penetra, para a presença daquelas jovens mulheres que deambulam no tempo e no espaço. Todos parecem espectros de vidas passadas, de uma existência que só persiste nas memórias de cada um. Existências cheias de saudade, de tristeza, de arrependimento e de amores trágicos.

No primeiro livro, Lágrimas de Pedra ficamos a saber a história de algumas raparigas que o vampiro Ezequiel, "monarca do país dos espectros", transformou ao alimentar-se do seu sangue. Vagueiam agora pelas florestas, pelos lagos e pântanos, para sempre errantes. Mas ficamos a saber a história de Favole, a mulher que ele mais amou e que não conseguiu condenar a uma existência de sangue e morte.
No segundo livro, Liberta-me, seguimos a busca de Favole pelo seu amante, desde Veneza até à Roménia, encontrando outros seres cujas características se confundem entre deidades femininas e almas perdidas que deambulam por onde Favole passa.
Já no terceiro e último livro, Gélida Luz, Favole procura o caminho da sua salvação, a sua derradeira viagem, cruzando-se com várias figuras femininas que se encontram, também, no mundo dos espectros. O seu reencontro com Ezequiel é fantástico e o fim desta história não podia ser melhor.

Eu adorei estes livros. Pelas imagens que são maravilhosas, notando-se uma evolução do primeiro para o 3º livro que foi, sem dúvida, o meu preferido em termos de ilustração. E pelas palavras, pela poesia e pelos mundos oníricos que todo o imaginário desta trilogia evoca. Estes livros foram-me emprestados mas são daqueles que, mais tarde, quando puder, vou certamente comprá-los. São verdadeiras obras de arte e evocativos de um período artístico e literário de que gosto bastante.

6/6 - Excelente

5 de agosto de 2012

A Tormenta de Espadas - Opinião

Título: A Tormenta de Espadas (As Crónicas de Gelo e Fogo - Livro 5)
Autor: George R. R. Martin
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 538
Sinopse:
Esta sinopse contém spoilers para quem não leu ou ainda está a ler os volumes anteriores. Por isso, deixo o link para a mesma aqui.

Opinião:

Se os dois volumes anteriores foram um pouco mais mornos em termos de acontecimentos, em A Tormenta de Espadas a narrativa ganha novo fôlego. E de que maneira! Este livro é só metade do livro original (A Storm of Swords) mas podemos já adivinhar que a segunda parte será cheia de emoções, uma vez que parece que tudo se está a compor para o que aí vem. Há algumas reviravoltas surpreendentes que não permitem que o livro tenha momentos mortos e até algumas personagens que não tiveram tanto interesse nos livros anteriores passam por experiências que as fazem voltar a ter interesse. Mais uma vez, Tyrion, Jon e Daenerys for the win!

Mais uma vez, o grande forte de toda esta saga são as personagens. Acho que falo disso sempre que comento esta saga, mas é a verdade. As personagens evoluem, acontecem-lhes coisas que as fazem crescer e que faz com que aumente, também, o nosso fascínio por elas. Mesmo aquelas personagens que estão do lado dos "maus", digamos assim, são personagens de que passamos a gostar e a olhar até com admiração. Todos têm os seus interesses e todos são humanos: sofrem, têm medos, querem vingança ou justiça e todos têm as suas fragilidades. Todos, no fundo, querem o melhor para si e para os que lhes são próximos. E são os vários pontos de vista presentes nos vários capítulos, contados por uma personagem diferente, num sítio diferente, que nos oferecem essa perspectiva multidimensional. Não há uma só verdade e quem é bom para uns é visto como mau para outros, e vice-versa. Tudo é relativo, principalmente num território que se encontra mergulhado na guerra e no caos.

Quanto ao enredo, não posso revelar nada porque não quero spoilar ninguém. Mas preparem-se para grandes surpresas e muita emoção! Até agora, apesar de ser só metade do original, este é o meu volume preferido da saga. Estou super entusiasmada para saber o que se segue e espero ainda mais surpresas. Se não voltar aqui, é porque o meu coração não aguentou! Hehehehe!

6/6 - Excelente