3 de fevereiro de 2010

Entre os Assassinatos - Opinião

Título: Entre os Assassinatos
Autor: Aravind Adiga
Editora: Editorial Presença
Colecção: Grandes Narrativas, nº 459
Páginas: 312
Sinopse:
"Este é o novo romance do autor de O Tigre Branco, o aplaudido Booker Prize de 2008. A obra desenvolve-se como um guia de viagem a uma cidade imaginária, Kittur, situada na costa sudoeste da Índia, a meio caminho entre Goa e Calecute, durante o período de sete anos que decorreu entre os assassinatos de Indira Gandhi e do seu filho Rajiv. São catorze histórias que se sobrepõem formando um mapa vivo da cidade, decorrendo cada uma em diferentes zonas de Kittur. Aravind Adiga retoma muitos dos temas presentes em O Tigre Branco, mas recorre agora a múltiplos narradores diferentes. Uma obra que o conduz à descoberta fascinante da Índia actual."

Opinião:

Entre os Assassinatos passa-se no período que compreende os assassinatos de duas figuras extremamente relevantes para a política indiana: Indira Ghandi e Rajiv Ghandi, em 1984 e 1991 respectivamente.
Assim, a história passa-se em Kittur, uma cidade imaginada pelo autor, mas cujo mapa é constituinte deste livro, logo no início, para termos uma noção da geografia do local. E se ao início julguei que fosse a história de uma personagem sobre a Índia, cedo percebi que este livro é um retrato deste país, pintado por pequenas histórias que são visões múltiplas sobre as pessoas, o estado das coisas, a cultura, a vida, do ponto de vista de várias personagens. Todas diferentes mas todas com uma coisa em comum: a insatisfação com o seu modo de vida. Seja por pertencerem a uma casta diferente, por ter uma religião que não é a maioritária, por não terem alternativa senão viver sob a alçada da corrupção ou da censura. Pelas acções das personagens podemos, também, aperceber-nos de outras coisas, como a importância das castas e da identidade religiosa das personagens em si mas também daquelas que se cruzam no seu caminho: muçulmanos, cristãos e hindus. Pode-se dizer que aqui há de tudo, e isso é prova da multiplicidade de identidades existente naquele país tão rico culturalmente mas que, culpa da qualidade governativa, tem também os seus "senãos". Antes do início de cada capítulo temos, também, uma pequena descrição do sítio onde a acção se passa, e passa-se sempre em sítios diferentes, de modo a conhecermos todos os cantos de Kittur, todas as pessoas, os cheiros, as cores vívidas dos saris, dos mercados, dos cartazes do cinema.

Na minha opinião este livro está muito bem conseguido. É uma descrição de uma Índia de há mais de 20 anos, das suas pessoas, dos seus modos de viver, das ruas, do seu funcionamento algo caótico, da sua organização. São várias visões sobre um mesmo mundo que, complementando-se, formam uma visão única sobre este país de que eu, pelo menos, sabia tão pouco. Vívido em descrições, em histórias interessantes, banais, de uma cultura diferente e, na minha opinião, pouco explorada na literatura.
Gostei bastante de ler este livro. Tem uma leitura fácil, que vai cativando aos poucos, que nos trabalha a imaginação com a descrição dos locais, com o apelo aos sentidos e que nos mostra uma visão da Índia muito particular mas que nos deixa com água na boca para saber mais.

4/6 - Bom

3 comentários:

Mariane disse...

Não faz muito meu estilo mas ficou ótima sua resenha sobre esse livro...

Bjinhus...

Kézia Lôbo disse...

GOstei da dica do livro..
A resenha ecritica esta bem esclarecedora...
XD

Diana disse...

Obrigado a ambas :)