25 de novembro de 2012

Aquisições - Novembro


 Há três meses que não comprava livros. Pois que quebrei o jejum e foram logo quatro de uma vez!
Comprei Parsival, de Wolfram von Eschenbach, numa banca que estava num dos corredores da faculdade, com livros em segunda mão e outros de editoras já extintas e, por isso, a preços atractivos. Este Parsival é uma obra do século XIII, inserido na lenda arturiana e que se centra na Demanda do Graal. Foi esta obra que esteve na génese da ópera com o mesmo nome, de Richard Wagner, já no século XIX.

Depois, resolvi celebrar a abertura de uma livraria aqui ao pé de minha casa e comprei mais três livros! Ladyhawke - A Mulher Falcão, de Joan D. Vinge, livro que foi depois adaptado ao cinema com o mesmo nome; e os dois livros de Os Despojados, de Ursula K. Le Guin, uma autora cuja obra tenho curiosidade em experimentar. Como podem ver, lá porque comprei um Kobo, não quer dizer que tenha deixado de comprar livros... ;)

23 de novembro de 2012

Booking Through Thursday - Gratidão

Os Estados Unidos estão na época de Acção de Graças, por isso... Em termos de leituras, estás grato em relação a quê, este ano? Novos livros favoritos? Novos "gadgets" para ler? Nova cadeira confortável? Tempo bónus para ler? Somente o facto de SERES um leitor? Por ter a internet para partilhar ideias/recomendações/conversas sobre livros?

Esta pergunta quase que soa a balanço final deste ano. Mas até me ajuda a arrumar ideias para posts futuros e, por isso, aqui vamos!

Em termos de leituras, não me posso queixar. Aqui há dias estive a olhar para as pontuações que atribui aos vários livros que li este ano e gostei muito de praticamente todos. Quais gostei mais ou menos, isso só irão saber no balanço final, daqui a um mês! *riso maquiavélico* Mas começo a aperceber-me de que estilo de livros gosto mais em termos de género, temática, autores e isso nota-se no facto de eu ter gostado bastante das minhas leituras, até agora.

Novos "gadgets"? Claro que sim! Aqui o meu Kobo fofinhooo! *faz festinhas ao Kobo* ok, já chega... Penso que o Kobo foi uma das minhas melhores compras este ano. Doeu, custou ter que largar dinheiro assim, mas compensa pela quantidade de livros que já adquiri e adoro ler no Kobo. Ainda ontem me chatearam a cabeça com o "ai mas eu gosto é de ter o livro na mão, e virar as páginas, etc, etc"... Meus queridos: eu também gosto! Ter comprado o Kobo não quer dizer que eu vá deixar de comprar livros. Mas não me arrependo minimamente e sei que me vai dar muito jeito. Além disso, antes de gostar de livros, do que eu gosto mesmo é de LER.

Quanto a cadeiras, poltronas ou chaise longues para ler, isso não há cá nada. Continuo a ler na cama ou na minha cadeira da secretária.

De resto, a internet, nomeadamente os blogs, o Goodreads e o Twitter têm sido onde eu partilho as minhas opiniões, de onde eu retiro recomendações de livros para ler, onde converso sobre aquilo que leio, sobre temas livrescos em geral e onde se organizam leituras conjuntas, temporadas e Book Bingos, porque nós não conseguimos estar quietas! Por isso, sim. A internet é um meio bastante útil para eu ler as opiniões e recomendações dos outros e onde me mantenho a par das novidades literárias, tanto a nível nacional como a nível de lançamentos internacionais, dentro dos géneros de que gosto. A internet serviu também, este ano, como meio de conhecer mais pessoas e de fazer amizades com algumas delas (sim twitgang, estou a olhar para vocês) e isso é algo de valor inestimável!

Este deve ser o post mais longo do Booking Through Thursday. Mas espero que tenham gostado e, já agora, desafio-vos a responder a estas mesmas perguntas nos comentários, se quiserem :)

16 de novembro de 2012

Booking Through Thursday - Local, Local, Local

Qual é o teu sítio preferido para ler? Tens mais do que um? Consegues ler em qualquer lugar, ou precisas de certas condições para o fazer?

Uma das coisas que preciso para conseguir ler em condições, é silêncio. Com barulho de fundo consigo ler, mas se tiver pessoas ao pé de mim a falarem ou a ouvir música, o meu cérebro acaba por absorver as conversas/música em vez daquilo que estou a ler. O meu local preferido para ler, é na cama. Mas isso não acontece muitas vezes, porque acabo sempre por adormecer... Fora a minha cama, gosto de ler no sofá da sala e na minha varanda, quando lá bate o sol :)

12 de novembro de 2012

The Road - Opinião

Título: The Road
Autor: Cormac McCarthy
Lido no Kobo
Sinopse (do Goodreads)
:
"A father and his son walk alone through burned America, heading through the ravaged landscape to the coast. This is the profoundly moving story of their journey. The Road boldly imagines a future in which no hope remains, but in which two people, 'each the other's world entire', are sustained by love. Awesome in the totality of its vision, it is an unflinching meditation on the worst and the best that we are capable of: ultimate destructiveness, desperate tenacity, and the tenderness that keeps two people alive in the face of total devastation."

Opinião:

Esta é a história de um pai e de um filho que tentam, desesperadamente, conseguir sobreviver numa terra devastada. Não há animais, não há vegetação, não há sol e parece também não haver pessoas. Apesar de nunca nos ser dito o que aconteceu, percebemos que houve um qualquer desastre, um cataclismo que tornou a terra árida, sem vida e o único objectivo destas duas personagens é manterem-se vivas e conseguirem chegar ao sul do país.

Ambos fazem a sua viagem através de uma estrada que, supostamente, chegará ao destino pretendido. Porém, os perigos são muitos: o frio, a falta de comida e de água, a escuridão da noite, os bandos perigosos que atacam para conseguirem sobreviver também. Todo o cenário é desolador. Cidades fantasmas, árvores que caem sobre o chão, mortas, os cenários macabros pelos quais têm de passar, terra lamacenta, cinzas. Tudo é lúgubre, cinzento, o medo espreita em toda a parte. Dentro e fora das personagens.

Mas o que importa neste livro, é a história deste pai e deste filho que lutam para sobreviver e para fazer o seu caminho até ao fim. O amor que existe entre eles, as preocupações pelo bem-estar de cada um, as pequenas alegrias, a visão daquele mundo estéril pelos olhos de dois seres humanos que caminham juntos, naquela estrada. As tentativas desesperadas do pai dar ao filho o máximo que conseguir.

Este livro é forte, denso, cru, não aconselhável se estamos mais em baixo, mais deprimidos. Há momentos de se partir o coração, momentos em que a única coisa que há para descrever é a passagem angustiante do tempo e a absorção de cada pormenor da paisagem cinzenta e morta, há momentos de tensão, de desespero, de tristeza.

Apesar disso, é um livro que vale a pena ler, mesmo tendo este tema e este cenário narrativo. Penso que esta viagem pela estrada é uma viagem física mas, essencialmente, é uma viagem emocional, tanto para as personagens como para o leitor. Não é de ânimo leve que lemos este livro e não é com o espírito leve que o acabamos. É difícil falar deste livro, mas para mim acaba por ser uma história de sobrevivência e de amor incondicional entre pai e filho, no meio de toda aquela devastação, e é isso que acaba por mantê-los vivos durante a sua jornada.

5/6 - Muito Bom


4 de novembro de 2012

The Wonderful Wizard of Oz - Opinião

Título: The Wonderful Wizard of Oz
Autor: L. Frank Baum
Lido no Kobo
Sinopse (do Goodreads)
:
"Dorothy thinks she's lost forever when a tornado whirls her and her dog, Toto, into a magical world. To get home, she must find the wonderful wizard in the Emerald City of Oz. On the way she meets the Scarecrow, the Tin Woodman and the Cowardly Lion. But the Wicked Witch of the West has her own plans for the new arrival - will Dorothy ever see Kansas again?"

Opinião:

Há uns tempos comecei a ter vontade de rever o filme O Feiticeiro de Oz, com a Judy Garland. E foi então que pensei: porque não ler o livro, já que ainda não o tinha feito? Pois bem. Lá fui eu ao Project Gutenberg e num instante estava a ler este livro no meu Kobo.

Li este livro muito depressa. É uma história simples, com um enredo que não é complexo mas que nos deixa apegados às personagens e às coisas que lhes vão acontecendo. Ficamos a conhecer aquele mundo mágico e diferente, o feiticeiro de Oz, a Cidade Esmeralda, as bruxas boas e as terríveis, as várias criaturas que habitam nesse mundo e as aventuras por que passam Dorothy, o Espantalho, o Homem-Lata e o Leão Cobarde. Todos viajam até Oz para conhecer o Feiticeiro e pedir-lhe algo a que almejam. Dorothy quer voltar para o Kansas, o Espantalho quer ter um cérebro, o Homem-Lata quer ter um coração e o Leão quer ser corajoso. Os cenários são muito coloridos, as personagens têm a sua inocência e ingenuidade mas não são parvas, de todo. Apesar de diferentes, todos forjam laços de amizade inquebráveis e o espírito de entreajuda pareceu-me ser o mais importante do livro.

Todos são personagens muito queridos e apesar da história ser simples e lida num ápice, não deixamos de nos agarrar ao livro. Eu gostei bastante de entrar nesta magia de Oz, de conhecer os que lá habitam e de percorrer com Dorothy e companhia os caminhos que fizeram até ao final da história. Soube-me bem ler este livro ao mesmo tempo que li o A Canticle for Leibowitz, porque me permitia descomprimir de um livro mais denso e complexo.

5/6 - Muito Bom

3 de novembro de 2012

Outras Leituras

E aqui ficam alguns dos links mais interessantes com que me cruzei durante o mês de Outubro. Enjoy!

Ebooks Are Real Books. Deal With it. - Um artigo que nos fala sobre aquela ladaínha de que os livros electrónicos não são livros a sério.


Grandes Clássicos. Qual destes não conseguiu ler? - o iOnline perguntou a várias figuras públicas que clássicos da literatura eles não conseguiram terminar. James Joyce for the win!

Awesome Photos of Writers Hanging Out Together - Basicamente é isso. Fotos de vários escritores juntos.

Famous Last Words: 15 Author's Epitaphs - Alguns epitáfios de escritores que já se foram. Com direito a imagens das lápides.

11 More Books to Scare the Sh*t Out of You - Porque passou agora o Halloween e eu tinha que fazer aqui uma referência literária. Aqui fica mais uma lista.

Edit: Fica, já agora, uma chamada de atenção. Todos os posts desta rubrica estão agrupados na barra lá em cima, no separador "Outras Leituras". Assim, não precisam de ter trabalho e ir à procura no blog.

2 de novembro de 2012

A Canticle for Leibowitz - Opinião

Título: A Canticle for Leibowitz
Autor: Walter M. Miller Jr.
Editora: Bantam Books
Páginas: 338
Sinopse:
"In the depts of the Utah desert, long after the Flame Deluge has scoured the earth clean, a monk of the Order of Saint Leibowitz has made a miraculous discovery; holy relics from the life of the great saint himself, including the blessed blueprint, the sacred shopping list, and the hallowed shrine of the Fallout Shelter.

In a terrifying age of darkness and decay, these artifacts could be the keys to mankind's salvation. But as the mistery at the core of this groundbreaking novel unfolds, it is the search itself - for meaning, for truth, for love - that offers hope for humanity's rebirth from the ashes."


Opinião:

O livro está dividido em três partes, cada uma delas intitulada: "Fiat Homo" (Faça-se o Homem), "Fiat Lux" (Faça-se a Luz) e "Fiat Voluntas Tua" (Faça-se a tua vontade). Cada parte se passa em três épocas diferentes, centenas de anos após um cataclismo nuclear que quase destruiu a humanidade e o planeta. Apesar da história compreender um período tão grande, a base da história passa-se sempre no mosteiro da Ordem de Leibowitz que, após essa guerra nuclear, se dedicou a preservar o que restava do conhecimento adquirido pela civilização anterior.

Uma das coisas que notei, à medida que ia avançando, foi que as três partes fizeram-me lembrar da nossa própria história. Na primeira parte é tudo muito arcaico, o território muito estéril por causa dos efeitos do cataclismo anterior e a civilização muito apoiada na religião, semelhante à Idade Média; na segunda parte já se nota um interesse maior na ciência, em pôr em prática as noções e fórmulas que foram deixados pelos seus antepassados, fazendo lembrar o período do Renascimento; e a terceira parte já uma civilização mais avançada do que é, neste momento, a nossa.

Apesar da história se passar durante um período de tempo que abrange centenas de anos, é interessante que a religião está presente como um dos pilares da civilização, interferindo na vida política, social e cultural de um povo. Além disso, esta Ordem de Leibowitz dedica-se a preservar a memória de tempos idos, a conservar aquilo que eles chamam de Memorabilia, documentos da civilização que pereceu antes deles, considerados relíquias sagradas. Durante a história, percebemos como a Ordem é gerida, como vivem os monges e como, com o passar do tempo, as ideias vão mudando e as mentes se vão abrindo.

Gostei bastante deste livro que me pôs a pensar: estará o homem condenado a repetir-se a ele próprio? Mesmo com todo o conhecimento que se vai adquirindo, temos a tendência de repetir os mesmos erros? Apesar de este livro ser ficção, não deixamos de nos perguntar este tipo de coisas, num período em que o armamento é mais sofisticado, em que a escassez de matéria prima, comida e água é cada vez maior, em que o abismo entre ricos e pobres também cresce e em que assistimos a conflitos provocados pela falta de tolerância religiosa.

Concluindo: a história está muito bem construída e vai-se adensando e adquirindo uma complexidade maior à medida que avança. Gostei dos momentos de humor entre alguns monges, principalmente na primeira parte e em relação a um monge em particular: o Brother Francis. Gostei do mundo criado para contar a história de uma civilização que se tenta erguer e procurar preservar o conhecimento adquirido anteriormente
 
Este livro põe-nos a pensar sobre o quão importante é o conhecimento, o quanto avançámos, tecnologicamente, que importância ocupa a Igreja e a religião nas vidas das pessoas e de uma civilização, mas também no nosso destino. No que seremos daqui a 10, 50, 100 anos e no facto da história ser cíclica. Vale a pena ler este livro e penso que não podia ter começado melhor esta temporada!

5/6 - Muito Bom