31 de dezembro de 2012

Balanço de Leituras de 2012


O final de ano aproxima-se e, como tal, chegou a altura de fazer o balanço das leituras deste ano. Então vejamos o que se passou...

DESAFIOS:

Este ano participei em dois desafios literários, coisa que nunca tinha participado. E, por causa das tosses, para o ano que vem inscrevi-me em mais dois! Vamos ver como a coisa corre... Mas quanto aos desafios deste ano, o primeiro foi o do Goodreads, em que me propus ler um total de 35 livros durante 2012. E consegui ler 36! Aqui no blog só registei as leituras de lazer, que foram 29, mas como no Goodreads contabilizou-se também os livros que li, por inteiro, para a tese, consegui atingir os 36. 
O outro desafio foi o Book Bingo, organizado no Goodreads também. O desafio consistia num cartão como os dos Bingos, mas em vez de números tinha temas de leitura. O objectivo era fazer as várias linhas e, eventualmente, o cartão todo. Não o consegui fazer, mas penso que não correu mal, porque consegui fazer 5 linhas e só me faltaram preencher 5 quadrados. Ora vejam lá:


LEITURAS:

Este ano foi o ano em que passei a maior parte do tempo a ler e a escrever para a minha tese que, esperemos, será entregue durante a primeira metade de 2013 (rezemos para que isso aconteça, sim?). Por isso não tive tanto tempo e disposição para outras leituras como gostaria de ter tido. Mas, apesar de tudo, foi um ano de muito boas leituras. Aqui há dias estive a olhar para as classificações que dei aos livros que li, e vi que gostei bastante de praticamente todos eles. Ou acertei na "mouche" com os livros, ou então já começo a saber melhor aquilo que me cativa e interessa, e aquilo de que não gosto e me aborrece. Este ano também foi o ano da minha introdução à ficção científica e, dentro dos livros que li para a Temporada de Ficção Pós-Apocalíptica, gostei de todos eles. É um género no qual vou, decididamente, apostar mais.
Aqui fica o meu "Top 5" dos livros que mais gostei de ler este ano, sem nenhuma ordem em particular:

1. Memoirs of a Geisha - Arthur Golden
2. A Glória dos Traidores - George R. R. Martin
3. Oryx and Crake - Margaret Atwood
5. The Graveyard Book - Neil Gaiman

OUTRAS CURIOSIDADES LITERÁRIAS:

Este ano foi marcado também por ter adquirido um e-reader: o Kobo. As minhas impressões só podem ser positivas porque, desde o final de Setembro, que foi quando o comprei, li 6 livros neste bichinho e, até agora, sem queixas nenhumas. Numa altura em que, para mim, é mais complicado adquirir livros físicos, o Kobo revela-se uma boa maneira de continuar a ler os livros que quero, com um custo mais baixo.
Foi, também, este ano que tive a oportunidade de ir a uma sessão de autógrafos do George R. R. Martin (tenho o A Tormenta de Espadas autografado!) e onde conheci gente da blogosfera também. E gostei tanto!! :D

Posto isto, aqui vamos a estatísticas, para aqueles que gostam destas coisas:

Total de livros lidos: 29, dos quais 6 foram e-books (36 se contarmos com os de investigação para a tese)
Total de livros adquiridos (comprados e oferecidos): 35
Mês com mais livros lidos: Agosto
Média de classificações dadas: 4,7
Livros com classificações mais altas: Beauty, The Happy Prince and Other Stories, Hamlet, Trilogia Favole, A Tormenta de Espadas, A Glória dos Traidores, The Graveyard Book e Oryx and Crake.
Livros com classificações mais baixas: Neverwhere (que não cheguei a terminar) e Persuasion.

RESOLUÇÕES PARA 2013:

Como referi praticamente no início deste post, em termos literários meti-me em mais desafios. Assim, à semelhança deste ano, vou participar no Book Bingo, no Reading Challenge do Goodreads, e em mais dois: o Mount TBR Reading Challenge e também no Monthly Key Word Challenge.
Para além disso, há uns quantos livros que quero mesmo, MESMO ler e que não podem passar do próximo ano! São eles: 

A Filha da Profecia - Juliet Marillier (parece impossível, mas ainda não acabei a trilogia Sevenwaters...)
A Rainha no Palácio das Correntes de Ar - Stieg Larsson (sim, outra trilogia para acabar...)
A trilogia Lord of the Rings - J.R.R. Tolkien (mesmo, MESMO!)
Les Miserábles - Victor Hugo

Para além disso, haverá uma nova rubrica mensal, o Só Ler Não Basta, em conjunto com os blogs Este Meu Cantinho... e Ler e Reflectir. Estejam atentos e espero que gostem! O episódio 0 já se encontra disponível no post anterior ;)
E é isso. Coisa pouca, portanto... Desejo-vos, então, um ano de 2013 recheado de coisas boas, com saúde e perto das pessoas que vocês mais gostam. Porque isso é que é importante. E, se for possível, com uns livritos como companhia também :)

Só Ler Não Basta - Episódio 0

E finalmente aqui temos o primeiro episódio, ou episódio 0 do Só Ler Não Basta, uma rubrica ou tertúlia mensal, organizada em conjunto com os blogs Este Meu Cantinho... e Ler e Reflectir e onde vamos falar sobre temas relacionados com os livros. Neste episódio, fazemos um balanço das nossas leituras ao longo de 2012. Não se esqueçam de deixar os vossos comentários a dizer o que acharam!




Para quem quiser explorar os sites e livros de que falamos, podem consultar os links que deixo abaixo:

Programas:
Vaginal Fantasy


Top 5 da Diana:
Memoirs of a Geisha

Top 3,5 da Telma:
E Tudo o Vento Levou

30 de dezembro de 2012

The Viscount Who Loved Me - Opinião


Título: The Viscount Who Loved Me (Bridgertons #2)
Autor: Julia Quinn
Lido no Kobo
Sinopse (do Goodreads):
"1814 promises to be another eventful season, but not, this author believes, for Anthony Bridgerton, London's most elusive bachelor, who has shown no indication that he plans to marry.
And in truth, why should he? When it comes to playing the consummate rake, nobody does it better...
--Lady Whistledown's Society Papers, April 1814

But this time, the gossip columnists have it wrong. Anthony Bridgerton hasn't just decided to marry - he's even chosen a wife! The only obstacle is his intended's older sister, Kate Sheffield - the most meddlesome woman ever to grace a London ballroom. The spirited schemer is driving Anthony mad with her determination to stop the betrothal, but when he closes his eyes at night, Kate is the woman haunting his increasingly erotic dreams...

Contrary to popular belief, Kate is quite sure that reformed rakes do not make the best husbands - and Anthony Bridgerton is the most wicked rogue of them all. Kate is determined to protect her sister - but she fears her own heart is vulnerable. And when Anthony's lips touch hers, she's suddenly afraid she might not be able to resist the reprehensible rake herself..."

Opinião:

Como gostei tanto e fiquei tão entusiasmada com o primeiro livro desta série, pensei que tinha logo de ler o seguinte. E como estava a precisar de continuar a ler algo assim mais leve, este The Viscount Who Loved Me, revelou-se uma leitura bastante agradável.

Seguindo a família Bridgerton, desta vez o foco principal está em Anthony, o irmão mais velho deles todos. Anthony decide que chegou a altura de casar e, por isso, toma a decisão de escolher uma mulher, entre as que se apresentam regularmente nos eventos sociais da época, para tomar como esposa. A sua atenção recai em Edwina Sheffield, uma rapariga bela, educada, inteligente e graciosa. Porém, Edwina tem uma irmã, Kate, com a qual Anthony passa a vida a esbarrar (de notar que ambos não se suportam) e, inevitavelmente, para o melhor e para o pior, é Kate que ocupa a maior parte dos pensamentos dele.

Mais uma vez, temos o retrato social da época com as festas, os bailes que se organizam para encontrar marido ou esposa, as grandes casas das famílias mais abastadas, a importância do estrato social. Neste livro, é demonstrada a ideia de que uma rapariga com mais de vinte anos corria o sério risco de ver as suas hipóteses de casar, escassearem. Ainda por cima, Kate não era nenhuma beldade, e muito menos graciosa, quando comparada com a sua irmã. Mas, é claro, nada corre da maneira que é suposto...

O que eu mais gostei neste livro, à semelhança com o anterior, foi do humor da autora e da dinâmica entre os irmãos Bridgerton. É muito divertido ver a relação entre todos e aquele sentido de protecção que têm uns com os outros. Depois, claro, o crescente envolvimento entre Anthony e Kate, que é alvo de alguns percalços, mas que, infelizmente, não me cativou tanto como o do livro anterior, entre Simon e Daphne. Não é que eu não tenha gostado deles. Gostei e gostei também de como as coisas se desenvolveram, e daquela mania que eles têm de andarem sempre a "picar" e a provocar-se um ao outro, que é o que acaba por ser aquilo que os une. Mas... não sei. Não me encheram completamente as medidas, apesar de ter gostado das personagens e da sua história. A verdade é que não consigo encontrar um motivo pelo qual isto tenha acontecido mas, realmente, não me puxaram tanto como o livro anterior fizera.

Ainda assim, gostei deste livro e espero pelos outros que se seguirão.

4/6 - Bom

22 de dezembro de 2012

Balanço da Temporada de Ficção Pós-Apocalíptica


Primeiro, quero começar por dizer que gostei bastante de ter participado nesta Temporada. Li livros dentro de um género e de um mundo que, se calhar, de outra maneira não tinha lido e gostei de praticamente todos, para além de ter ficar com a vontade de ler mais coisas dentro do mesmo género. Mas vamos por partes. Lembram-se dos livros que me propus a ler? Não? Eram estes:

The Time Machine - H. G. Wells
A Canticle for Leibowitz - Walter M. Miller, Jr.
The Road - Cormac McCarthy
Oryx and Crake - Margaret Atwood

Penso que não me saí mal e só não li o The Time Machine. Os outros três posso dizer que adorei e que foram grandes surpresas, para mim, de um modo positivo. Todos muito bem escritos mas, também, muito distintos, apesar de lidarem com a temática de um mundo devastado por um acontecimento apocalíptico. Foi bom e interessante ter três visões diferentes sobre um mesmo tipo de acontecimento. De todos, destaco o Oryx and Crake que foi uma delícia de se ler, aguçando a minha curiosidade para ler mais obras da Margaret Atwood.

Gostei muito de ter participado nesta Temporada porque tive a oportunidade de contactar com narrativas diferentes daquilo que costumo ler. E como li bons livros, foi algo que me deu bastante prazer. Para o ano, era de valor organizar-se mais temporadas destas, principalmente para nos desafiar a sair da nossa bolha, e aventurarmo-nos em autores e temas que não estão, normalmente, dentro das nossas preferências.

20 de dezembro de 2012

The Duke and I - Opinião

Título: The Duke and I (Bridgertons #1)
Autor: Julia Quinn
Lido no Kobo
Sinopse (do Goodreads):

"Can there be any greater challenge to London's Ambitious Mamas than an unmarried duke?
--- Lady Whistledown's Society Papers, April 1813

By all accounts, Simon Basset is on the verge of proposing to his best friend's sister, the lovely - and almost-on-the-shelf - Daphney Bridgerton. But the two of them know the truth -it's all an elaborate plan to keep Simon free from marriage-minded society mothers. And as for Daphne, surely she will attract some worthy suitors now that it seems a duke has declared her desirable.

But as Daphne waltzes across ballroom after ballroom with Simon, it's hard to remember that their courtship is a complete sham. Maybe it's his devilish smile, certainly it's the way his eyes seem to burn every time he looks at her... but somehow Daphne is falling for the dashing duke... for real! And now she must do the impossible and convince the handsome rogue that their clever little scheme deserves a slight alteration, and that nothing makes quite as much sense as falling in love..."


Opinião:

Peguei neste livro, penso que, o mês passado. Mas como estava tão empenhada nos livros de ficção pós-apocalíptica, não me encontrava com o espírito certo para este tipo de história. Porém, esta semana voltei a pegar no livro e acabei-o em tempo recorde!

The Duke and I é o primeiro livro da série Bridgertons, que conta a história da família com esse mesmo apelido. Neste primeiro livro o enfoque é em Daphne, a mais velha das irmãs, mas a quarta filha de uma prole de oito. Esta foi a minha personagem preferida. Seria de esperar que uma mulher, em pleno início do século XIX, fosse subserviente, submissa, que só pensa em casar e ter filhos, sem opinião própria e coisas que tais. Mas Daphne Bridgerton é uma mulher irreverente, que questiona, que não tem medo de dizer o que pensa e o que sente. Não é paranóica em relação ao casamento, e acredita que quando ele acontece, tem que ser por amor. É engraçado ver toda a sua interacção com a família, principalmente com os seus irmãos mais velhos. Apesar de ser mulher, todos os rapazes confiam e recorrem a ela para resolver alguns dos seus problemas, e para com a qual têm um instinto super protector. Mas eis que aparece Simon Basset que pensa de maneira completamente oposta a Daphne, que é arrogante, um pouco frio e distante e que a provoca, ao que ela também não se deixa ficar e responde. A meu ver, perfeitos um para o outro.

A personalidade viva de Daphne, a transformação de Simon, os irmãos dela a quererem protegê-la e a interferir em tudo o que se relaciona com ela, foi o que mais gostei deste livro. A interacção entre todos, o crescente amor entre as personagens principais, e todo o tom leve e até humorístico de todo o livro foi o que me fez ficar tão agarrada a este livro. É fluido, é divertido (grandes gargalhadas que me arrancou!) e trata de um tema que toca a todos: o amor. Seja passado no século XIX ou no século XXI, parece que todos vivemos mais ou menos os mesmo dilemas, as mesmas dúvidas, as mesmas paixões. É algo com que todos nos identificamos, almejamos e conhecemos. E Julia Quinn conta-nos esta história de um modo maravilhoso que tanto nos põe a rir com situações caricatas, como nos põe a pensar, com alguns dilemas mais problemáticos das personagens, como nos deixa a suspirar por mais.

Gostei imenso deste livro. Foi uma lufada de ar fresco e seguirei, com certeza, os próximos desenvolvimentos da família Bridgerton.

5/6 - Muito Bom

15 de dezembro de 2012

Oryx and Crake - Opinião

Título: Oryx and Crake
Autor: Margaret Atwood
Lido no Kobo
Sinopse (do Goodreads)
:
"The narrator of Atwood's riveting novel calls himself Snowman. When the story opens, he is sleeping in a tree, wearing an old bedsheet, mourning the loss of his beloved Oryx and his best friend Crake, and slowly starving to death. He searches for supplies in a wasteland where insects proliferate and pigoons and wolvogs ravage the pleeblands, where ordinary people once lived, and the Compounds that sheltered the extraordinary. As he tries to piece together what has taken place, the narrative shifts to decades earlier. How did everything fall apart so quickly? Why is he left with nothing but his haunting memories? Alone except for the green-eyed Children of Crake, who think of him as a kind of monster, he explores the answers to these questions in the double journey he takes - into his own past, and back to Crake's high-tech bubble-dome, where the Paradice Project unfolded and the world came to grief.

With breathtaking command of her shocking material, and with her customary sharp wit and dark humour, Atwood projects us into an outlandish yet wholly believable realm populated by characters who will continue to inhabit our dreams long after the last chapter. This is Margaret Atwood at the absolute peak of her powers."


Opinião:

Quando me propus a ler este livro para a Temporada Pós-Apocalíptica, não tinha nenhuma expectativa. Nunca tinha lido nada da Margaret Atwood, não fazia ideia do que esperar da narrativa e, por isso, até olhava o livro de esguelha como quem diz "será que devo ler este livro?" Mas em bem hora o fiz, porque este livro é fantástico. Mas vamos por partes.

A sinopse descrita acima, resume bem aquilo que o livro é. Snowman é o narrador desta história e só através dele é que podemos saber que catástrofe fez com que o mundo se tornasse uma terra devastada. O tempo da narrativa é o futuro: Snowman encontra-se numa terra sem vida, provavelmente como sendo o único ser humano vivo na terra, para além das "Crianças de Crake", e através das suas memórias o leitor vai sabendo mais sobre ele, sobre Oryx, Crake, sobre o que aconteceu no passado, mas também o próprio Snowman vai dando um sentido, na sua cabeça, a tudo aquilo que o rodeia. 

É uma viagem muito interessante e, em relação a alguns aspectos, bastante assustadora. Viajamos por entre um mundo onde as experiências genéticas são algo comum, onde a comunidade científica vive à parte do restantes mortais, num ambiente protegido, tecnologicamente avançado e livre de doenças, onde os grandes cérebros são protegidos e estimulados, trabalhando para, supostamente, um mundo melhor. Tudo aquilo que está fora desses complexos habitacionais protegidos é considerado perigoso, violento, anárquico, como sendo um poço de doenças e algo a evitar a todo o custo.

O que mais me impressionou foram os relatos das experiências científicas com animais. Os "pigoons", por exemplo, são porcos alterados geneticamente, através de células estaminais humanas, com o propósito de os seus órgãos serem transplantados em humanos, com riscos diminutos de rejeição e de infecções pós-operatórias. Outros exemplos incluem cruzamentos entre duas espécies diferentes de animais, coelhos que brilham no escuro e lobos ferozes com aspectos de cães. Mais tarde, também ocorrem experiências em pessoas, mas não vou falar delas, para não "spoilar" ninguém.

Ao longo da narrativa conhecemos também Oryx e Crake que, não sendo as personagens principais, são as que dão nome ao livro. No futuro, onde vive Snowman, parece haver toda uma mitologia em relação a Oryx e a Crake como os criadores das coisas no estado actual. E, no fundo, foram-no. Crake, principalmente, fez-me reflectir sobre a linha ténue que separa o génio do louco e no quanto almejamos a ser perfeitos, a querermos que tudo seja ideal: sem guerras, sem doenças, sem tiranias, sem classes sociais, sem sofrimentos. E como essa procura pela perfeição pode atingir contornos bastante perigosos.

Este livro foi, talvez, o que mais me surpreendeu este ano, pela positiva. A escrita é algo densa, não no sentido de que seja complicado perceber a história, mas porque tem muitos pormenores descritivos daquele estilo de vida, e por causa da terminologia própria ligada às experiências científicas e também de algumas coisas próprias daquele tempo e espaço. Mas lê-se muito bem. A escrita de Atwood é fluída, prende o leitor, é inteligente e com umas pitadas de humor negro aqui e ali.

Só posso dizer que adorei este livro, e que foi um dos melhores que li este ano. Talvez estes livros sejam os que nos dão mais prazer ler: aqueles sobre os quais não temos qualquer expectativa e depois conseguem surpreender-nos com a sua qualidade.

6/6 - Excelente