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Cantinho dos Escritores - Florbela Espanca

Hoje, dia 8 de Março, celebra-se o Dia Internacional da Mulher. E, coincidência ou não, hoje acontece também a estreia do filme Florbela, sobre a vida da poetisa portuguesa Florbela Espanca. Como tal, achei que não devia deixar passar este dia em branco e escrever um pouco sobre esta mulher, uma das minhas escritoras favoritas.

Florbela Espanca nasceu a 8 de Dezembro de 1894, em Vila Viçosa. Desde cedo Florbela começou a escrever poesia, e os seus primeiros poemas datam de 1903-1904. Teve ainda uma educação invulgar para a época, uma vez que frequentou o liceu, sendo uma das primeiras mulheres em Portugal a frequentar a escola secundária e, mais tarde, ingressou na faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, sendo uma das catorze mulheres entre o total de 347 alunos inscritos. Contudo, não chegou a concluir o curso.

O seu primeiro livro foi publicado em 1919, Livro de Mágoas, constando de vários sonetos e cuja tiragem se esgotou rapidamente. Mais tarde, em 1923, publicou mais uma colectânea de sonetos, Livro de Soror Saudade, edição paga pelo pai de Florbela. Porém, a par da sua poesia, Florbela dava aulas e explicações de português para conseguir sobreviver. Já postumamente, o seu livro Charneca em Flor foi publicado em 1931.

Em termos pessoais, Florbela teve uma vida rica e conturbada. Foi casada três vezes, causando polémica por ser uma mulher emancipada e divorciada, sofreu um aborto com várias implicações para a sua saúde, e viveu a tragédia da morte do seu irmão num acidente de avião. Em homenagem a ele, escreveu o conjunto de contos As Máscaras do Destino, publicado postumamente em 1931. Também diagnosticada com neurose, Florbela terá tentado o suicídio pela primeira vez em 1928. Dois anos depois, Florbela é diagnosticada com um edema pulmonar e perde a vontade de viver, vindo a falecer no dia do seu 36º aniversário, a 8 de Dezembro de 1930, suicidando-se.

Florbela escreveu poesia, contos, um diário e várias traduções de romances, colaborando ainda em vários jornais e revistas. Contudo, é a sua poesia que permanece como marco na literatura portuguesa. Desde os temas amorosos, à solidão, saudade, sedução, morte e desejo, a poesia de Florbela Espanca é das minhas preferidas desde a primeira vez que pus a vista em cima de um dos seus poemas.

Lembro ainda que hoje estreia o filme Florbela, de Vicente Alves do Ó, que conta nos papéis principais com Dalila do Carmo (Florbela Espanca), Albano Jerónimo (Mário Lage), Ivo Canelas (Apeles) e António Fonseca (João Espanca). Estou em pulgas para ver este filme, que me parece muito bem feito! Aqui fica o trailer:



Podem ainda visitar o site do filme, que conta com fotografias das filmagens, detalhes sobre o filme e a poetisa.

Comentários

tonsdeazul disse…
Não conheço muito da obra da autora, como gostaria. É daquelas autoras que vou descobrindo aos pouquinhos.
Não fazia ideia que estavam a rodar um filme sobre a sua vida. Pelo trailer parece que o filme está realmente muito bem feito! Vou querer ver. Além disso, gosto bastante destes três atores. Obrigada pela dica. :)
Diana Marques disse…
Deixo aqui outra dica, então: a Editorial Presença está a publicar a sua obra inteira, e os livros até estão a preços bastante bons, nos dias que correm. Vale a pena ires dar uma espreitadela ao site ;)
tonsdeazul disse…
Vou sim, Diana. :)
Boas leituras!
Miguel Pestana disse…
Olá Diana,

Ainda não fui ver o filme, mas está nos meus planos!

Florbela é a poetisa portuguesa que mais admiro.

Tenho a poesia completa dela, acho que vou tirar da estante e por na mesa de cabeceira, nestes dias :)


silenciosquefalam.blogspot.com