24 de abril de 2013

Conheces os teus hábitos de leitura?


Vi isto no blog da Tita que, por sua vez, viu no blog Páginas Encadernadas e que também acabei por ver no blog Este Meu Cantinho... Como achei engraçado, decidi participar e partilhar convosco as minhas respostas. Sei que o Dia Mundial do Livro foi ontem, mas nunca é tarde!

Hoje, Dia Mundial do Livro, tenho um desafio para vos lançar. Um pequeno questionário sobre os nossos hábitos de leitura para nos ficarmos a conhecer melhor! ;) Se tens blog usa estas perguntas e publica-as com as tuas respostas. Se não tens, porque não envias um mail aos teus conhecidos e esperas pelas suas respostas?

1. Gostas de comer/petiscar enquanto lês? Se sim, qual o teu petisco favorito?

Sinceramente, prefiro não estar a comer ou a beber enquanto leio. Primeiro, porque sou um bocado desastrada e corro o risco de sujar o livro. Segundo, porque adoro comer e se estiver a ler e a comer ao mesmo tempo, não me consigo concentrar no livro, por causa do sabor da comida :P

2. Qual é a tua bebida favorita para acompanhar uma leitura?

Gosto de beber chá.

3. Costumas sublinhar uma ou outra passagem enquanto lês um livro ou achas que escrever nos livros é uma ideia abominável? 

Quando são livros que estou a usar para a faculdade, seja de investigação ou livros para análise literária, sim, costumo sublinhar. Tenho vários livros sublinhados e com apontamentos nas margens. Haviam de ver a minha "The Wasteland" do T. S. Eliot....

4. Como marcas os livros quando interrompes a leitura? Tens um marcador especial ou usas o que tiveres à mão (ex. bilhete de autocarro, um papel dobrado, etc)? Ou dobras o canto da folha do livro?

Tenho sempre um marcador. Aliás, tenho vários marcadores e assim que começo a ler um livro atribuo-lhe logo um marcador. Mas dobrar os cantos das folhas: nunca!

5. Qual o teu género de eleição: ficção, não-ficção ou ambos?

Gosto de ambos, desde que tratem de assuntos pelos quais eu me interesse. Mas, de momento, ficção.

6. Gostas de ler até ao fim do capítulo ou interrompes a leitura em qualquer sítio?

Gosto de ler até ao fim do capítulo, mas às vezes tenho que interromper a leitura antes que o capítulo acabe. Isto acontece, principalmente, porque leio nos transportes públicos e não dá para dizer ao condutor do comboio "olhe, vá mais devagar para eu ter tempo de acabar este capítulo!"

7. És do tipo de pessoa que atira o livro de um lado ao outro da sala caso o autor te irrite? 

Hahaha! Às vezes vontade não falta! Mas meu rico livrinho... Seja qual for o motivo que me faça ter essa vontade, ela nunca acaba por ser concretizada.

8. Se encontras uma palavra que desconheces vais logo procurar o seu significado?

Não. Continuo a ler, tento perceber a palavra dentro daquele contexto, espero que ela apareça mais vezes para ver se realmente é aquilo que penso e, se não for, então aí vou ao dicionário. 

9. O que estás a ler presentemente? 

Estou a ler Romancing Mister Bridgerton, da Julia Quinn. Quarto livro da série Bridgertons.

10. Qual foi o último livro que compraste para oferecer?

Boa pergunta... *puxa pela cabeça* Foi no natal, ofereci o Chocolate da Joanne Harris, à minha mãe.

11. És do tipo de pessoa que só lê um livro de cada vez ou lês vários livros ao mesmo tempo?

A faculdade treinou o meu cérebro a ler mais do que uma coisa ao mesmo tempo. Por isso, sou capaz de estar a ler dois ou três livros ao mesmo tempo. E não, não misturo as histórias.

12. Tens um sítio favorito onde ler? E qual a melhor altura do dia?

Gosto de ler na minha cadeira de secretária ou, agora que está bom tempo, na minha varanda. Apesar de ser fechada, sempre dá para ver a rua, o céu, apanhar um solinho, sentir o vento quando tenho a janela aberta... Gosto :) Ler na cama é demasiado perigoso. Adormeço sempre, independentemente da altura do dia... Quanto à altura do dia, gosto de ler à tarde ou pela noite dentro.

13. Preferes séries ou histórias únicas? 

Para mim, desde que as histórias sejam boas, tanto faz. Mas ultimamente prefiro, ou sinto a necessidade, de histórias que se resolvam num único livro, que não se dispersem. Parece que, agora, sempre que me interesso por um livro ele é parte de uma saga. Já cansa... Já tenho algumas séries começadas, inacabadas, outras que tenho aqui por ler... Bem, é melhor não ir por aí. Neste momento, procuro histórias que comecem, se desenvolvam e acabem num livro só.

14. Tens algum livro ou autor específico que dês por ti a recomendar vezes sem conta?

Depende do gosto das pessoas, não vou recomendar autores ou livros de fantasia a quem não gosta do género, por exemplo. Mas alguns livros que costumo recomendar são, claro, aqueles de que mais gosto: Jane Eyre, da Charlotte Brontë, A Sombra do Vento, de Carlos Ruiz Zafón, os livros do George R. R. Martin, da Julia Quinn (sim, sou uma convertida), Memoirs of a Geisha, do Arthur Golden, O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, as obras do Shakespeare, and so on, and so on...

15. Como organizas a tua biblioteca? Por género, por título, pelo nome do autor ou pela editora?

Neste momento organizo a minha biblioteca de acordo com o espaço que tenho, que é praticamente nenhum :P Mas, de qualquer maneira, mesmo estando aqui algo amontoados, os livros que são de um mesmo autor, estão todos juntos.

23 de abril de 2013

Top Ten Tuesday - 10 livros que excederam ou defraudaram as minhas expectativas


Há algum tempo que andava com saudades de uma rubrica semanal e já tinha esta debaixo de olho. Como adoro listas, pensei que era altura de me juntar a tantos outros blogs que incluem esta rubrica nos seus blogs. A cada semana o TOP 10 será diferente, por isso teremos listinhas diferentes todas as semanas :) 

O objectivo desta semana é fazer um Top 10 de livros que esperava gostar mais do que realmente gostei, e livros que gostei mais do que estava à espera. Vou dividir isto em dois, e seleccionar 5 livros para cada. Aqui vão:

Livros que pensei gostar mais do que gostei

Gone Girl, de Gillian Flynn

Esta leitura é bastante recente. Enquanto a história tem vários "twists", que fazem da nossa leitura uma leitura compulsiva, o facto é que o final desiludiu-me. Gostei do livro, em geral, a construção das personagens e o rumo que toma é muito bom, mas depois o final... soube-me a pouco. Achei fraco.

Persuasion, de Jane Austen

Li o Pride and Prejudice duas vezes. E, apesar de não ser fã de Austen, achei uma leitura agradável e quis experimentar o Persuasion, pensando que seria algo ao mesmo nível. Mas, por algum motivo, não me cativou por aí além, achei a escrita aborrecida, porque ela usa muito o discurso indirecto, e não consegui criar ligação emocional com nenhuma das personagens. Foi daqueles livros que queria ter gostado, mas... não.

The Rose Labirynth, de Titania Hardie

Este livro tinha uma premissa muito boa, um início super intrigante, um mistério que começa no século XVII e se prolonga para o século XX e depois... meh. É um daqueles livros que parece prometer muito, mas depois acabei por me desiludir porque pensei que a história era mais complexa e que iria buscar mais elementos que surgiram no início, que eram muito interessantes.

O Autenticador, de William M. Valtos

Tinha muitas expectativas para este, mas, mais uma vez, vi-me defraudada. Muitas partes paradas, muita dispersão do que interessava para a história, muita coisa tipo manual de psicologia, algo que não é, de todo, o que eu procuro num livro de ficção.

Wuthering Heights, de Emily Brontë

Comecei com um livro muito recente e acabo com um clássico. Li este livro no âmbito de uma leitura conjunta e não consegui, de maneira nenhuma, gostar dele. Encaixa-se num movimento literário que adoro, tem aspectos que adoro num livro, mas aquelas personagens... Argh!! Desculpem-me, espero não estar a ofender ninguém, mas são detestáveis. Não me consegui ligar, de maneira nenhuma àquela história.

Livros que gostei mais do que pensava que ia gostar

Jane Eyre, de Charlotte Brontë

E aqui temos uma sister competition! Este livro foi-me "impingido" como leitura obrigatória no primeiro ano da faculdade. Não estava habituada a ler em inglês e normalmente leio estes livros "obrigatórios" contrariada. Mas eis que se acendeu uma luzinha na minha cabeça e devorei o livro, tornando-se, talvez, o meu livro preferido de todos os tempos! Já o reli mais umas duas vezes e de cada vez que leio gosto mais dele.

O Décimo Terceiro Conto, de Diane Setterfield

Este livro foi-me concedido pela editora para escrever uma opinião sobre ele. Não tinha expectativas nenhumas e, no final, acabei por adorar a leitura. Todo um tom misterioso, evocativo do século XIX e é sobre livros. Gostei imenso e foi uma verdadeira surpresa para mim.

As Serviçais, de Kathryn Stockett

Oh. Meu. Deus. Mas é preciso dizer alguma coisa sobre este livro? Também não tinha expectativas quanto a esta leitura e foi um verdadeiro gosto ler este livro. É impossível esquecer Aibileen, Minny e Skeeter. Impossível. E cada vez que me lembro desta história, fico com um sorriso na cara. vejam também o filme! Está muito bem adaptado.

The Phantom of the Opera, de Gaston Leroux

Um clássico. Já tinha visto o filme e, por isso, já tinha uma ideia do que o livro me iria trazer. Mas foi muito mais. Toda a história do Fantasma, da própria Ópera de Paris, das coisas estranhas que lá acontecem e aquele final. Oh meu Deus, aquele final... É de se partir o coração. E, no entanto, não podia ser de outra maneira. Tão bom!

Oryx and Crake, de Margaret Atwood

Este então é que eu não tinha mesmo noção nenhuma do onde é que me estava a meter. Li-o para a Temporada de Ficção Pós-Apocalíptica, um género que, ainda por cima, era novo para mim. Li este livro e foi tão bom, tão cheio de sumo, tão intrigante que posso dizer que foi um dos meus livros favoritos do ano passado e, possivelmente, um dos meus favoritos de sempre também. Não posso deixar de aconselhar, é um óptimo livro de ficção científica, com uma história com as suas complexidades mas que está tão bem escrito que nem damos por elas. Margaret Atwood escreve muito bem e a história é fantástica.

O Top Ten Tuesday é uma rubrica semanal do blog The Broke and the Bookish

20 de abril de 2013

An Offer From a Gentleman - Opinião


Título: An Offer From a Gentleman (Bridgertons #3)
Autor: Julia Quinn
Lido no Kobo
Sinopse (do Goodreads):
"Sophie Beckett never dreamed she'd be able to sneak into Lady Bridgerton's famed masquerade ball -- or that "Prince Charming" would be waiting there for her! Though the daughter of an earl, Sophie has been relegated to the role of servant by her disdainful stepmother. But now, spinning in the strong arms of the debonair and devastatingly handsome Benedict Bridgerton, she feels like royalty. Alas, she knows all enchantments must end when the clock strikes midnight. 

Who was that extraordinary woman?

Ever since that magical night, a radiant vision in silver has blinded Benedict to the attractions of any other -- except, perhaps, this alluring and oddly familiar beauty dressed in housemaid's garb whom he feels compelled to rescue from a most disagreeable situation. He has sworn to find and wed his mystery miss, but this breathtaking maid makes him weak with wanting her. Yet, if he offers her his heart, will Benedict sacrifice his only chance for a fairy tale love?"

Opinião:

Depois de ter lido um livro tão intenso como o Gone Girl, tinha que ler qualquer coisa mais leve e que restaurasse a minha fé nas pessoas e no amor. E que maneira melhor de o fazer, do que ler um livro da Julia Quinn? Foi assim que voltei à saga da família Bridgerton, com este An Offer From a Gentleman

O início do livro tem uma forte ligação com o conto de fadas da Cinderela. Aliás, o início do livro É a história da Cinderela. Isso, ao início, deixou-me um pouco de pé atrás, porque não estava à espera de um recontar deste conto num livro da Julia Quinn, mas depois percebi que a história leva um rumo diferente e que o início do livro adquire uma atmosfera meio mágica e lança o mote para o início atribulado da relação entre as duas personagens principais: Benedict Bridgerton e Sophie Beckett. Ambos conhecem-se num baile de máscaras e apaixonam-se um pelo outro, pois está claro. Mas enquanto ela sabe quem Benedict é (quem não reconhece um Bridgerton?), a identidade dela permanece um mistério para ele, ficando sempre na memória como a Lady in silver. Tal como na Cinderela, no fim do baile ela desaparece e volta à sua vida de empregada em casa da madrasta e das suas duas filhas.

Sophie é uma rapariga que enfrenta dificuldades desde o início da sua vida, por ser filha bastarda de um conde e por passar a empregada da madrasta que a odeia com todas as forças do seu ser. Mas é quando ela se volta a encontrar com Benedict que a história volta a ganhar fôlego. E que fôlego! Benedict é um homem confiante, galante, sedutor e que consegue aquilo que quer através da sua persistência e teimosia. Por outro lado, Sophie tem um forte sentido de si mesma, tem uma mente própria e é forte por tudo aquilo que passa. Como são os dois de classes sociais diferentes, cada um tem uma visão da vida e de como as coisas devem ser, diferentes. E é isso que causa algum atrito entre eles e um "não podemos ficar juntos... mas anda cá, beija-me... mas não posso! vai-te embora... *assolapam-se contra uma parede*" E é esta dinâmica que é tão gira e que me faz voltar aos livros da Julia Quinn. 

Julia Quinn tem uma maneira fantástica de contar as suas histórias que nos faz querer entrar naquele mundo, no mundo da família Bridgerton, no início do século XIX. A escrita é bem-humorada, irónica, cheia de emoção, leve e sentimo-nos muito próximos de todas aquelas personagens. Com os seus livros conseguimo-nos rir, esboçar sorrisos aparvalhados, emocionarmo-nos, suspiramos e terminamos cada livro com um sorriso nos lábios. Parece que depois de lermos um livro dela sentimos que o equilíbrio voltou à nossa vida e podemos seguir em frente. Mais uma vez, adorei!

5/6 - Muito Bom

(Esta leitura conta para os desafios Mount TBR Reading Challenge e para o Monthly Key Word Challenge)

15 de abril de 2013

Só Ler Não Basta - Episódio 4.1 "Leituras de Abril"

E eis que chegámos às nossas leituras do mês de Abril. Aqui está o nosso vídeo!




Já sabem que queremos que participem na discussão do Gone Girl, no nosso grupo do Goodreads! Quem estiver a ler, quem já leu, quem ainda vai começar... Contem-nos o que acham, aqui - http://www.goodreads.com/group/show/88178-s-ler-n-o-basta

Artigos Interessantes:

Artigo da Diana - Fantasy, Reading and Escapism
Artigo da Carla - Amazon and Goodreads: One User's Response
Goodreads and Amazon, or where do I keep my book info without having it stolen by market monopolisers?
Artigo da Telma - The Great Stephen King Reread: Carrie


Leituras da Carla:

O Jardim dos Segredos - Kate Morton
A Rainha Suprema - Marion Zimmer Bradley

Leituras da Telma:

Gone Girl - Gillian Flynn
Beyond Shame - Kit Rocha

Leituras da Diana:

An Offer From a Gentleman - Julia Quinn

Podem ainda converter os nossos vídeos para formato em mp3, caso nos queiram só ouvir e não ver. Isto dá jeito para quem queira estar a ouvir os nossos episódios ao mesmo tempo que limpa a casa, lava a louça, passa a ferro...
Para isso, podem ir a este site: http://snipmp3.com/, colocarem o link do nosso vídeo do youtube e esperar... esperar... esperar... uma vez que os nossos vídeos são longos, a coisa é capaz de demorar um pouco, mas não desesperem! No fim, é só guardarem o ficheiro audio no local desejado, no vosso computador e voilá! É só ouvirem-nos :)

14 de abril de 2013

Gone Girl - Opinião


Título: Gone Girl
Autor: Gillian Flynn
Editora: Crown Publishers
Páginas: 560
Sinopse:
"On the morning of their fifth wedding anniversary, Nick's wife, Amy, has disappeared. Nick is weak, Nick is a liar, and maybe he's not the very best of husbands — but is he a killer? Amy's diary reveals turmoil over their marriage, strange sicknesses, and her deep wish to be a mother — but is she telling the whole story? As the evidence slowly mounts, and the police investigation deepens, Nick is incriminated in horrible ways. He swears he didn't murder his beautiful wife and goes on the offensive to clear his name. The mystery of Amy's disappearance only gets more tangled as secrets unfurl from the web of their knotty marriage, and it becomes clear that something may have happened more disturbing than death."

Opinião:

Primeiro, gostaria de dizer que tinha bastante expectativa em relação a este livro. Antes de todo o hype, antes do livro ganhar o prémio do Goodreads na categoria "Melhor Livro de Mistério e Thriller" do ano passado, assim que o livro saiu eu quis lê-lo, uma vez que li, há alguns anos, o Objectos Cortantes, também da Gillian Flynn, e adorei. E depois de todo o hype à volta dele, pensei que agora é que tinha mesmo de o ler, para tirar as minhas teimas.

A premissa deste livro é bastante simples: Nick e Amy estão casados, mas enfrentam uma crise marital, as coisas já não estão bem entre os dois há algum tempo. No dia do quinto aniversário de casamento de ambos, Amy desaparece misteriosamente e Nick, com o avançar das investigações policiais, acaba por se tornar no principal suspeito. A narrativa vai sendo alternada: ora temos o ponto de vista dele, à medida que os dias vão passando, depois do desaparecimento dela; ora temos o ponto de vista dela, sob a forma de um diário que começa no dia em que ambos se conhecem, cerca de sete anos antes destes acontecimentos. 

Na narrativa de Nick temos a visão dele do seu casamento, da sua vida, da investigação, todas as suas ideias, dúvidas, medos e reflexões sobre aquele momento tão particular que está a viver. Já o diário de Amy oferece-nos uma visão sobre ela própria, sobre o início da relação com Nick, o seu casamento, a mudança de ambos de Nova Iorque para o Missouri, depois de ficarem desempregados, e o que começa a descambar no casamento, aumentando a clivagem entre ambos. Nick surge como alguém que não se insere completamente na sociedade, Amy surge como a rapariga perfeita com quem todos se querem relacionar.

Foi da construção destas duas personagens e da relação entre ambos que gostei mais em todo o livro. Faz-nos questionar sobre as nossas próprias relações, sejam elas familiares, amorosas ou de amizade, sobre as falhas de comunicação que existem, sobre o facto de nunca conseguirmos chegar a conhecer realmente, profundamente, uma pessoa, sobre o factor surpresa naqueles que nos rodeiam. Penso mesmo que o centro deste livro são as relações que estabelecemos com os outros mas também sobre a relação que temos com nós próprios. Até que ponto estamos a mentir? Até que ponto isto ou aquilo é verdadeiro? Até onde é que conseguimos chegar quando queremos algo?

Porém, o que me desiludiu neste livro foi o seu final. Foi muito "meh", muito anticlimático... Depois de toda a história, do acumular de tanta tensão, o final desiludiu-me. E foi só por causa do final que tudo o resto acabou por me saber a pouco, porque pensei que a autora rematasse assim com um final mais digno do resto da história. Ainda assim, vale muito pelas personagens principais, por toda a investigação sobre o desaparecimento de Amy e pela escrita de Gillian Flynn, que toca em alguns pontos sensíveis e cuja escrita, por vezes, nos deixa desconfortáveis.

4/6 - Bom

2 de abril de 2013

Outras Leituras


E como é habitual, aqui estão os sites que encontrei e achei mais interessantes, durante o mês de Março.

What happens when you like books more than anything else in the whole world - Um artigo engraçado do Book Riot, sobre algumas das coisas que recusamos, atitudes que temos e respostas que damos quando preferimos a companhia de livros a tudo o resto. 

10 Books to read while you wait for "Game of Thrones" to come back - Bom, a verdade é que a terceira temporada de Game of Thrones já estreou nos Estados Unidos. Por cá, a estreia está a cargo do canal SyFy, dia 8. Mas como eu sou amiga, tomem lá mais livrinhos para aumentarem a vossa "wishlist". Se não for para ler enquanto esperam pela série, que seja para lerem enquanto esperam que o Martin escreva os restantes livros (hehehehe)

Monstrous Vintage Covers of Mary Shelley's "Frankenstein" - Dia 11 de Março de 1818 foi o dia em que foi publicado, pela primeira vez, a obra mais conhecida de Mary Shelley: Frankenstein. Para marcar a data, aqui estão algumas das capas da obra.

Blogs Literários e Parcerias: a Discussão - Vá, não me julguem já. Eu não sou contra as parcerias entre blogs e editoras, até porque eu também o fiz e correu tudo muito bem. Mas este texto fala dos blogs e parcerias que acabam por cair em exageros. É um bom texto para se reflectir.

20 Embarrassing Bad Book Covers for Classic Novels - É com cada uma mais descabida...

31 de março de 2013

A Rainha Suprema - Opinião


Título: A Rainha Suprema (As Brumas de Avalon #2)
Autor: Marion Zimmer Bradley
Editora: Difel
Páginas: 319
Sinopse:
"A Rainha Suprema é a belíssima Gwenhwyfar, que vive dividida entre a fidelidade que deve ao Rei Supremo, o rei Arthur, com quem se casou, e a enorme paixão que sente por Lancelet, cavaleiro invencível, capitão de cavalaria dos exércitos e o amigo mais íntimo do seu marido. E não sabe, Gwenhwyfar, se é o respeito pelo juramento que fez no dia do seu casamento ou o temor de pecar contra os mandamentos de Cristo - de quem é fervorosa seguidora - ou ambos, o que a impede de consumar por actos o que em pensamentos, não consegue evitar. É tão ardente o seu desejo de que Cristo triunfe na Terra que não hesitará em persuadir o rei Arthur a trair o juramento que fizera de lutar sob o estandarte real de Pendragon, tudo fazendo para que a decisiva batalha contra os saxões seja travada unicamente sob o estandarte da Cruz de Cristo, que ela mesma bordou. 

Mas maior do que a angústia de uma paixão impossível é o sofrimento em que vive, por não conseguir consumar o seu casamento oferecendo um filho ao rei. Nem os mistérios insondáveis de Deus são conforto suficiente para tanta dor e sofrimento. 
E é nesta angústia, ou, quem sabe, na secreta esperança de, sem pecar, poder consumar a sua paixão ardente dando à luz um herdeiro ao reino, que a bela Gwenhwyfar decide entregar-se nas mãos da Deusa. Mas, se são difíceis de compreender os caminhos de Deus, o que poderá acontecer quando se procura modificá-los com encantamentos e magias?"

Opinião

Neste A Rainha Suprema, seguimos a história que acabou no primeiro volume. Como não há um corte, as coisas acabam por fluir muito bem de um livro para o outro e continuamos a seguir as histórias de Morgaine, Gwenhwyfar, Artur e Lancelet. 

Continuam as tensões entre o mundo pagão e o mundo cristão, onde temos Gwenhwyfar como defensora máxima da Igreja: fanática, intolerante, demasiado pia para meu gosto, rejeitando completamente a religião da Deusa e Avalon, considerando-a coisa do diabo, tal como todos aqueles que a professam. Nunca pensei detestar tanto uma personagem como detestei neste livro. Cheguei a pensar, em algumas partes, "mas porque é que ela não se atira de uma ponte abaixo e morre?". É tão choninhas, passa a vida com medo de tudo, a chorar, a pensar que é uma pecadora e "oh meu deus, o que fiz para merecer isto, se eu rezo todos os dias" e epá... é irritante, é desgastante e eu só revirava os olhos. Acho que só detestei assim uma outra personagem: a Cathy, do Monte dos Vendavais.

Passando à frente, o que eu mais gostei no livro, à semelhança do anterior, foi dos cenários e personagens ligadas a Avalon. Ou seja: Morgain, Merlim, Viviane e Kevin, o harpista. São mais tolerantes, compreensivos, sábios e tudo o que diz respeito à antiga religião e a Avalon está sempre envolto num certo misticismo que sempre me atraiu, uma espécie de brumas, também.

Para além das tensões religiosas e dos vários debates que temos sobre elas, vemos o crescer do reinado de Artur, da sua corte, somos introduzidos a mais personagens que começam a fazer parte do seu círculo mais íntimo e que lutam a seu lado na guerra contra os invasores saxões. Nesta parte, senti falta das descrições bélicas, que costumam ser habituais em livros deste género. Porém, como toda a série é descrita sob o ponto de vista das mulheres, percebo que essa parte esteja ausente e vemos como as mulheres acabam por viver quando os seus homens partem para a guerra. E se no primeiro volume o destaque vai para Morgaine e Viviane, neste segundo livro o destaque é, sem dúvida, Gwenhwyfar. Parece que, tal como o Cristianismo se vai sobrepondo às religiões pagãs, também as personagens ligadas a Avalon vão passando para segundo plano. Porém, quando Morgaine entra em cena, sinto que ela se sobrepõe completamente a Gwen.

E aquele final?? Não, não vos vou contar como é o final, mas... não sei, pareceu-me um bocado "wtf?" De certa maneira, estava a pensar nisso, porque durante a história pensei várias vezes "olha, só faltava acontecer isto" e depois no fim acabou por acontecer. Mas é estranho, porque não estou a ver uma cena daquelas num mundo real e naquela época... Foi estranho.

Concluindo: gostei bastante deste livro, mas tinha adorado se não fosse pela Gwenhwyfar.

5/6 - Muito Bom

(Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge 2013)