Título: A Senhora da Magia (As Brumas de Avalon #1)
Autor: Marion Zimmer Bradley
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 304
Sinopse:
"Morgaine é ainda uma criança quando testemunha a ascensão de Uther Pendragon ao trono de Camelot. Uther deseja Igraine, a mãe de Morgaine, presa a um casamento infeliz com Gorlois. Mas há forças maiores que estão em curso e que se preparam para mudar as suas vidas para sempre. Através da sua sacerdotisa Viviane, Avalon conspira para unir Uther a Igraine e dessa aliança nascerá Arthur, a criança que salvará as Ilhas.
Morgaine, dotada com a Visão, é levada por Viviane para Avalon onde irá receber treino como sacerdotisa da Deusa Mãe. É então que assiste ao despertar das tensões entre o velho mundo pagão e a nova religião cristã. O que Morgaine desconhece é que o destino irá armar-lhe uma cilada e pô-la, de novo, no caminho do meio-irmão Arthur da forma que menos espera..."
Opinião:
Durante algum tempo tentei manter-me afastada de tudo o que fossem abordagens modernas à lenda arturiana, por causa da minha tese, para não me confundir nem influenciar em nada. Mas como as coisas parecem estar na recta final, decidi lançar-me a esta série da Marion Zimmer Bradley, As Brumas de Avalon.
Este primeiro livro, A Senhora da Magia, começa com eventos anteriores ao nascimento de Artur. Começamos com Igraine, sua mãe, nos primeiros anos de casamento com Gorlois, Duque da Cornualha, e a sua vivência com a filha, Morgaine, e com a irmã, Morgause. Depois assistimos à ascensão de Uther ao trono da Bretanha, ao nascimento de Artur e a tudo o que se lhe segue (vá, que é para não começar para aqui a spoilar as pessoas...).
Penso que a principal novidade na abordagem desta lenda, por parte da autora, é o foco nas mulheres. As mulheres são as protagonistas, a ênfase está na importância do feminino em toda a vida de Artur: as mães, as sacerdotisas, a Deusa, o Sagrado Feminino. Sem isto, Artur não seria nada. E entre estas mulheres, Morgaine tem o destaque principal. Gostei imenso desta personagem. Desde a sua personalidade, ao mesmo tempo submissa e questionadora (até um pouco rebelde, mais para o fim), até aos ensinamentos que recebe em Avalon, passando por todos os desafios que enfrenta, Morgaine é uma mulher que se forma, neste livro, para, penso eu, se afirmar nos próximos livros como mulher forte e magnífica, representante da cultura e religião que parece estar a desaparecer no território britânico.
Outra coisa que adorei, foi a presença das tensões entre a religão cristã e as velhas crenças pagãs, de raíz celta. Com a cristianização do território, a religião celta começou a ser apagada da cultura e sociedade britânica e isso é muito bem demonstrado neste livro. Avalon será, talvez, o último reduto da velha fé, a mesma fé que vai levar Artur a ser um dos maiores reis daquela terra.
Entre tensões políticas e religiosas, temos todo aquele mundo místico ligado a Avalon e à sabedoria antiga, carregada por parte das sacerdotisas e dos druidas. Foi, em grande parte, isso que me fascinou. Todas as crenças, os rituais, os feitiços, o modo de vida, as visões que elas têm de mundos que passaram e de mundos que hão de vir... para mim, tudo isso é fascinante e transporta-nos, realmente, para aquele tempo. Para a convivência harmoniosa com a natureza e com tudo o que vive nela, para o buscarmos a verdade dentro de nós próprios, para os mistérios ligados aos celtas e para a importância da Deusa num mundo governado por homens.
Penso que não houve nada que eu não tenha gostado, neste livro. Gostei da época em que se conta a história, gostei da narrativa e da escrita da autora, gostei dos detalhes históricos em relação à instabilidade política daquela época e às tensões religiosas, gostei do foco nas mulheres e de toda aquela aura mística. Quanto às personagens, adorei Morgaine, gostei de Artur (mas como não apareceu muitas vezes, também não me posso pronunciar muito), gostei da sabedoria de Merlin e Vivien conseguiu arrancar-me sentimentos mistos, devido a alguns acontecimentos. No início gostei de Igraine, mas à medida que a história foi avançando comecei a desgostar dela, pelas suas atitudes e indiferença ao que se passava à volta dela. Quanto a Morgause, estou curiosa para ver o que aí vem...
Ai, nunca mais me calo com isto! Olhem, adorei o livro, é completamente a minha praia, está muito bem escrito, nota-se que foi feita uma pesquisa minuciosa quanto ao período descrito e aconselho a quem gosta das lendas arturianas!
5/6 - Muito Bom
(Esta leitura conta para os desafios Monthly Keyword Challenge 2013 e para o Mount TBR Reading Challenge 2013)
(Esta leitura conta para os desafios Monthly Keyword Challenge 2013 e para o Mount TBR Reading Challenge 2013)



