14 de maio de 2013

Top Ten Tuesday - 10 Livros que lidem com temas complicados


Esta semana é suposto fazermos um top 10 dos livros que lemos e que tratam de temas que são menos confortáveis, coisas complicadas (abuso, suicídio, dor, ou algo que seja difícil para nós, em termos pessoais). E aqui estão eles:

1. The Bell Jar - Sylvia Plath - É-me difícil falar deste livro, por causa da sua temática e por causa daquilo que representa para mim. É um dos meus livros preferidos, li-o duas vezes, conta a história de uma jovem mulher, Esther, que tem o mundo pela frente, todas as oportunidades que qualquer rapariga da idade dela quereria ter, e vê-se numa espiral depressiva, dentro de uma campânula de vidro metafórica, sufocada pela sua doença mental. Não é um livro para se ler de ânimo leve porque é pesado, claustrofóbico mas tão, tão verdadeiro. E a escrita de Plath é maravilhosa.

2. The Heroin Diaries - Nikki Sixx - Comprei este livro porque sou fã dos Mötley Crue e resolvi ler esta biografia de Nikki Sixx, o baixista da banda. Também não é coisa que se leia de ânimo leve. Esta biografia representa apenas um ano na vida do baixista, durante a década de 80, onde podemos ver o deboche, o consumo de álcool e drogas pesadas, a sua instabilidade emocional, física, alterada por esse mesmo consumo, os concertos, o convívio com os outros, etc. É a transcrição dos diários de Nikki, sem alterações, juntamente com comentários de amigos, pessoas que conviveram com ele de perto, nessa altura, fotos e um design que complementa muito bem o livro e o tema. Mas atentem ao título: não é fácil de se ler.

3. Revolutionary Road - Richard Yates - Este livro deixa-nos um gosto amargo quando o acabamos. É um murro no estômago. Fala-nos de desejos que ficam por concretizar, de ressentimentos que nos matam aos poucos, de palavras que não dizemos por bem das aparências, de um amor que morre na praia, de vidas que acabam por tomar rumos que nunca se previa. Não me consegui sentir confortável em um único momento deste livro, talvez porque o autor toca em pontos tão sensíveis e de uma forma tão realista que é incómodo para o leitor. Ainda assim, um óptimo livro para se ler.

4. Uma Casa na Escuridão - José Luís Peixoto - Foi o primeiro livro que li do Peixoto e, até agora, continua a ser o meu preferido. Como é possível encontrar beleza, amor, esperança, num espaço de dor, crueldade e escuridão? É disso que este livro nos fala. Demorou-me meses a lê-lo, porque a escrita do autor, apesar de bela e poética, é densa e a maneira como ele aborda as coisas também não é das mais fáceis. Primeiro estranha-se e depois entranha-se. Tenho que o reler um dia destes. Mas não quando estiver mais em baixo...

5. Lolita - Vladimir Nabokov - Li esta obra o ano passado e é uma espécie de "mindfuck". Ou seja: homem de meia idade que se envolve com uma miúda de 13 anos. Pedofilia, certo? Certo. Porém, o autor narra esta história de uma tal maneira, que não conseguimos não sentir simpatia por Humbert, nem achar que Lolita é completamente inocente. Mas também não nos podemos fiar completamente no narrador, o próprio Humbert, porque ele está a contar a história à sua maneira, podendo relatar os eventos de maneira distorcida. E agora, em que é que ficamos?

6. Night - Elie Wiesel - Holocausto. Há tema mais pesado que este? Night é um testemunho na primeira pessoa, de Elie Wiesel, que sobreviveu ao campo de concentração de Buchenwald. Pode-se ler muito sobre o assunto, pode ver-se programas na tv, estudar esta época nos livros de história. Mas saber o que é, realmente, estar numa situação daquelas, é impossível. É um livro poderoso, chocante, e emocionante.

7. Touching From a Distance - Deborah Curtis - Este livro fala-nos de Ian Curtis e dos Joy Division. Fala-nos da doença de Curtis, epilepsia, da sua introversão, das suas mudanças de humor, da formação dos Joy Division, do seu casamento com Deborah, da sua expressão através da música e da escrita. O livro tem um tom lúgubre, trágico quase desde o início, porque sabemos como Ian Curtis morreu. Mas este relato da viúva, Deborah, torna tudo mais real e mais duro. 

8. Os Filhos da Droga - Christiane F. - Acho que este livro foi-me dado pela minha mãe, numa altura que ela andava aqui por casa a fazer prevenção contra a droga :P Eu devia ter uns 13 anos, por isso, estava na idade para começar a saber estas coisas. Li o livro e, na altura, lembro-me que fiquei super chocada, porque não fazia ideia daquilo que acontecia a alguém que consumia drogas pesadas. Acho que é um relato cru e directo sobre aquilo que realmente é viver no mundo da droga.

9. Lições do Abismo - Daniel Sampaio - A minha adolescência foi muito complicada. Não porque tenha tido uma família desetruturada, ou porque tenha passado por eventos traumatizantes, nem nada do género. Era uma coisa interior, emocionalmente e psicologicamente nunca fui muito estável e numa altura em que as hormonas andam descontroladas e passamos por várias mudanças a todos os níveis, este livro ajudou-me a "aguentar" algumas coisas e a sentir que não estava sozinha. Revi-me em muitas coisas relatadas pelos dois jovens aqui presentes, Sónia e Miguel, consegui perceber algumas coisas através das intervenções de Sampaio, no livro, e quis saber, a dada altura, se a Casa Encantada de facto existia.

10. The Howl - Allen Ginsberg - Não, este não é um livro. É um poema longo, de 1956, do poeta norte-americano Allen Ginsberg, que fala dos génios da sua geração que acabaram por se perder, de várias maneiras. O poema é lindíssimo, um dos meus preferidos, mas as imagens que evoca são cruas, foram consideradas obscenas por isso mesmo. Ginsberg é associado à Beat Generation, na qual também se inserem Jack Kerouac e William S. Burroughs, e podem ler este poema aqui.
Há, também, uma adaptação fantástica, com o James Franco, cuja narrativa não é linear: mistura a vida do autor, com a narração do poema, com animação, com cenas a preto e branco, com o julgamento sobre a suposta obscenidade do poema, e James Franco está muito bom neste papel. Aconselho!

(O Top Ten Tuesday é uma rubrica semanal do blog The Broke and the Bookish)

1 comentário:

Marta Dias disse...

Há 3 livros que me deixaste com vontade de ler, o 1, o 5 e o 6.
Então o 6 parece mesmo ser o livro que precisava de ler, gosto de saber sempre mais sobre o holocausto.
"Os filhos da droga" é um dos meus livros preferidos, é tão cru que é impossivel ficar indiferente à história da Christiane F.