18 de agosto de 2013

The Drowned World - Opinião

Título: The Drowned World
Autor: J. G. Ballard
Lido no Kobo
Sinopse:
"In the 21st century, fluctuations in solar radiation have caused the ice-caps to melt and the seas to rise. Global temperatures have climbed, and civilization has retreated to the Arctic and Antarctic circles. London is a city now inundated by a primeval swamp, to which an expedition travels to record the flora and fauna of this new Triassic Age.

This early novel by the author of CRASH and EMPIRE OF THE SUN is at once a fast paced narrative, a stunning evocation of a flooded, tropical London of the near future and a speculative foray into the workings of the unconscious mind."

Opinião:

Este ano está a ser marcado pelas várias desistências que têm assolado o meu ano de leituras. Além disso, este ano parece que o meu cérebro está esquisito e só encarreira com determinados livros. Este The Drowned World foi mais um deles. Tive que desistir praticamente a meio do livro porque não estava a atinar com a narrativa.

De forma resumida, este livro tem como cenário um ambiente meio pós-apocalíptico. Digo "meio" porque sabe-se que o mundo como o conhecemos actualmente, já não existe por causa das mudanças climáticas extremas que alteraram a geografia do planeta. As calotes polares derreteram, provocando uma subida drástica das águas, levando a que grande parte do planeta se encontre submerso (como é o caso da Europa e da América do Norte), sendo suplantadas por grandes lagos tropicais. Vai-nos sendo descrito o ambiente circundante e fala-se muito no período Triássico, em que as formas de vida dominantes eram as grandes plantas tropicais e os répteis.

A descrição do ambiente circundante é fantástica. É assustador ver cidades que estão parcialmente ou totalmente submersas e que agora mais parecem pântanos assombrados por tempos imemoriais. A cidade de Londres, por exemplo, tem um clima tropical e as suas águas fervem com a exposição solar, depois do meio-dia. As temperaturas são ferozes, a exposição solar é perigosa e os nascimentos humanos são raros. Ballard faz um trabalho muito bom ao descrever os edifícios abandonados, meio submersos, os animais que espreitam e as plantas que nascem nos locais mais inusitados e se apoderam deles. O cenário é desolador, estranho e quente. Às vezes parece que sentimos mesmo o calor... E isto transportou-me imediatamente para o Heart of Darkness, de Joseph Conrad, com as suas florestas do Congo.

Do que não gostei foi do ritmo lento e das personagens pouco desenvolvidas. Não acabei o livro, é certo, mas foi precisamente por isto que não acabei. A narrativa arrasta-se, quase que não acontece nada, parece que o autor está mais preocupado em descrever o espaço circundante do que propriamente preocupado com a história das personagens, neste caso o Dr. Kerans, o Dr. Bodkin e a Beatrice Dahl. Não se sabe muito sobre eles e parecem secundários. A personagem principal é mesmo este mundo submerso e, por isso, não há grande acção ou desenvolvimentos na narrativa.

Por isso achei chato e, apesar de querer ter acabado o livro, não o consegui fazer. Eu cheguei a adormecer a lê-lo... Estava com vontade de ler um livro de ficção científica e continuo com essa vontade. Mas talvez estivesse à espera de outra coisa, talvez não fosse a melhor altura para ler, ou talvez este livro não seja mesmo para mim.

1/6 - Não Terminei

14 de agosto de 2013

Só Ler Não Basta, Episódio 8.1 "Leituras de Agosto"

E eis que chegámos ao mês de Agosto e, com ele, veio mais um vídeo do Só Ler Não Basta. Nesta primeira parte, como já é hábito, falamos do que andamos a ler, partilhamos convosco os links interessantes e apresentamos o tema do mês e o convidado.



Artigos Interessantes:

Telma - How reading habits shape the publishing landscape and what authors and publishers can do to change it
Carla - The Kindle has turned me off paper books
Diana - What to do when you get bored with reading

Artigo extra: Paper No more: How a paper book addict turned to ebooks and never looked back

Leituras:

Telma - O Padrinho, de Mario Puzo
Carla - O Navegador da Passagem, de Deana Barroqueiro
Diana - Wolf Hall, de Hilary Mantel

Não se esqueçam de participar na discussão, no nosso grupo do Goodreads!

13 de agosto de 2013

Top Ten Tuesday - Top 10 Livros com um determinado cenário


O Top 10 desta semana diz-nos para reunir os 10 melhores livros, para nós, num determinado cenário. Sendo assim, vou eleger a Inglaterra, uma vez que adoro livros passados em Inglaterra, adoro a história desse país e há de ser a minha primeira viagem, quando conseguir dinheiro para tal!
Bom, mas vamos ao que interessa. Aqui vão os meus 10 livros favoritos passados em território inglês.

1. Harry Potter and the Philosopher's Stone - J. K. Rowling - Podia ter escolhido a saga inteira, que adoro. Mas resolvi escolher só o primeiro, porque a introdução ao mundo de Harry é fantástica e prendeu-me imediatamente. Sim, a história passa-se mais em Hogwarts do que em Londres, mas Londres e arredores é onde todos vivem e, por isso, acho que é válido.

2. Jane Eyre - Charlotte Brontë - Como não? Aqui vemos tanto as mansões como a natureza em bruto de Inglaterra. As descrições dos cenários são fantásticos, as personagens tipicamente inglesas e este é o meu livro preferido de sempre. Por isso, tinha que entrar.

3. The Lady Elizabeth - Alison Weir - Este livro fala sobre a rainha Isabel I de Inglaterra, desde a sua infância até se tornar rainha. Adorei o livro, fiquei a saber mais sobre a história desta mulher tão fascinante e, mais uma vez, andar a passear pelos corredores de palácios e mansões reais inglesas... Uma delícia!

4. Dissolution - C. J. Sansom - Este livro passa-se durante a dissolução dos mosteiros, aquando da reforma protestante em Ingalterra, no reinado de Henrique VIII. Para além disso, este livro leva-nos a Sussex, a um mosteiro onde ocorre um crime e Matthew Shardlake tem que o resolver. O que há para não gostar neste livro?

5. A Senhora da Magia - Marion Zimmer Bradley - Inglaterra, lendas arturianas, cultura celta, magia... Adorei este livro! 

6. The Pillars of the Earth - Ken Follet - apesar do priorado de Kingsbridge não existir, a história passa-se em Inglaterra, na Idade Média e tem como enfoque principal a construção de uma catedral. Gostei deste livro e achei um retrato fiel da Inglaterra nesse período.

7. The Picture of Dorian Gray - Oscar Wilde - Aqui temos o final do século XIX retratado por Oscar Wilde e a figura do homem "dandy" tão em voga na época. Este é um livro brilhante, que adorei.

8. Richard III - William Shakespeare - Faltava aqui o tio "Shakes", certo? Esta é uma peça que nos fala de ambição, de fome de poder e de fazer qualquer coisa para obter os nossos objectivos. Fala-nos do rei Ricardo III, da célebre história dos príncipes na Torre e da Batalha de Bosworth, onde morre. Gostei bastante desta peça. E, mais uma vez, aqui temos um pouco da história de Inglaterra, contada por um dos mestres da literatura inglesa.

9. O Segredo da Casa de Riverton - Kate Morton - Este foi o primeiro livro que li da autora e adorei. Temos aqui o retrato de duas Inglaterras: uma nos anos 20 do século XX e outra do final dos anos 90, do mesmo século. Um mistério que atravessa gerações e que nos leva a estes dois cenários tão diferentes, mas tão bem descritos, como é o caso dos anos 20.

10. Grave Goods - Ariana Franklin - Temos um mistério que se passa na abadia de Glastonbury, em que se descobre, supostamente, as ossadas do rei Artur e da rainha Guinevere. A história passa-se no reinado do rei Henrique II, no século XII, e temos, num mesmo livro: história, mistério, crime, humor, cultura celta... Adorei!

O Top Ten Tuesday é uma rubrica semanal da autoria do blog The Broke and the Bookish.

12 de agosto de 2013

Wolf Hall - Opinião

Título: Wolf Hall
Autor: Hilary Mantel
Editora: Civilização
Páginas: 658
Sinopse:
"Henrique VIII está no trono, mas não tem herdeiros. O cardeal Wolsey é o conselheiro do rei encarregue de obter o divórcio que o Papa recusa conceder. Neste ambiente de desconfiança e necessidade aparece Thomas Cromwell, primeiro como secretário de Wolsey, e depois como seu sucessor. Cromwell é um homem muito original: filho de um ferreiro bruto, é um génio da política, um subornador, um galanteador, um arrivista, um homem com uma habilidade incrível para manipular pessoas e aproveitar ocasiões. Implacável na procura dos seus próprios interesses, Cromwell é tão ambicioso nos seus objectivos políticos como nos seus objectivos pessoais. O seu plano de reformas é implementado perante um parlamento que apenas zela pelos seus interesses e um rei que flutua entre paixões românticas e fúrias brutais."

Opinião:

Penso que a história do reinado de Henrique VIII, das suas seis mulheres e as reformas que foram operadas durante esse período não são novidade para a ninguém. Figuras como o cardeal Wolsey, o cardeal Cranmer, Thomas More, Thomas Cromwell, a família Boleyn e Seymour também devem fazer soar campainhas nos cérebros de quem gosta e se interessa por este período, como é o meu caso. Este é um livro de ficção histórica que retrata o início desse período conturbado, de grandes mudanças, mas tendo como enfoque principal uma das figuras mais importantes e emblemáticas do reinado de Henrique VIII: Thomas Cromwell.

Cromwell veio de um meio muito humilde. Filho de um ferreiro violento, que quase o espanca até à morte, até chegar à corte do rei e ser o seu braço direito, neste livro traça-se o percurso de Thomas Cromwell desde a juventude até à sua ascensão dentro da corte real. Cromwell é uma das personalidades mais fascinantes e inteligentes que surgiu na época. Já quando estudei um pouco da história de Inglaterra na faculdade Cromwell e More foram das figuras que mais curiosidade suscitaram, da minha parte. 

Cromwell é inteligente, ambicioso, sabe onde se colocar, em que altura, e passa de um simples advogado a serviço do cardeal Wolsey, a um dos homens mais poderosos do reino de Inglaterra. Tudo isto num punhado de anos. Muitas foram as coisas que conseguiu conquistar e longe iam as suas influências. Não me vou prender com muitos detalhes, porque aquilo que conseguiu está em qualquer livro de história ou página da Wikipédia. Mas neste livro em particular vemo-lo a conseguir a anulação do casamento de Henrique e Catarina, para que ele se pudesse casar com Ana Bolena, provocando uma ruptura com a Igreja Católica por conta das doutrinas protestantes que começaram a aparecer, na altura. Vemo-lo nos meandros da corte com os seus espiões, Cromwell sabe sempre tudo o que acontece, quanto se gasta, quem tem o quê, que leis devem ser levadas ao Parlamento, como dar mais poder ao rei, como obter mais poder para si mesmo e beneficiar a sua casa e aqueles que lhe são próximos. Cromwell também era uma espécie de mecenas, que ajudava na educação dos sobrinhos, de rapazes que eram entregues pelos pais para poderem ter uma vida melhor, de outros que se ofereciam para ficar ao serviço da sua casa. E é assim que ele vai, também, passando os seus ensinamentos e criando uma espécie de família que cedo perdera, com a morte da mulher e das filhas.

Gostei imenso deste livro por retratar os bastidores da corte durante este período conturbado, por conhecer mais sobre Cromwell, que me fez ter a certeza que a sua foi das mentes mais brilhantes e interessantes do seu tempo. Adorei ter acesso à mente dele, de ter andado naqueles meandros onde todos conspiram, formam intrigas, querem ascender mais alto, querem cair nas graças do rei e acabar com aqueles que possam representar obstáculos à obtenção dos seus objectivos. Nota-se que a autora teve um exaustivo trabalho de investigação e que conseguiu traduzi-lo numa narrativa bastante coesa e interessante, para retratar um período tão fervilhante em mudanças. O livro termina pouco depois da execução de Thomas More que, tendo sido outra figura importante desta época, era o maior oponente das reformas de Cromwell.

Para quem gosta deste estilo de livros, recomendo bastante. Conseguimos ter uma ideia muito clara e realista de como as coisas se passavam, onde realmente se tomavam as grandes decisões, quem realmente detinha o poder e do que se fazia para o obter. Ressalvo apenas isto: numa época em que se editam tantos livros, já não há razão para haver erros de tradução e revisão. Este livro é um festival de vírgulas. É vírgulas onde faz sentido e onde não faz sentido. Outro pormenor, que não sei se vem da autora ou da tradutora, é o facto de que, no discurso indirecto, a referência a Cromwell é sempre feita através do pronome "ele". Até se pode ter estado a falar, num parágrafo inteiro, sobre o cozinheiro do palácio, e o "ele" do parágrafo a seguir já se referir a Cromwell. Nós é que temos de adivinhar... Isto distraiu-me algumas vezes, porque tinha de reler algumas partes para perceber de que "ele" se estava a falar. Enfim... 

Tirando estas pequenas distracções, que acabamos por nos habituar, este livro vale muito a pena ser lido, principalmente por quem gosta deste período, de ficção histórica e que goste de saber as maquinações que estão por detrás das grandes mudanças e decisões de Estado.

5/6 - Muito Bom

(Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge 2013)

8 de agosto de 2013

Ajudar com Livros

Tomei conhecimento desta iniciativa no blog Estante de Livros que, por sua vez, a viu no blogue Ler Por Aí... O que se trata, então, deste "Ajudar com Livros"? 

Bom, a Catarina é uma menina de 9 anos com Síndrome de Rett, uma doença degenerativa que a impede de andar. E, por isso, a família e os amigos têm desenvolvido alguns esforços no sentido de conseguirem angariar fundos para comprar uma carrinha que ajude à deslocação da Catarina e que seja adaptada às suas necessidades.

Foi assim que a Patrícia, do blog Ler Por Aí..., decidiu angariar livros que serão vendidos, rifados ou leiloados para, assim, juntar mais algum dinheiro em prol da angariação de fundos para a carrinha da Catarina. Podem saber mais sobre a história da Catarina aqui.

Eu estou pronta para ir aqui às minhas estantes e ver que livros posso doar (até para arranjar mais espaço nas minhas estantes!) para participar nesta causa. De que estão à espera? :)


5 de agosto de 2013

Só Ler Não Basta, Episódio 7.2 "Leituras de Verão"

Estamos com um bocadinho de atraso, mas aqui está o vídeo do Só Ler Não Basta sobre "Leituras de Verão"! A nossa querida Ângela, mais conhecida por Landslide do blog Tantos Livros Tão Pouco Tempo aceitou o nosso convite e participou da nossa conversa. Falou-se de listas de livros, demos sugestões de leituras, falámos de leituras de verão que nos marcaram, o que queremos ler nestas férias... Enfim. Não vos vou contar tudo, para vos fazer ver o vídeo hehehe!
Um pequeno aparte por causa do som: sim, há para ali interferências que não sabíamos de onde vinham (talvez do Outro Mundo!) e torna-se chato ouvir a conversa assim. Mas como não conseguimos fazer com que aquilo desaparecesse, olhem... sejam pacientes!

4 de agosto de 2013

Entrevista

Olá a todos!

Bom, desta feita venho com um post diferente. Há uns tempos fui convidada para dar uma entrevista para o blog da Rute Canhoto que podem ver aqui: http://rutecanhoto.blogspot.pt/
Respondi a algumas perguntas e, finalmente, podem ver as minhas respostas na rubrica Livros & Blogs, no dito blog. Foi uma experiência engraçada, porque nunca me tinham convidado para fazer algo dentro deste género e até gostei de participar. Vá, ide lá cuscar o que andei a dizer ;)