18 de março de 2013

A Senhora da Magia - Opinião


Título: A Senhora da Magia (As Brumas de Avalon #1)
Autor: Marion Zimmer Bradley
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 304
Sinopse:
"Morgaine é ainda uma criança quando testemunha a ascensão de Uther Pendragon ao trono de Camelot. Uther deseja Igraine, a mãe de Morgaine, presa a um casamento infeliz com Gorlois. Mas há forças maiores que estão em curso e que se preparam para mudar as suas vidas para sempre. Através da sua sacerdotisa Viviane, Avalon conspira para unir Uther a Igraine e dessa aliança nascerá Arthur, a criança que salvará as Ilhas. 

Morgaine, dotada com a Visão, é levada por Viviane para Avalon onde irá receber treino como sacerdotisa da Deusa Mãe. É então que assiste ao despertar das tensões entre o velho mundo pagão e a nova religião cristã. O que Morgaine desconhece é que o destino irá armar-lhe uma cilada e pô-la, de novo, no caminho do meio-irmão Arthur da forma que menos espera..."

Opinião:

Durante algum tempo tentei manter-me afastada de tudo o que fossem abordagens modernas à lenda arturiana, por causa da minha tese, para não me confundir nem influenciar em nada. Mas como as coisas parecem estar na recta final, decidi lançar-me a esta série da Marion Zimmer Bradley, As Brumas de Avalon

Este primeiro livro, A Senhora da Magia, começa com eventos anteriores ao nascimento de Artur. Começamos com Igraine, sua mãe, nos primeiros anos de casamento com Gorlois, Duque da Cornualha, e a sua vivência com a filha, Morgaine, e com a irmã, Morgause. Depois assistimos à ascensão de Uther ao trono da Bretanha, ao nascimento de Artur e a tudo o que se lhe segue (vá, que é para não começar para aqui a spoilar as pessoas...).

Penso que a principal novidade na abordagem desta lenda, por parte da autora, é o foco nas mulheres. As mulheres são as protagonistas, a ênfase está na importância do feminino em toda a vida de Artur: as mães, as sacerdotisas, a Deusa, o Sagrado Feminino. Sem isto, Artur não seria nada. E entre estas mulheres, Morgaine tem o destaque principal. Gostei imenso desta personagem. Desde a sua personalidade, ao mesmo tempo submissa e questionadora (até um pouco rebelde, mais para o fim), até aos ensinamentos que recebe em Avalon, passando por todos os desafios que enfrenta, Morgaine é uma mulher que se forma, neste livro, para, penso eu, se afirmar nos próximos livros como mulher forte e magnífica, representante da cultura e religião que parece estar a desaparecer no território britânico.

Outra coisa que adorei, foi a presença das tensões entre a religão cristã e as velhas crenças pagãs, de raíz celta. Com a cristianização do território, a religião celta começou a ser apagada da cultura e sociedade britânica e isso é muito bem demonstrado neste livro. Avalon será, talvez, o último reduto da velha fé, a mesma fé que vai levar Artur a ser um dos maiores reis daquela terra.

Entre tensões políticas e religiosas, temos todo aquele mundo místico ligado a Avalon e à sabedoria antiga, carregada por parte das sacerdotisas e dos druidas. Foi, em grande parte, isso que me fascinou. Todas as crenças, os rituais, os feitiços, o modo de vida, as visões que elas têm de mundos que passaram e de mundos que hão de vir... para mim, tudo isso é fascinante e transporta-nos, realmente, para aquele tempo. Para a convivência harmoniosa com a natureza e com tudo o que vive nela, para o buscarmos a verdade dentro de nós próprios, para os mistérios ligados aos celtas e para a importância da Deusa num mundo governado por homens.

Penso que não houve nada que eu não tenha gostado, neste livro. Gostei da época em que se conta a história, gostei da narrativa e da escrita da autora, gostei dos detalhes históricos em relação à instabilidade política daquela época e às tensões religiosas, gostei do foco nas mulheres e de toda aquela aura mística. Quanto às personagens, adorei Morgaine, gostei de Artur (mas como não apareceu muitas vezes, também não me posso pronunciar muito), gostei da sabedoria de Merlin e Vivien conseguiu arrancar-me sentimentos mistos, devido a alguns acontecimentos. No início gostei de Igraine, mas à medida que a história foi avançando comecei a desgostar dela, pelas suas atitudes e indiferença ao que se passava à volta dela. Quanto a Morgause, estou curiosa para ver o que aí vem...

Ai, nunca mais me calo com isto! Olhem, adorei o livro, é completamente a minha praia, está muito bem escrito, nota-se que foi feita uma pesquisa minuciosa quanto ao período descrito e aconselho a quem gosta das lendas arturianas!

5/6 - Muito Bom 

(Esta leitura conta para os desafios Monthly Keyword Challenge 2013 e para o Mount TBR Reading Challenge 2013)

17 de março de 2013

Divulgação: Projecto Adamastor


A semana passada foi algo conturbada, por isso este post ficou por escrever, porque me esqueci dele... Mas como mais vale tarde do que nunca, fica aqui o post dedicado ao Projecto Adamastor, uma biblioteca digital de obras em língua portuguesa, de domínio público, e que está disponível de forma gratuita, em formato EPUB. Este é o texto de apresentação do projecto:


O mercado do livro digital, que nos últimos anos tem vindo a crescer significativamente no estrangeiro, começa agora a desenvolver-se no nosso país, beneficiando da descida de preço dos eReaders e da proliferação dos smartphones e tablets. No entanto, estratégias editoriais à parte, tal desenvolvimento está limitado pela insuficiente oferta de títulos em português, num formato apropriado para leitura nesses dispositivos electrónicos.
Neste sentido, o Projecto Adamastor tem como principal objectivo atenuar essa escassez através da criação de uma biblioteca digital de obras literárias em domínio público, obras essas que serão disponibilizadas de forma gratuita e em formato EPUB, sem qualquer tipo de restrição.
Tal não significa que o projecto se resuma à mera conversão de textos disponíveis online, bem pelo contrário: os colaboradores do Projecto Adamastor procuram acrescentar valor através de uma revisão cuidada de cada obra, de modo a minimizar o número de erros e a atingir uma versão fiel ao original, actualizada de acordo com a ortografia vigente. Tudo isto acompanhado por um design atractivo.
Uma iniciativa desta natureza depende de trabalho voluntário, pelo que se estiverem interessados em colaborar podem entrar em contacto connosco através do email geral@projectoadamastor.org, ou do formulário de contacto.

12 de março de 2013

The Iron Duke - Opinião

Título: The Iron Duke (Iron Seas #1)
Autor: Meljean Brook
Lido no Kobo
Sinopse
(do Goodreads):

"After the Iron Duke freed England from Horde control, he instantly became a national hero. Now Rhys Trahaearn has built a merchant empire on the power-and fear-of his name. And when a dead body is dropped from an airship onto his doorstep, bringing Detective Inspector Mina Wentworth into his dangerous world, he intends to make her his next possession.

But when Mina uncovers the victim's identity, she stumbles upon a conspiracy that threatens the lives of everyone in England. To save them, Mina and Rhys must race across zombie-infested wastelands and treacherous oceans - and Mina discovers the danger is not only to her countrymen, as she finds herself tempted to give up everything to the Iron Duke."


Opinião:

Eu tentei... A sério que tentei. Mas não consegui! O que se faz quando se chega quase a metade do livro e não nos conseguimos enquadrar no ambiente, na história, não conseguimos sentir empatia com as personagens? Eu costumo desistir. E foi o que fiz, porque acho que não vale a pena estar a insistir em algo que não estamos a gostar, ou a que estamos completamente indiferentes. Mas vamos por partes.

The Iron Duke foi o primeiro livro do género Steampunk que li (ou tentei ler). Para quem não sabe o que é Steampunk, aqui está uma pequena definição que podem encontrar na Wikipedia

No início do livro conhecemos a personagem principal desta história, Mina Wentworth, que é inspectora e vê-se a braços com um homicídio de contornos misteriosos em casa do dito Iron Duke, Rhys Trahaearn. Rhys é quase uma espécie de salvador da pátria, em Inglaterra, uma vez que livrou os ingleses do controlo da Horde, que governaram o território durante duzentos anos. Contudo, essa revolução ainda é demasiado recente e os ingleses continuam a viver sob um clima de suspeição e de algum medo. A história desenrola-se, então, tendo Mina e Rhys como personagens principais que tentam resolver o puzzle que é esse homicídio: ela, por um lado, quer prender e levar à justiça o criminoso; ele, por outro, quer fazer justiça pelas próprias mãos.

Toda a história se desenrola tendo como cenário uma época vitoriana altamente industrializada, povoada de avanços tecnológicos que, no espaço real, não existiram. Alguns são interessantes e dão à história um mundo alternativo no qual a narrativa se encaixa. Porém, não me consegui habituar. Talvez porque tenha sentido que caí naquela história um pouco de pára-quedas, em que só nos são explicadas as coisas à medida que a narrativa vai avançando, numa qualquer situação em que, por acaso, até faz sentido que se explique algum pormenor. Temos que ir lendo para que algumas coisas façam sentido para nós, e isso fez-me um bocado de confusão e acabava por me distrair, porque não percebia. Não quer dizer que o mundo esteja mal construído, eu é que achei demais para alguém que lê pela primeira vez um livro deste género e não está habituada.

Depois, também tive um problema com as personagens, uma vez que não me consegui identificar com nenhuma delas, nem sentir empatia por elas. Rhys, o Iron Duke, é um homem com um passado duvidoso, tendo sido pirata, embora levado a herói nacional por ter libertado a Inglaterra do controlo da Horde. Apesar disso, é misterioso, sedutor, poderoso e obtém sempre aquilo que quer. Mina é uma detective que ainda luta pelo seu espaço naquele mundo, uma vez que tem traços asiáticos, relembrando o resto da população da presença da Horde, objecto de desejo pelo Duque, mas que o nega o mais possível. É uma mulher forte, com valores, que acredita no seu trabalho e que se impõe. Ou, pelo menos, tenta. Porém, achei um bocado forçada aquela panca imediata do Rhys pela Mina, que assim que a viu quis logo ir para a cama com ela. Ela faz o seu papel de "c'horror! não quero nada com este homem, credo! mas até é alto... e forte.. e musculado.. ai, não sei! ele matou pessoas!" Eu não tenho um problema com os romances, atenção. Mas neste caso achei aquela fixação dele precoce demais, na história, para além de ele me parecer um bocado bronco e distante. Achei também que nem sempre os motivos e as emoções das personagens são explicadas, e isso fez com que eu não sentisse grande ligação com elas.

A parte da investigação quanto ao tal homicídio até estava a gostar, porque eu gosto sempre quando há um crime, que ninguém sabe porque é que aconteceu, e quem foi, e quem é o morto, só que as outras coisas que acabei por não achar assim tão interessantes desviaram a minha atenção deste enredo. Cheguei a pegar no livro e ter que voltar atrás, porque não me lembrava de quase nada do que tinha acontecido antes. Se calhar não devia ter começado por este livro, quando me aventurei no steampunk. Foi informação a mais que não é explicada logo no início, a falta de empatia para com as personagens, ser um mundo completamente novo ao que estou habituada e, ainda por cima, estar a ler o primeiro livro d'As Brumas de Avalon ao mesmo tempo, que estou a gostar imenso, num mundo que me é completamente familiar e que adoro. Talvez não tenha sido, também, a melhor altura para o ler. Olhem, não sei... O que sei é que não vou desistir deste género, para já, e vou tentar ler outros livros Steampunk que possam ser mais fáceis para eu conseguir entrar no espírito da coisa.

1/6 - Não Terminei

11 de março de 2013

Só Ler Não Basta - Episódio 3.1 "Leituras de Março"


E aqui está mais um Só Ler Não Basta! Desta vez, com as leituras interessantes do mês de Março. Enjoy!



Artigos Interessantes:

Artigo da Diana - How to Dump a Reading Slump
Artigo da Telma - 10 Fictional Characters Based on Real People
Artigo da Carla - Fantasy is Hardly an Escape From Reality

Leituras da Carla:

Possession - A. S. Byatt

Leituras da Telma:

Rebecca - Daphne du Maurier

Leituras da Diana:

A Senhora da Magia - Marion Zimmer Bradley
The Iron Duke - Meljean Brook

5 de março de 2013

Outras Leituras


Aqui estão as minhas leituras interessantes do mês de Fevereiro.

What's Reading For? - Um texto sobre o propósito da leitura. Porque lemos? Para nos abstrairmos da realidade? Para aprendermos outras coisas? Para "viajarmos"? Nas palavras da autora deste texto, "My attitude towards reading is entirely Epicurean — reading is pleasure and I pursue it purely because I like it."

What is a Book Snob? - Acho que em certas alturas todos nós já fomos, ou somos, um pouco snobs no que toca a leituras. Quem nunca olhou de lado alguém só porque essa pessoa está a ler um livro de que não gostamos e, vai daí, a considerarmos inferior por causa disso? Ah pois é... toca a todos.

Susan Cain: The Power of the Introverts - A propósito do seu livro Quiet: The Power of Introverts in a World that can't stop talking, Susan Cain fala, precisamente, dos introvertidos. Daquilo que eles podem trazer a este mundo cada vez mais espalhafatoso e competitivo, dos seus talentos e que a introversão não deve ser algo visto como mau ou de que tenhamos que ter vergonha. Vejam! É um vídeo super interessante.

The 10 Sexiest Books of All Time - E eu que não viesse com listas... Desta vez, a propósito do 110º aniversário de Anaïs Nin, aqui ficam 10 livros essenciais dentro do género da literatura erótica.

2 de março de 2013

Aquisições de Fevereiro

Quase que me esquecia de vos mostrar os livros que vieram cá parar a casa, em Fevereiro! Digamos que foi um mês recheado de aquisições e todas a custo zero. Ora vejamos:



Estes dois ganhei num passatempo promovido pelo blog Sombra dos Livros. Já queria ler O Evangelho do Enforcado há imenso tempo e quando fui ler a sinopse de A Odisseia dos Dez Mil, também fiquei curiosa. Não pensei duas vezes e participei. Sorte a minha, vieram para mim :D


Estes quatro foram uma espécie de 25 de Dezembro em Fevereiro. A Célia do blog Estante de Livros armou-se em Mãe Natal e resolveu dar uns quantos livros que, por algum motivo, já não queria a ocupar espaço nas suas estantes. Estes quatro vieram para mim: O Leque Secreto, de Lisa See; O Longo Inverno, de Ruta Sepetys; A Escriba, de António Garrido (ando para ler este livro desde que ele saiu!); e Qumrân - O Enigma dos Manuscritos do Mar Morto, de Eliette Abécassis. Obrigado!


Finalmente, veio este. Era para ter sido prenda de Natal dos meus pais, mas o senhor do Círculo de Leitores decidiu atrasar-se dois meses e só agora chegou este último do José Luís Peixoto, Dentro do Segredo. Quero imenso ler este, já que ele é um dos meus autores preferidos e o tema também me parece pertinente.

Como podem ver, Fevereiro foi um mês bem bom quanto a aquisições. E, com algum jeito e criatividade, lá os consegui arrumar. Mas já não tenho mais espaço... *leva as mãos à cabeça em pânico*

26 de fevereiro de 2013

The Two Towers - Opinião


Título: The Two Towers (The Lord of the Rings #2)
Autor: J. R. R. Tolkien
Editora: Harper Collins
Páginas: 439
Sinopse:
"The Company of the Ring is sundered. Frodo and Sam continue their journey alone down the great River Anduin - alone that is, save for a mysterious creeping figure that follows wherever they go.
Thus continues the classic tale begun in The Fellowship of the Ring, which reaches its awesome climax in The Return of the King."

Opinião:

Neste The Two Towers a narrativa começa exactamente no ponto onde o primeiro volume terminou. Deste modo, a narrativa começa com a separação da Irmandade do Anel e, a partir daí, seguimos um dos grupos durante a maior parte do livro, sem saber o que aconteceu aos restantes. Vamos, então, na companhia de Aragorn, Legolas e Gimli na sua jornada para encontrarem Merry e Pippin que foram levados por Orcs e Uruk-hais. Quanto a Frodo e Sam, esses partiram em direcção a Mordor, na tentativa de lá destruírem o Anel.

Em comparação com o primeiro volume, este tem muito mais acção. À medida que todos se deslocam para sul, em direcção a Mordor, os perigos vão sendo maiores, a escuridão adensa-se e todos começam a sentir o peso do poder maléfico de Sauron. Por isso há mais combates, batalhas, todos parecem estar sempre a fugir das criaturas inimigas que Saruman vai interpondo, para os impedir de chegar a Mordor e para capturar o Anel. Neste sentido, afastamo-nos cada vez mais das florestas belas dos elfos, da terra fértil, do ar puro e dos dias de sol, para tudo começar a ser mais negro: a terra é árida, as montanhas são negras, há poucos animais e os dias quase parecem noites. Quanto a isto, mil pontos a favor para a narrativa de Tolkien que parece escolher sempre as palavras certas (não fosse ele um linguista) para descrever o ambiente, a paisagem e o que se passa dentro de cada personagem.

Uma das coisas que eu gostei foi, precisamente, deste clima cada vez mais soturno, mais negro e opressivo à medida que todos caminham para os seus destinos. A história torna-se mais complexa, os desafios são maiores e mais perigosos, as próprias personagens ressentem-se de tudo isto e foi disso que gostei. Há mais acção e o tom é mais negro, quando comparado com o primeiro volume.

Quanto às personagens, continuo a gostar de todas, embora Merry e Pippin continuem a ser irritantes pelos sarilhos em que se metem a eles e aos outros todos. Contudo, parece sempre que se conseguem desenvencilhar, apesar de todas as parvoíces. Gostei de conhecer os Ents e do que fizeram em Isengard. Aliás, gostei de toda essa parte. Quanto a Frodo e Sam é comovente ver a lealdade e amizade que Sam nutre por Frodo (bromance?), tendo uma constante preocupação para com o seu "Master", que vai sentindo o seu fardo cada vez mais pesado. O caminho de ambos é cada vez mais perigoso, à medida que entram na terra onde todo o mal está instalado. Gostei, também, do percurso destes dois e estou curiosa para ver o que se segue, uma vez que o final do livro deixou tudo, mas TUDO em aberto.

5/6 - Muito Bom

(Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge)