29 de agosto de 2019

A Game of Thrones - Opinião

Título: A Game of Thrones (A Song of Ice and Fire, vol.1)
Autor: George R. R. Martin
Editora: Bantam Books
Páginas: 837
Sinopse:
"In a land where summers can last decades and winters a lifetime, trouble is brewing. The cold is returning, and in the frozen wastes of the north of Winterfell, sinister and supernatural forces are massing beyond the kingdom's protective Wall. At the center of the conflict lie the Starks of Winterfell, a family as harsh and unyielding as the land they were born to. Sweeping from a land of brutal cold to a distant summertime kingdom of epicurean plenty, here is a tale of lords and ladies, soldiers and sorcerers, assassins and bastards, who come together in a time of grim omens. Amid plots and counterplots, tragedy and betrayal, victory and terror, the fate of the Starks, their allies, and their enemies hangs perilously in the balance, as each endeavors to win that deadliest of conflicts: the game of thrones.

Opinião:

Depois de muito tempo com este livro, eis que acabei a releitura do primeiro volumeda saga As Crónicas de Gelo e Fogo! Como disse aqui, estou a reler os livros para o meu doutoramento e parece que voltar a partilhar as minhas leituras no blog e também no Instagram tem-me ajudado a ganhar novo fôlego. Antes de escrever esta opinião decidi ir ler o que escrevi sobre este primeiro volume quando o li pela primeira vez, em 2011 (aqui e aqui). 

É tão engraçado fazer estas retrospectivas e ver se o que sentimos agora se assemelha, ou não, ao que sentimos naquela altura. E, apesar de já saber o que ia acontecer na narrativa, não deixei de me sentir envolvida naquelas histórias e com aquelas personagens. Claro que a minha atenção era outra (agora académica) e, por isso, tive em atenção umas coisas mais do que outras, mas se há coisa que se mantém é a qualidade da prosa do autor. Martin conta uma história como ninguém: constrói um mundo rico e complexo, com muitas camadas que vão sendo deslindadas ao longo não só deste volume, mas ao longo de todos os livros, e penso que são estas camadas, esta densidade psicológica, geográfica e cultural que nos prendem enquanto leitores.

Voltei a adorar a forma como as personagens estão escritas e são apresentadas ao leitor, voltei a adorar Ned Stark, Jon Snow, Arya e Tyrion. E mesmo quando sabia que podia ler na diagonal algumas partes (convenhamos: eu ia à procura de coisas em específico e não tenho muito tempo!!), acabava por ficar a lê-las, por causa da prosa de Martin. Mesmo sabendo o que ia acontecer, há partes que são deliciosas de se ler e das quais, sinceramente, já não me lembrava com tanto pormenor. Vejo todas as personagens com saudade, até com alguma reverência pelos seus percursos, pelas suas evoluções e crescimento. 

Gostei muito de reler este primeiro livro e não posso deixar de o aconselhar a quem gosta de fantasia épica e que possa estar relutante em começar a ler. Leiam!

5/6 - Muito Bom


15 de agosto de 2019

A Vegetariana - Opinião

Título: A Vegetariana
Autor: Han Kang
Editora: D. Quixote
Páginas: 192
Sinopse:
"Ela era absolutamente normal. Não era bonita, mas também não era feia. Fazia as coisas sem entusiasmo de maior, mas também nunca reclamava. Deixava o marido viver a sua vida sem sobressaltos, como ele sempre gostara. Até ao dia em que teve um sonho terrível e decidiu tornar-se vegetariana. E esse seu ato de renúncia à carne - que, a princípio, ninguém aceitou ou compreendeu - acabou por desencadear reações extremadas da parte da sua família. Tão extremadas que mudaram radicalmente a vida a vários dos seus membros - o marido, o cunhado, a irmã e, claro, ela própria, que acabou internada numa instituição para doentes mentais. A violência do sonho aliada à violência do real só tornou as coisas piores; e então, além de querer ser vegetariana, ela quis ser puramente vegetal e transformar-se numa árvore. Talvez uma árvore sofra menos do que um ser humano."

Opinião:

Como podem (ou não) ter visto pelo post anterior, decidi participar numa maratona literária que durou 24h. A dita correu bastante bem, ainda que não tenha lido tanto como tinha planeado, porque entretanto a vida meteu-se pelo meio e tive de fazer outras coisas. Ainda assim, deu para avançar bastante na minha leitura deste livro que só terminou agora por motivos de... preguiça. Sim. Preguiça. Também tenho direito! Mas vamos lá à opinião sobre este livro.

Este é o romance de estreia da autora sul-coreana Han Kang que lhe valeu vários prémios, entre eles o Man Booker Prize em 2016. A maioria da crítica e das opiniões que fui lendo por essa internet fora eram bastante boas e foi isso que me fez comprar esta obra na Feira do Livro deste ano. No entanto, confesso que a história ficou aquém das minhas expectativas.

O livro está dividido em três partes, cada uma narrada sobre o ponto de vista de uma personagem diferente que, por sua vez, interage directamente com a personagem que está no centro de toda a narrativa: Yeong-hye. Yeong-hye é uma mulher que, depois de um sonho algo grotesco, decide tornar-se vegetariana. Esta mudança não é bem vista pela sua família e é encarada como algo completamente descabido e sem nexo, numa família que é tradicional e conservadora dentro da sociedade sul-coreana. Este é o mote inicial, mas a narrativa aborda questões mais pertinentes e profundas que têm a ver com o papel da mulher numa sociedade que molda as mulheres para serem donas de casa, para cuidarem do marido e dos filhos, para serem exemplos de obediência e humildade numa cultura que dita de que forma se devem comportar, vestir, expressar, em que todos os momentos, todas as palavras e expressões são calculadas, sem azo a grande expressão de individualidade. Por tudo isto, Yeong-hye é vista como alguém psicologicamente perturbada e que, por isso, deve ser controlada e institucionalizada. A prisão da sua mente num corpo sobre o qual a sua vontade não é respeitada acaba por ser espelhada na sua prisão exterior e a narrativa destas cerca de 200 páginas torna-se maior do que aquilo que, de facto, está escrito. As ideias saltam do papel para a nossa realidade e impõem uma reflexão mais complexa sobre as questões do corpo, identidade, liberdade, até sobre saúde mental e como a sociedade está, ou não, preparada para lidar com isso.

Reconheço em absoluto o valor desta narrativa e deste livro, no entanto não consegui criar uma ligação com a história nem com nenhuma das personagens. Talvez fosse com expectativas demasiado altas depois das críticas que li, talvez aquela sociedade sul-coreana me fosse demasiado estranha e não me tenha conseguido prender à prosa da autora, mas de facto o livro não me encheu as medidas. Senti-me, até, um pouco estranha e desconfortável durante a leitura, mas se calhar até é esse um dos propósitos do livro e, se assim for, ficou cumprido! Mesmo o estilo de escrita da autora não me suscitou grande interesse, mas talvez se perca algo na tradução também. Nunca saberei, porque não sei ler nem escrever em sul-coreano.

Assim, apesar de ter gostado do livro pelos temas que aborda e pelas discussões que pode suscitar, não consigo dizer muito mais, não consigo louvá-lo tanto como a maioria das outras opiniões que li. Tenho pena, queria mesmo ter gostado mais deste livro, mas não há volta a dar...

4/6 - Bom

2 de agosto de 2019

Maratona de Leitura - "Dewey's 24 hour reverse readathon"


Estive de férias estas duas semanas que passaram e bem que ralei para avançar com a minha tese. Mas também me permiti começar a ler um livro completamente fora deste âmbito, que não é de fantasia, para me poder abstrair do resto. Por isso, e para acabar as minhas férias em grande, decidi participar nesta maratona de leitura que dura 24horas! Começa hoje à 1h da manhã aqui em Lisboa (20h em Nova Iorque) e durará até à 1h da manhã de sábado para domingo. Não irei ler as 24h completas, porque uma pessoa precisa de tempo para dormir, comer, etc, mas é uma experiência nova e pareceu-me engraçada, por isso decidi aventurar-me. 

Esta maratona não tem qualquer objectivo nem regras, é bastante informal, tendo apenas alguns desafios que serão partilhados no Instagram. Também será lá que irei colocar as minhas actualizações, por isso quem me quiser seguir por lá, já sabe: Papéis e Letras.

Para saberem mais sobre esta maratona e se se quiserem inscrever, podem ir ao site oficial: Summer Reverse Readathon.


24 de junho de 2019

Os livros que quero ler a seguir (não sei quando, mas há de ser!)

Ora como podem ter visto no post anterior, vou andar a reler os três primeiros livros de A Song of Ice and Fire e, por isso, vou ter pouco tempo para ler o que quer que seja fora deste âmbito. No entanto, há uns dias perguntaram-me se tenho uma lista de livros que gostava de ler primeiro quando acabar esta releitura. Alguns vieram-me logo à cabeça como livros prioritários, mas outros tive que pensar um pouco mais. Por isso, achei que isto dava um bom post para aqui e venho partilhar convosco aquilo que quero ler quando acabar a releitura. Claro que depois vai-se a ver e posso ler outra coisa qualquer - porque eu leio muito de acordo com o meu estado de espírito. Ainda assim, vai aqui uma lista catita com os livros que quero ler a seguir à minha releitura.


Oathbringer, de Brandon Sanderson - Este era de caras! É estranho eu ainda nem sequer ter comprado o livro porque a edição em paperback é diferente dos outros dois anteriores que cá tenho e vai destoar na estante?



Anne Boleyn: A King's Obsession, de Alison Weir - Há uns anos li uma biografia da rainha Isabel desta mesma autora e gostei bastante. Por isso, há uns meses comprei este sobre a Ana Bolena para voltar à ficção histórica - porque quem é que não gosta do período Tudor??


Pavane, de Keith Roberts - Para voltar à ficção científica! Este livro é uma história alternativa em que a rainha Isabel é assassinada e a invencível armada espanhola conquista a Grã-Bretanha no século XVI. Passando para o século XX, o domínio espanhol e da Igreja Católica continuam na ilha, onde não existem telefones, televisão e a Inquisição ainda opera.


A Vegetariana, de Han Kang - Desde que saiu que tenho muita curiosidade em lê-lo e, agora que o comprei na Feira do Livro, quero muito avançar com esta leitura.


A Litte Life, de Hanna Yanagihara - Para voltar aos calhamaços que não são fantasia e que nos desafiam enquanto leitores e pessoas perante narrativas que podem ser mais difíceis pelas temáticas que abordam. Gosto muito de livros assim!


O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago - Não podia deixar de mencionar um autor português, especialmente porque fiquei traumatizada com O Memorial do Convento que li no secundário e queria redimir-me perante o autor. Também aproveitei a Feira do Livro para comprar este livro e espero que me dê alento para ler mais obras de Saramago.

E vocês: já leram algum destes livros? Contem-me tudo nos comentários.

18 de junho de 2019

Releitura de As Crónicas de Gelo e Fogo

Como já disse aqui algumas vezes, encontro-me a fazer o doutoramento na área da literatura e, espero eu, já na fase final, onde já se adivinha a meta, ainda um pouco longe, mas com o caminho já mais ou menos delineado sobre o que quero escrever e ler nesta etapa. O que nunca vos disse foi o tema da minha tese: A Guerra dos Tronos. É uma obra que dá pano para mangas, dava para escrever sobre ela, seguramente, até ao fim da minha vida. Mas como o tempo é limitado e o número de páginas também, irei limitar-me somente a alguns tópicos que gostava de abordar. Não, não venho aqui falar da minha tese, mas como tenho de reler os três primeiros livros da saga decidi que podia criar uma motivação extra para mim própria criando um post sobre a minha releitura e, quiçá, convidar pessoas que ainda não leram a saga, ou pessoas que queiram uma desculpa para a reler agora que acabou a série, a juntarem-se a mim.

Não tenho prazos marcadas, não tenho nada definido, mas provavelmente vou levar os meses de verão a reler estes três calhamaços e, por isso, esta é uma desculpa tão boa como qualquer outra para escrever-vos sobre estes livros. Convido-vos a partilhar comigo esta jornada onde irei, provavelmente, escrever posts sobre os livros e a série, para além das já habituais opiniões sobre os livros.

Quem se quiser juntar a mim é bem-vindo! Comentem, partilhem e podem "roubar" o banner aqui abaixo para colocarem onde quiserem e entrar comigo nesta jornada por Westeros. 



15 de junho de 2019

Feira do Livro de Lisboa e Actualizações

Olá a todos! Ainda estou viva e aproveitei a minha ida à Feira do Livro para vos escrever sobre a minha desgraceira e, já agora, para vos actualizar. 

A verdade é que tenho saudades de escrever posts sobre livros, sobre as minhas leituras e outros assuntos do género, mas ora não tenho tido tempo, ora não tenho lido, ora não tenho disponibilidade mental para isso. Saí de casa dos meus pais há quase 1 ano e a verdade é que ainda me estou a adaptar a esta vida de solteira, de mulher independente dona do seu nariz e que passa de viver numa casa com 4 pessoas e uma gata, para uma casa onde só cá estou eu. O silêncio e a falta de azáfama e de confusão ainda são coisas estranhas para mim - ainda que, quando estava a viver em casa dos meus pais, fosse aquilo a que eu mais queria fugir! É um processo natural de crescimento, de evolução, de aprendizagem que, penso eu, nunca termina. Mas como continuo a acompanhar blogs e instagrams de outras pessoas ligadas a este mundo, este bichinho nunca chegou a morrer. Gostava de começar a implementar na minha vida algumas estratégias que me permitem ler mais, ou pelo menos de forma mais regular, para continuar a partilhar a minha vida de leitora. 

Confesso que uma parte da minha motivação tem sido uma blogger que descobri no instagram e que gosto muito, a Cátia do Books Turn You On. Também ela está a fazer um doutoramento e dou por mim várias vezes a pensar: "Se ela consegue, eu também consigo!". Claro que duas pessoas não são iguais, o que resulta para uma pode não resultar para outra, mas quando se trata de algo que se gosta de fazer, neste caso a leitura, acho que vale a pena tentar coisas novas para conseguirmos aproveitar melhor o nosso tempo com coisas de que gostamos. Por isso, fiz um compromisso comigo mesma para gerir melhor a minha vida para começar a ler mais! 

E agora, vamos à desgraceira...

O ano passado não pus os pés na Feira do Livro de Lisboa, mas este ano não me podia passar ao lado,  então fui lá duas vezes. Até me apeteceu ir lá mais vezes, mas depois olhei para o estrago e pensei: "se calhar é melhor não...". Acho que nunca comprei tanto livro na Feira, mas comprei livros que, de facto, sei que vou ler porque estão na minha "wishlist" há bastante tempo. Só houve duas compras por impulso: Companhia Silenciosa de Laura Purcell (que comprei porque a capa é lindíssima e chamou-me a atenção, e porque, quando li a sinopse, mencionavam o We have always lived in the castle que li o ano passado e adorei), e A Irmã de Sándor Márai, porque li dois livros dele de que gostei bastante e a sinopse deste também me deixou curiosa. Ora aqui fica a foto da praxe:


Posto isto, tentarei vir aqui falar mais do que ando a fazer, das mudanças que vou implementar na minha vida e, espero eu, poder trazer-vos mais actualizações sobre livros, leituras e coisas que tais. Provavelmente vou dar outra volta ao template deste blog, por isso não estranhem!

Vontade para dar uma nova vida a este espaço de que gosto tanto não me falta, por isso, vamos a ver! Se tiverem sugestões sobre posts, sobre o que gostavam de ver por aqui, ou até sugestões sobre o que resultou convosco e vos pôs a ler mais, sou toda ouvidos! Partilhem :)


11 de janeiro de 2019

Motherhood - Opinião

Título: Motherhood
Autor: Sheila Heti
Lido no Kobo
Sinopse:
"In Motherhood, Sheila Heti asks what is gained and what is lost when a woman becomes a mother, treating the most consequential decision of early adulthood with the candor, originality, and humor that have won Heti international acclaim and made How Should A Person Be? required reading for a generation.

In her late thirties, when her friends are asking when they will become mothers, the narrator of Heti’s intimate and urgent novel considers whether she will do so at all. In a narrative spanning several years, casting among the influence of her peers, partner, and her duties to her forbearers, she struggles to make a wise and moral choice. After seeking guidance from philosophy, her body, mysticism, and chance, she discovers her answer much closer to home.

Motherhood is a courageous, keenly felt, and starkly original novel that will surely spark lively conversations about womanhood, parenthood, and about how—and for whom—to live."

Opinião:

Este livro apresenta-nos uma personagem feminina, que não tem nome, mas que tem quase 40 anos, é escritora e não sabe se quer ter filhos. Inicialmente, embarcamos nesta viagem com ela, nas suas divagações sobre ter ou não ter filhos e o que isso pode, ou não, significar para ela e para qualquer mulher. Esta é uma viagem sobre o que significa ser mulher, mãe, artista, namorada, solteira, profissional, sobre as expectativas que a sociedade tem sobre nós, sobre nos encaixarmos ou não nos moldes, sobre todas as relações pessoais que temos ao longo da nossa vida, com pais, irmãos, amigos, colegas, namorados ou namoradas. É, no fundo, uma reflexão sobre as relações pessoais, nomeadamente as românticas, sobre a maternidade, o ser ou não ser mãe, e a importância da arte como força criadora.

Gostei deste livro porque me revi em algumas coisas. Penso que, a certa altura das nossas vidas, nos deparamos com algumas das questões que a autora coloca sobre o que significa a maternidade, sobre os seus sacrifícios, mas também sobre as suas alegrias e sobre as mulheres que não querem ter filhos. Gostei também da escrita crua e directa ao assunto, sem grandes floreados sobre o assunto, embora a parte final do livro me tenha chateado um pouco porque a autora foge ao que é o foco de todo o livro. No entanto, chegamos ao final e percebemos que a personagem sabia, desde o início e bem lá no fundo, qual era a resposta à pergunta inicial. E penso que isto acontece com toda a gente e com todos os assuntos: por mais que divaguemos, por mais que procuremos opiniões e respostas noutros sítios e com outras pessoas, sabemos sempre o que queremos, se procurarmos bem dentro de nós. E não ter filhos é tão legítimo como ter, e todas as dúvidas e medos são legítimos, mesmo quando se quer ter filhos e se todos fôssemos mais compassivos e tolerantes uns com os outros, o mundo e as pessoas seriam muito melhores.

Em suma, gostei deste livro pelas perguntas pertinentes que coloca e recomendo a sua leitura a quem não tem filhos, não quer ter filhos, ou ainda está a pensar se quer ou não.

4/6 - Bom