27 de setembro de 2012

Booking Through Thursday - Transporte

Levas contigo o(s) livro(s) que estás a ler quando vais sair? Como? Fisicamente ou levas um e-reader? Os teus hábitos em relação a isso mudaram? (Eu sei que levava livros comigo mais quando andava na escola do que agora - afinal, não consigo ler quando vou a conduzir).

Ena! Tanta pergunta.
Ora bem, eu costumo andar sempre acompanhada com o livro que estiver a ler no momento. Seja para a faculdade, para uma consulta, para reuniões familiares... Se eu souber que vou estar numa situação em que tenho de esperar ou que pode ser potencialmente secante, levo um livro comigo. Se fizer viagens de comboio, metro ou autocarro, o livro também vai comigo porque são oportunidades em que posso aproveitar aquele tempo para avançar na leitura. Como não tenho um e-reader carrego sempre o livro físico comigo.

19 de setembro de 2012

American Psycho - Opinião

Título: American Psycho
Autor: Bret Easton Ellis
Editora: Picador
Páginas: 399
Sinopse:
"Patrick Bateman is twenty-six and works on Wall Street; he is handsome, sophisticated, charming and intelligent. He is also a psycopath. American Psycho is a bleak, bitter, black comedy about a world we all recognize but do not wish to face and it takes us on a head-on collision with America's greatest dream - and its worst nightmare."

Opinião:

O que me levou a este livro foi uma lista com que me deparei há uns tempos e que também divulguei aqui, em que constavam os 10 Livros Mais Perturbadores de Sempre. Um dos livros que constava nessa lista era, precisamente, este American Psycho do qual eu já tinha uma leve noção porque há uns anos vi o filme. Mas, como não me lembrava de muitos pormenores, achei que devia dar uma oportunidade e lancei-me nesta leitura.

O livro é narrado na primeira pessoa, por Patrick Bateman o protagonista da obra. Patrick tem 26 anos, um jovem muito bem sucedido na sua carreira em Wall Street, cheio de dinheiro e que, por isso, leva uma vida extravagante sem se preocupar com custos. É também um jovem sem escrúpulos, preocupado excessivamente com a sua aparência, tal como todos os seus amigos e colegas, e com uns fuzíveis a menos no cérebro. Patrick é um psicopata, anti-social e que alivia as suas tensões e frustrações, com sadismo à mistura, matando pessoas.

Sendo uma obra narrada na primeira pessoa, podemos perceber o que vai na cabeça de Patrick e digo-vos: aquela cabeça é, ao mesmo tempo, inteligente e perturbada. Bateman é extremamente narcisista mas também repara em todos os pormenores daqueles que o rodeiam: desde o bronze, ao cabelo, à manicure, à definição dos bíceps e dos abdominais, à marca das roupas e do calçado de toda a gente (há verdadeiras descrições em que se sabe quais os materiais e as marcas das camisas, calças, gravatas, sapatos, saias, casacos, malas, etc), aos seus próprios rituais de higiene e beleza que repete todos os dias, pela manhã. Vemos também o seu estilo de vida: trabalhar num escritório em Wall Street em que não faz muita coisa, sair para jantar com amigos/colegas (nunca ninguém sabe muito bem quem é quem) em restaurantes caros, e sair à noite onde se cometem excessos de álcool e drogas. Mas, apesar de tudo, Patrick parece manter a sua psicopatia sob controlo e integra-se no grupo.

Só que, com o passar do tempo, Patrick deixa de conseguir controlar os seus acessos e começa a ficar paranóico, até histérico, tendo alucinações e pensamentos cada vez mais tortuosos em relação às pessoas que estão à sua volta. Os seus actos começam a ser mais sádicos, mais violentos, recorrendo a cenas de tortura, violação, canibalismo e por aí fora. Mais não digo, para não estragar surpresas...

O livro é perturbador pela descrição de algumas cenas de teor mais violento e gráfico e, como tudo nos é descrito na primeira pessoa, temos acesso aos sentimentos de Patrick nesses momentos, o que torna tudo ainda mais inquietante. Mas eu gostei. A escrita do autor é qualquer coisa do outro mundo. Conjuga-se na perfeição com o mundo em que Bateman vive e dá ao leitor a possibilidade de presenciar a vida sob a perspectiva de alguém profundamente desequilibrado. Além disso, somos brindados com momentos irónicos e sarcásticos o que, para mim, é sempre um ponto a favor, quando as coisas são bem feitas para além do humor negro que permeia todo o livro e é uma constante. Bateman tem momentos completamente alucinados, irreais e, por isso, Bateman não é um narrador assim tão fiável e há momentos em que não sabemos se o que nos está a ser descrito é real ou se é fruto da sua imaginação.

Posto isto, o veredicto final é de que este livro é bastante interessante, faz-nos pensar que, apesar das aparências, das pessoas serem ricas, bonitas, inteligentes, nada impede que, por detrás dessas máscaras, existam mentes perversas. O livro é fácil de ler, apesar de ter algumas partes difíceis de digerir. Não é um livro negro que explora ou tenta explicar o que vai na mente deste psicopata e eu gostei imenso pela parte do humor negro, da sátira. Mas eu sou daquelas pessoas que se entusiasmam quando matam pessoas à machadada e há sangue a jorrar por todo o lado, enquanto alguém berra e dança como se nada fosse. E quando imagino o Christian Bale como Patrick Bateman, a coisa ganha toda uma outra dimensão. E vai daí, se calhar também tenho uns fuzíveis queimados...

5/6 - Muito Bom

13 de setembro de 2012

Booking Through Thursday - Organização

Como organizas/guardas os teus livros? Reorganiza-los muitas vezes? Ou simplesmente pões os livros nas estantes e deixa-los lá até que precises deles?

Quando compro livros tento encaixá-los onde houver um espacinho para eles, uma vez que o espaço escasseia, por aqui. Mas aqueles que estão arrumadinhos como deve ser, normalmente não seguem uma ordem alfabética de autores ou títulos, nem por ordem de editora, nem nada. Os únicos indícios de ordem são: os que pertencem ao mesmo autor estão todos juntos, assim como os livros que fazem parte de sagas. Os livros da Penguin Classics, como as lombadas e os tamanhos são iguais, também estão todos juntinhos. Quanto aos restantes, a ordem é um bocado aleatória baseada no espaço que existe para os arrumar.

6 de setembro de 2012

Booking Through Thursday - Livros de Escola


Todos tivemos que ler coisas, na escola, de que não gostámos... Mas e quanto a algo que leste para a escola e que acabaste por gostar (ou até a amar!)? Um autor que descobriste e que não o descobririas de outra maneira? Um género sobre o qual nunca tinhas pensado?

Ina pá!! Há tanto tempo que o Booking Through Thursday não aparecia por cá! Pois bem, já era tempo, para dinamizar um pouco aqui o blog.
Quanto à pergunta desta semana, confesso-vos: sempre fui avessa a leituras obrigatórias. Estar a ler por obrigação foi coisa que nunca gostei e que sempre fiz contrariada. Porém, lá houve uma obra que se salvou e que se tornou num dos meus livros favoritos de todo o sempre. Para uma cadeira de literatura inglesa, na faculdade, tivémos que ler Jane Eyre, da Charlotte Brontë. Lá fui eu comprar o livro e começar a lê-lo, tudo isto de maus modos. Mas a história, as personagens, o ambiente da narrativa contagiou-me e de uma leitura obrigatória e, supostamente, secante, o livro tornou-se num dos meus "all-time-favourites"!

3 de setembro de 2012

Outras Leituras

À semelhança de alguns blogs e também do que fiz há pouco tempo, volto a partilhar convosco alguns links que achei interessantes tendo sempre como base, claro, o mundo literário. Ora aqui vão alguns:

A lista dos nomeados e vencedores dos Hugo Awards 2012
What Kind of Book Reader Are You? A Diagnostics Guide - um artigo engraçado que fala sobre os vários tipos de leitores que existem e as suas características.
There's Something About Gillian Flynn (or, When There's More to Genre Than Meets the Eye) - Aqui o foco está no livro mais recente da autora Gillian Flynn Gone Girl e de como o género policial pode conter comentário social e crítica cultural, nomeadamente em relação ao papel da mulher na contemporaneidade e do que é esperado dela. Como aguardo este livro com muita expectativa, uma vez que adorei o Objectos Cortantes, achei que devia partilhar.
13 Terrific Bookish T-shirts - basicamente é isso. T-shirts para amantes dos livros!

Stand Alone Fantasy Titles - Porque, às vezes, uma pessoa cansa-se de ler sagas e quer ler somente UM livro que conte a história toda.

Science Fiction That Gets Medieval on Your Ass - Para quem queira saber que livros misturam Ficção Científica e medievalidade. Como aqui a "je" quer explorar mais a Ficção Científica e está no bom caminho para se tornar uma medievalista, resolvi partilhar este artigo para quem esteja curioso também!

31 de agosto de 2012

Lolita - Opinião

Título: Lolita
Autor: Vladimir Nabokov
Editora: Colecção Biblioteca Visão
Páginas: 288
Sinopse:
"Vladimir Nabokov, romancista e poeta russo, distingui-se pela riqueza imaginativa das suas obras, redigidas na sua língua natal e depois em inglês, dada a condição de escritor emigrado. À mestria estilística das narrativas, acrescenta-se a originalidade de perspectivas, que por vezes se aproximam do grotesco, da sátira e do insólito. Entre os seus romances, publicados ao longo do século XX, sem dúvida que o mais célebre é Lolita, no qual se descreve a relação amorosa entre um intelectual de meia-idade e uma jovem de 12 anos. Uma história escrita com o brilhantismo característico deste autor, cuja prosa nunca cessa de surpreender."

Opinião:

A primeira coisa que me saltou à vista, neste livro, foi uma frase na sinopse: "a relação amorosa entre um intelectual de meia-idade e uma jovem de 12 anos". A este tipo de relação, normalmente, chamamos de pedofilia mas para vir, na sinopse, descrita como uma relação amorosa, a coisa fez com que eu ficasse interessada, como se fosse um desafio do próprio livro. E foi isso que este livro foi: um desafio. Poucos livros me deixam sem saber o que escrever, mas este foi um deles.

Humbert Humbert é o narrador, contando a história da sua vida, a sua adoração e fixação por raparigas que ainda não atingiram a puberdade e o seu envolvimento com Lolita. A alternância da narrativa entre a primeira e terceira pessoa do singular foi uma das primeiras coisas que me chamou à atenção. Primeiro não percebi a razão de ser desta característica, mas depois até me fez sentido. Humbert é o narrador da sua própria história de vida e da sua paixão por Lolita, de 12 anos, conferindo uma perspectiva pessoal à obra. Mas ao narrar algumas partes na terceira pessoa, percebemos que ele tem o distanciamento suficiente para perceber que algumas coisas são consideradas erradas perante a sociedade e, por isso, condenáveis. Neste aspecto, o livro levanta algumas questões complexas ligadas à moralidade, uma das principais sendo a linha que separa, neste caso, o amor do abuso e obsessão.

Confesso que estava à espera de algo mais rude e cru do que o que este livro se revelou. Adoração e fascínio é a palavra correcta para descrever o sentimento que Humbert tem em relação a raparigas com menos de 14 anos. A sua obsessão não é, na maioria das vezes, em ter relações sexuais com essas raparigas a que ele chama de "ninfitas" e isso passa através de algumas passagens em que ele revela que não quer corromper a inocência e pureza de Lolita, neste caso específico. Porém, as coisas não são assim tão simples e ele acaba por ceder. Mas mesmo essa cedência coloca questões: nem Lolita é tão inocente assim, nem Humbert tão culpado ou monstruoso.

A prosa deste livro é fantástica. A maneira como ele descreve os seus sentimentos, o seu fascínio por Lolita, as maquinações elaboradas e, por vezes, brutais, a sua paranóia, permite-nos entrar na sua mente e saber como ela funciona. Porém, há que ter um pormenor em atenção: a história é descrita sob o ponto de vista de Humbert e, por isso, nunca podemos saber até que ponto esta narrativa está distorcida pela sua paixão e fascínio por Lolita ou não.

Não é uma leitura fácil mas foi, para mim, uma leitura compensadora. Foi desafiante ler este livro porque não consegui, em nenhuma parte do livro, não gostar de Humbert. O narrador joga com o nosso pensamento ao confundir os nossos sentimentos para com as personagens deste livro e joga com as nossas noções pré-estabelecidas do que é certo e errado. Humbert é, claramente, um pedófilo que manipula as situações e a própria Lolita para poder estar com ela e para que ela não denuncie a relação de ambos a ninguém. Mas a vertente humana e sentimental é aqui evidenciada, ao invés da vertente criminosa e de aberração com que é visto o pedófilo por parte das outras pessoas. Como alguém me disse, quando falava sobre este livro, esta é uma obra moralmente ambígua.

5/6 - Muito Bom

22 de agosto de 2012

Persuasion - Opinião

Título: Persuasion
Autor: Jane Austen
Editora: Wordsworth Classics
Páginas: 224
Sinopse:
"What does persuasion mean - a firm belief, or the action of persuading someone to think someting else? Anne Elliot is one of Austen's quietest heroines, but also one of the strongest and the most open to change. She lives at the time of the Napoleonic wars, a time of accident, adventure, the making of new fortunes and alliances.
A woman of no importance, she manoeuvres in her restricted circumstances as her long-time love Captain Wentworth did in the wars. Even though she is nearly thirty, well past the sell-by bloom of youth, Austen makes her win out for herself and for others like herself, in a regenerated society."

Opinião:

Depois de acabado este livro, posso afirmar: Jane Austen não é para mim. Antes deste li o Pride and Prejudice que até gostei, embora não tivesse achado nada de especial. Como me falaram no Persuasion, resolvi comprar e ver o que a autora me poderia oferecer mais. Pois bem, não me podia oferecer nada. Mas vamos por partes.

Em Persuasion, Jane Austen dá-nos a conhecer a sociedade em que ela própria vivia, satirizando-a à medida que se desenrola o enredo com as personagens principais. Mais uma vez, vemos aqui a crítica àqueles que dão demasiada importância às aparências: quer aparência física quer aparência social. Todos querem ser mais e melhores do que o vizinho do lado e isso dá azo a algumas situações caricatas por parte de algumas personagens que, por vezes, chegam a atingir o ridículo. Contudo, não consegui apreciar tanto este romance. É esta descrição do dia-a-dia em pormenor, das regras, dos valores invertidos da sociedade que Austen caracteriza que acabava por ser demasiado exaustiva, dando pouco ênfase a Anne Elliot, a heroína da história, e a Frederick Wentworth o seu amor de há tantos anos.

De facto, Anne é uma mulher já de 27 anos, considerada velha para casar e muito longe do auge da sua beleza, bastante discreta e reservada. Talvez por isto não se veja muito de Anne e ela esteja em maior destaque quando Frederick se encontra no mesmo espaço que ela. Mas o que me aborreceu também, foi eu sentir que as personagens não têm muita profundidade. Não sei... Este livro aborreceu-me no seu todo, considerei até desistir da sua leitura. Não consegui sentir a intensidade do amor entre Anne e Frederick e tanta descrição do quotidiano fazia com que eu desesperasse por alguma acção concreta. Além disso, penso que Austen usa demasiado o discurso indirecto, o que acaba por retirar a emoção de alguns momentos. Não quer dizer que o livro seja mau. Simplesmente não é para mim.

Depois deste livro, penso que será muito difícil eu voltar a pegar em mais alguma obra de Jane Austen outra vez.

2/6 - Razoável

P.S. - WhiteLady3, a carta é bem bonita! Mas não consegue salvar o livro completamente...