18 de junho de 2010

Acheron - Opinião

Título: Acheron
Autor: Sherrilyn Kenyon
Editora: Casa das Letras
Páginas: 679
Sinopse:
"Um deus nasceu há onze mil anos. Amaldiçoado num corpo humano, Acheron teve uma vida de sofrimento.

A sua morte humana originou um horror indescritível que quase destruiu a Terra. Trazido de volta contra a sua vontade, tornou-se o único defensor da humanidade. Só que não foi assim tão simples...
Durante séculos, lutou pela nossa sobrevivência e escondeu um passado que não desejava revelar. Agora, tanto a sua sobrevivência, como a nossa, dependem da única mulher que o ameaça. Os velhos inimigos estão a despertar e a unir-se para matá-los - aos dois."

Opinião:

Este livro encontra-se dividido em duas partes: a primeira situa-se nos anos de 9500 a.C. e a segunda nos dias de hoje.
A primeira parte começa com o nascimento divino de Apostolos que, para ser salvo da morte pelo pai, é posto no mundo humano a mando da mãe para depois reclamar vingança mais tarde. No mundo humano é chamado de Acheron e vive uma vida de sofrimentos inimagináveis, fruto da maldição imposta pelas meias-irmãs.

Começamos, primeiramente, a ver a história sob o ponto de vista de Ryssa, a irmã humana de Acheron, que escreve no seu diário. Ryssa ama-o e não percebe porque Acheron é mal tratado e rejeitado por todos. Como tem os olhos prateados, foi considerado filho bastardo, fruto de uma união supostamente entre a sua mãe humana e o deus grego Zeus. Por isso, foi preterido pelo seu irmão gémeo Styxx que sempre teve direito a todas as regalias que um príncipe podia ter, enquanto Acheron é levado para a Atlântida para servir de objecto sexual a todos os que quisessem usufruir dele.

Depois vemos a vida de Acheron através de um narrador omnisciente e, pela primeira vez, podemos saber o que Acheron pensa, sente e temos acesso às memórias terríveis que Acheron possui de toda a sua vida, ignorando a sua verdadeira ascendência. Na desesperada tentativa de ser amado, Acheron acaba por se envolver, sem querer, com a deusa Ártemis que vê nele mais um animal de estimação que pode usar para satisfazer as suas necessidades. Depois de muitas tribulações, Acheron finalmente reclama a sua divindade, ganha os seus poderes e torna-se no deus do destino final Apostolos. Contudo, isso não o livra de uma existência eterna de sofrimentos contínuos...

Numa segunda parte, podemos testemunhar a vida de Acheron nos dias de hoje. Já no século XXI, Acheron vive nos Estados Unidos, mais propriamente em Nova Orleães, onde conhece Soteria, uma arqueóloga que tenta descobrir a Atlântida. A princípio tenta destruir todas as suas hipóteses de a descobrir, a fim de não revelar a verdade sobre o seu passado, mas acaba por se apaixonar por ela, e vice-versa, descobrindo pela primeira ver o verdadeiro amor. Aquele que dá sem desejar nada em troca.

Mal comecei a ler este livro senti uma grande curiosidade em relação à personalidade de Acheron. Um rapaz que não tem culpa de ter nascido nas circunstâncias que nasceu, de possuir uma beleza inigualável, de tal maneira que basta ele mostrar os seus olhos prateados para as outras pessoas o rodearem na ganância de o possuir, e não percebe porque é que o odeiam tanto, principalmente todos os membros da sua família, à excepção de Ryssa.

Acheron sofre as maiores atrocidades: físicas, mentais, sexuais. Acheron é destruído por dentro até ficar vazio, não confiando em ninguém, não se mostrando a ninguém, com uma auto-estima inexistente.
Para culminar, é levado a acreditar que tem uma deusa que realmente o ama, Ártemis, que no fundo só o quer usar para benefício próprio. E que raiva que esta mulher me deu!! Ás vezes apetecia-me entrar na história e espancá-la! É um ser realmente detestável e egoísta que tortura Acheron para seu bel-prazer.

Já no mundo de hoje, Acheron não muda muito. O que muda é o facto de conhecer Soteria que, apesar de o detestar no início por frustrar a sua credibilidade enquanto arqueóloga em busca da Atlântida, acaba por ver nele mais do que aquilo que mostra.
Quando é descoberto um diário de Ryssa que revela toda a verdade sobre Acheron, este une-se a ela para o preservar de modo a não expô-lo e para que não se conheça a verdade sobre a Atlântida. Pela primeira vez, Acheron encontra alguém em que pode realmente confiar.

Adorei este livro e devorei-o do início ao fim. É bastante rico em descrições dos locais por onde a história passa, em ironia e humor, e consegue fazer com que nos apeguemos, de facto, a certas personagens e detestemos com toda a nossa força outras. Senti uma grande tristeza com as injustiças provocadas a Acheron e cada vez que lhe era cometida mais uma, pensava "mas porquê?!". Ryssa é adorável mas, na minha opinião, ingénua de mais. Ártemis é simplesmente odiável, assim como Apolo, o pai e Styxx, irmão gémeo de Acheron. Soteria é engraçada, desajeitada, teimosa, e a única que ama Acheron sem se importar com o seu passado.

Este livro mistura fantasia, com mitologia, acção, romance, e tem todos os ingredientes que o tornam numa leitura fácil, que nos faz virar as páginas rapidamente, na ânsia de sabermos o que vai acontecer a seguir e faz-nos estabelecer uma conexão com as personagens que nos faz quase sentir como elas.
Definitivamente aconselhado para quem gosta deste género de livros!

5/6 - Muito Bom

2 comentários:

AS disse...

Vou começar a ler. Espero ficar tão entusiasmada como tu.

AS disse...

Acabei de ler e concordo contigo. Muito bom! (Ah! e a vontade de bater à deusa-vitela foi muita))