24 de fevereiro de 2020

Radar Literário

Com este mês de Fevereiro a acabar, venho trazer-vos os livros que vieram parar à minha infinita TBR. Este mês não foi muito famoso, uma vez que estou a aproveitar todo o tempo que tenho livre para me dedicar à fase final de correcção da tese, por isso não tenho andado muito atenta nem produtiva por aqui. No entanto, houve quatro livros que me chamaram a atenção e um deles, o primeiro da lista, já o trouxe, inclusivamente, da faculdade. Gostei tanto do Persépolis que achei muito curioso encontrar outra autobiografia neste formato.


Marbles: Mania, Depression, Michelangelo, and Me, de Ellen Forney
War in Heaven, de Charles Williams
The Revisioners, de Margaret Wilkerson Sexton
The Library of the Unwritten, de A. J. Hackswith

10 de fevereiro de 2020

Segredos Obscuros - Opinião

Título: Segredos Obscuros
Autor: Hjorth e Rosenfeldt
Editora: Suma de Letras
Páginas: 439
Sinopse:
"Sebastian Bergman é um homem à deriva.
Psicólogo de formação, trabalhava como profiler para a polícia e era um dos grandes especialistas do país em serial killers. Perdeu tudo quando o tsunami no continente indiano lhe levou a mulher e a filha.
Tudo muda com uma chamada para a polícia.
Um rapaz de dezasseis anos, Roger Eriksson, desapareceu na cidade de Västerås. Organiza-se uma busca e um grupo de jovens escuteiros faz uma descoberta macabra no meio de um pântano: Roger está morto e falta-lhe o coração.
É o momento de Sebastian se confrontar com um mundo que conhece demasiado bem.
O Departamento de Investigação Criminal pede ajuda a Sebastian. Os modos bruscos e revoltados de Sebastian não impedem a investigação de avançar. E as descobertas sobre a escola que Roger frequentava são aterradoras."

Opinião:

Há bastante tempo que não enveredava pela literatura policial, mas que bem me fez este livro! Já tinha saudades deste género e nem sabia até ter acabado esta leitura. O suspense, a leitura compulsiva, o crime, a dinâmica das personagens, acho que este tipo de livros ajudam bastante a quem está num reading slump, ou que queira uma leitura mais rápida. Porque se um livro destes estiver bem escrito e a narrativa não deixar pontas soltas, é devorado bem depressa. E é o que acontece com este livro, que foi a minha estreia com os autores suecos Hjorth e Rosenfeldt.

Neste livro seguimos a narrativa à volta de um crime: um rapaz de 16 anos, Roger Eriksson, é encontrado morto naquilo que parece um crime ritual, uma vez que lhe falta o coração. Este é o epicentro da história a partir do qual irradiam todas as outras: as dinâmicas pessoais entre todos os que compõe o corpo policial que investiga o crime; as várias descobertas que se vão fazendo em relação ao próprio crime e, principalmente, a vida de Sebastian Bergman. 

Bergman foi um psicólogo forense, brilhante na sua área, mas que carrega consigo o peso da perda da família e, por isso, desde aí, anda à deriva. À deriva nas relações pessoais, envolvendo-se apenas em casos de uma noite, mantendo-se afastado dos pais, dos antigos colegas e amigos; e à deriva na sua profissão, encontrando uma pequena janela aberta através deste crime, em que volta a trabalhar na sua área. Sebastian é um homem charmoso, inteligente, profundo conhecedor da natureza humana, sarcástico e provocador, de feitio difícil, pondo sempre à prova a paciência de quem entra em contacto com ele.

Para além de ficarmos a conhecer Sebastian, seguimos os progressos e os recuos que são feitos na resolução deste crime, que nos apresenta outro leque de personagens de quem gostei bastante: Torkel, Ursula, Vanja e Billy estão a cargo desta investigação criminal e têm histórias pessoais bastante interessantes também. 

Gostei bastante do livro pelas personagens que nos apresenta, principalmente Sebastian, que, apesar de todos os seus defeitos e feitio complicado, revela a fragilidade do ser humano que pode ser demonstrada através da frieza e das barreiras que construímos à nossa volta para não nos voltarmos a magoar. Para além de Bergman, achei interessante a narrativa criminal, embora em momentos tenha sentido que era secundária, complementando o desenvolvimento das personagens. 

No entanto, o livro é daqueles que se começa a ler e não se consegue parar. O final do livro tem uma revelação bombástica, da qual não estava nada à espera, e que me deixou muita curiosidade para continuar a ler os restantes livros.

5/6 - Muito Bom

(Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge 2020)

3 de fevereiro de 2020

A minha agenda literária

Olá a todos! Hoje venho mostrar-vos uma agenda que comprei em Dezembro e que é desenhada e  feita para um propósito apenas: a nossa vida de leitores. Esta agenda é a Bookworm Planner e podem comprá-la através da Etsy, no perfil PeanutButter Taco. Por isso resolvi tirar umas fotos e vim mostrar-vos o que nos reserva esta agenda.


Esta é a agenda propriamente dita e ela tem duas versões: a mensal e a semanal. A diferença entre ambas é que a semanal tem "spreads" semanais, enquanto a mensal não tem. Como ia usar esta agenda apenas para registar leituras, desafios, maratonas, etc, achei que não ia necessitar da vista semanal e, por isso, comprei a mensal. Estava certa, de facto não preciso de uma vista semanal.


Esta são as duas primeiras páginas da agenda. São duas estantes de livros que podemos ir colorindo e onde registamos as nossas leituras durante o ano. Como eu sei que não vou ler esta quantidade toda de livros, decidi dedicar cada estante a um género literário diferente. Assim, conforme for lendo dentro de cada género, vou colocando aí o título do livro. Depois seguem-se quatro páginas em branco, pontilhadas que podem preencher com aquilo que quiserem. Seja desafios, wishlist, lista de livros para lerem este ano... É mesmo à vossa escolha!


Depois temos estas duas páginas. A primeira onde podemos anotar os principais lançamentos de livros deste ano e a outra página para colocarmos os nossos objectivos para este ano.


Aqui já começam os "spreads" mensais. Este é o dedicado a Janeiro, mas todos os meses têm cores e mensagens diferentes. Na página da esquerda, no meu caso, anotei os livros que queria mesmo ler em Janeiro e a data da Bout of Books. Mas podem sempre personalizar tudo à vossa medida, de acordo com as vossas vontades e necessidades.


Aqui temos a vista mensal que tem de ser preenchida por vocês com os dias. Aqui anoto a data em que começo e acabo a leitura de um livro, agendo os posts e, no caso deste mês de Janeiro, anotei também a data da Bout of Books.


Depois têm duas páginas pontilhadas e uma de balanço do mês. Numa das páginas pontilhadas fui fazendo um gráfico de páginas lidas durante o mês, então tenho um gráfico com colunas, com os vários dias e o número de páginas que li em cada dia. É interessante ver estas estatísticas ao fim do mês. Na outra página vou anotando os livros que tenho debaixo de olho, que me chamaram a atenção. Na folha de balanço, têm uma estante onde podem colocar os títulos dos livros que leram durante o mês e, por baixo, na tabela colocam os livros que compraram nesse mês. Estes spreads repetem-se em todos os meses.


A meio do ano, no fim do mês de Junho, têm duas páginas de balanço dos primeiros seis meses do ano, onde podem reajustar os vossos objectivos, colocarem novos, registar os livros lidos até então, os que mais gostaram e os que não gostaram tanto, o número de páginas lidas, etc.


No fim da agenda, depois do ano acabar, têm estas duas páginas de balanço do ano inteiro. Objectivos que cumpriram, ou não, e depois onde podem colocar os melhores do ano de acordo com as categorias ali mencionadas.


Nesta página podem colocar aqueles livros que não acabaram e os melhores do vosso ano, com a pilha ali do lado direito.


Aqui podem colocar os livros que saíram para o cinema ou para televisão que foram adaptados a partir de obras literárias, ou podem fazer deste spread uma lista de filmes ou séries inspiradas em livros que querem ler. Podem sempre adaptar conforme aquilo que vos faça mais sentido.


Não podiam faltar as páginas dedicadas às citações. São seis páginas, no total, por isso têm muito espaço para colocarem aquelas citações que vos ficaram na cabeça e que não querem esquecer.


Por fim, as páginas das reviews! É preciso capacidade de síntese aqui, uma vez que são apenas mini reviews, mas serve para registarem o que acharam do livro. Fica para memória futura. São várias as páginas, mas se não chegarem, ainda têm umas quantas páginas em branco, pontilhadas, onde podem colocar mais reviews ou outras coisas que vos façam sentido.

Gostaram? Eu estou a adorar utilizar esta agenda e acabo por tirar alguma inspiração também de contas do instagram que utilizam agendas deste tipo ou até esta agenda. Para além do Bullet Journal para tudo o que envolva o meu quotidiano, utilizo esta agenda como suplemento e dedicada só aos livros. Até agora entendo-me bem com este sistema e estou a gostar muito.

Contem-me: também têm agendas literárias? Gostam? 

27 de janeiro de 2020

Pilha TBR para 2020



Como talvez a maioria de vocês, também eu tenho uma pilha de livros que quero mesmo ler durante este ano de 2020. Aqui estão os livros físicos que já tenho (vamos não falar naqueles que estão na minha wishlist, tanto para comprar como para adquirir por empréstimo através da biblioteca) e que quero muito ler este ano.  O Oathbringer, de Brandon Sanderson, é uma espera mais do que aguardada, mas acho que só vou conseguir dar-lhe a atenção devida quando tiver acabado a tese e, talvez, no verão em que vou estar com a cabeça mais arejada. The Water Dancer é uma obra de ficção histórica que se passa no período da escravatura, nos EUA e que está na minha estante desde meados do ano passado e quero muito voltar à ficção histórica. Para além destes, tenho a prémio Nobel Olga Tokarczuk, Michell Houellebecq, João Tordo, Sándor Márai e um livro de contos da autora irlandesa Lucy Caldwell, que conheci o ano passado e gostei tanto, que fui comprar um dos livros dela.

Para além destes, tenho alguns no Kobo que também estão na lista. São eles:  Little Fires Everywhere, de Celeste Ng; Nothing to See Here, de Kevin Wilson; e The Bone Houses, de Emily Lloyd-Jones.

Para além destes, não esquecer o meu desafio Ler a Rússia em 2020, que me vai fazer sair um pouco da minha zona de conforto para ler autores russos e autores cujas narrativas se passam na Rússia. 

Se irei ler estes e não outros? Não sei. Se os irei ler todos e mais alguns? Também não sei. Mas, pelo menos, é este o meu plano! Só que eu leio conforme aquilo que me vai apetecendo, dependendo do meu humor e da minha disposição, por isso é sempre um pouco incerto. Além disso, tenho a certeza que durante o ano vou comprar mais livros e esta lista pode sofrer uma reviravolta. Nunca se sabe!

24 de janeiro de 2020

Radar Literário

Eis o primeiro Radar Literário do ano e vem bem recheado, que este mês tive 2 semanas de férias, então tempo para cuscar livros não me faltou. Entre livros que eu própria pesquisei e me suscitaram a curiosidade, e livros cujas críticas me agradaram, vieram cá parar nove livros. Nove livros bastante diversos nas temáticas e nos autores. Se alguém já leu algum deles, diga de sua justiça.


Serotonina, de Michel Houellebecq
A Avó e a Neve Russa, de João Reis
Nicholas and Alexandra, de Robert K. Massie


Caim, de José Saramago
Louder than Hell, de Jon Wiederhorn e Katherine Turman
The Late Show, de Michael Connelly


Maybe You Should Talk to Someone, de Lori Gottlieb
I'll be Gone in the Dark, de Michelle McNamara
A Killer's Mind, de Mike Omer

20 de janeiro de 2020

The Secret History - Opinião

Título: The Secret History
Autor: Donna Tartt
Editora: Penguin Books
Páginas: 629
Sinopse:
"Under the influence of their charismatic classics professor, a group of clever, eccentric misfits at an elite New England college discover a way of thinking and living that is a world away from the humdrum existence of their contemporaries. But when they go beyond the boundaries of normal morality their lives are changed profoundly and for ever."

Opinião:

Quando parti para esta leitura, nunca tendo lido nada da autora, já sabia que os livros de Donna Tartt não reúnem consenso. Por esta mesma razão ainda tive maior vontade de o ler para perceber o porquê das várias opiniões, começando este livro com muita curiosidade.

Nas primeiras páginas do livro percebemos logo que há um crime que é cometido e uma das personagens morre. O que aconteceu até esse momento é contado por Richard, um dos seis alunos que estão na faculdade a aprender grego antigo. O facto de serem somente seis numa turma a aprender algo que mais ninguém aprende, fazem-nos crer que estão numa espécie de elite, que são um grupo de jovens privilegiados e mais sofisticados do que os outros. Para além de Richard, um rapaz da California oriundo de uma família pobre, seguimos pelos seus olhos a vida universitária em Vermont juntamente com os seus colegas Henry, Francis, Bunny e os irmãos gémeos Charles e Camilla. 

E o que é que eu tenho a dizer? Gostei bastante deste livro, mas percebo porque é que algumas pessoas têm sentimentos mistos ou não gostam deste livro. Não é um livro difícil, mas por vezes pode soar pedante, as personagens snobs e altivas, demasiado fechadas no seu círculo e, por isso, pode levar a que alguns leitores simplesmente não queiram saber do que lhes acontece. 

Para mim, este livro fala-nos de jovens à procura da sua identidade e do seu lugar no mundo dos adultos. Todos têm as suas inseguranças e sentem-se profundamente atraídos pela cultura clássica, tentando emular alguns rituais, como os de Dioníso, numa tentativa de parecerem sofisticados, cultos e sábios, como aqueles que eles admiram. Se podem parecer pretensiosos? Sim, completamente. Mas acho que é esse o objectivo da autora quando os caracteriza desta forma. São as suas inseguranças e os seus medos que propiciam as suas acções, provando que apesar de todas as suas tentativas em parecerem mais do que aquilo que são, estes jovens são imaturos, auto-isolam-se da restante comunidade escolar, esperando alcançar a sofisticação e a intelectualidade do mundo da Grécia antiga. 

Há, ainda, uma tentativa de escape para todas as personagens - escape às suas famílias, às realidades que deixaram para trás quando ingressaram na universidade, até um escape à restante comunidade escolar na qual, provavelmente e a nível individual, não se conseguiriam incluir. Estas personagens encontram pontos em comum neste aspecto: não se encaixam em mais lado nenhum. E é esse sentimento de pertença que os une numa relação de amizade intensa, mas que acaba por afastá-los das restantes pessoas. 

Gostei bastante do livro pelo percurso que fazemos e pela forma como vamos conhecendo aquelas personagens. Apesar de a narrativa ser contada através do ponto de vista de uma das personagens, Richard, inicialmente o outsider do grupo, senti sempre isso mesmo, que Richard nunca fez parte desse grupo, de forma completa, e isso acaba por toldar a visão dele sobre os acontecimentos que narra. Há culpa, remorso, tristeza, talvez até solidão e uma certa nostalgia de olhar para um passado que, não estando isento de actos condenáveis, transporta-o para um período de descoberta, de experiências novas, de amizade e pertença. Porque todos nós, de uma forma ou de outra, mais ou menos, queremos pertencer a algum lado. E o que torna a leitura compulsiva não é tanto saber o que aconteceu no que diz respeito ao crime propriamente dito, mas sim de que forma as acções tomadas têm consequências a nível individual e na dinâmica de grupo. 

5/6 - Muito Bom

(Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge 2020)

17 de janeiro de 2020

Livros para amantes de Law and Order: SVU



Já há alguns anos que esta série me tem conquistado. Seja pela investigação criminal e julgamentos de processos, seja pelas personagens fortes e determinadas, principalmente as femininas, seja pelos enredos construídos à volta das próprias personagens principais, que vão para além dos crimes, esta série agarra-me sempre que vejo um episódio. E está no ar há 20 anos! Vamos na 21ª temporada e não me canso desta série. Adoro a detective Olivia Benson e todos os que a acompanham.

E volta e meia, claro, ponho-me a pensar: Então e livros? Que livros há por aí para quem gosta de Law & Order: SVU? Pus-me a investigar e venho aqui partilhar algumas das sugestões de leitura que encontrei. Por isso, se gostam desta série criminal e andam à procura de livros semelhantes à narrativa da série, esta lista é para vocês!


True Stories of Law and Order: SVU - Kevin Dwyer e Juré Fiorillo

Acho que não podia deixar este de lado, afinal este livro é sobre os crimes reais e os detectives que os investigaram e que deram origem à série. São os factos por detrás da ficção desde o crime cometido, à investigação, detenção e julgamento dos criminosos. 


I'll be Gone in the Dark - Michelle McNamara

Este livro resulta da investigação por parte da jornalista Michelle McNamara sobre o assassino de Golden State. É, por isso, um livro de não ficção sobre um assassino que, durante mais de 10 anos, conseguiu sempre escapar à polícia. Com uma introdução de Gillian Flynn, autora de livros como Gone Girl e Sharp Objects (que li e adorei ambos) deve ser qualquer coisa.



Speak No Evil - Allison Brennan

Aqui já entramos no âmbito da ficção. Neste livro temos um crime particularmente violento cometido contra uma rapariga de 18 anos e a subsequente investigação por parte da detective Carina Kincaid, em San Diego, na California. Fiquei bastante curiosa com este livro.


The Late Show - Michael Connelly

Temos mais um thriller policial sobre uma detective, Renée Ballard que trabalha sempre no turno da noite e se depara com dois crimes: a agressão brutal de uma prostituta e o assassinato de uma mulher num tiroteio numa discoteca. 


The Drowned Girls - Loreth Anne White

Mais uma vez, também neste livro temos uma detective, Angie Pallorino, em dois casos que lidam com um violador em série: uma mulher desconhecida que é deixada num cemitério, em coma, depois de ser agredida de forma violenta e uma mulher que é encontrada num rio, com as mesmas marcas de agressão que a primeira.


Se tiverem mais sugestões para esta lista, digam nos comentários!