12 de agosto de 2013

Wolf Hall - Opinião

Título: Wolf Hall
Autor: Hilary Mantel
Editora: Civilização
Páginas: 658
Sinopse:
"Henrique VIII está no trono, mas não tem herdeiros. O cardeal Wolsey é o conselheiro do rei encarregue de obter o divórcio que o Papa recusa conceder. Neste ambiente de desconfiança e necessidade aparece Thomas Cromwell, primeiro como secretário de Wolsey, e depois como seu sucessor. Cromwell é um homem muito original: filho de um ferreiro bruto, é um génio da política, um subornador, um galanteador, um arrivista, um homem com uma habilidade incrível para manipular pessoas e aproveitar ocasiões. Implacável na procura dos seus próprios interesses, Cromwell é tão ambicioso nos seus objectivos políticos como nos seus objectivos pessoais. O seu plano de reformas é implementado perante um parlamento que apenas zela pelos seus interesses e um rei que flutua entre paixões românticas e fúrias brutais."

Opinião:

Penso que a história do reinado de Henrique VIII, das suas seis mulheres e as reformas que foram operadas durante esse período não são novidade para a ninguém. Figuras como o cardeal Wolsey, o cardeal Cranmer, Thomas More, Thomas Cromwell, a família Boleyn e Seymour também devem fazer soar campainhas nos cérebros de quem gosta e se interessa por este período, como é o meu caso. Este é um livro de ficção histórica que retrata o início desse período conturbado, de grandes mudanças, mas tendo como enfoque principal uma das figuras mais importantes e emblemáticas do reinado de Henrique VIII: Thomas Cromwell.

Cromwell veio de um meio muito humilde. Filho de um ferreiro violento, que quase o espanca até à morte, até chegar à corte do rei e ser o seu braço direito, neste livro traça-se o percurso de Thomas Cromwell desde a juventude até à sua ascensão dentro da corte real. Cromwell é uma das personalidades mais fascinantes e inteligentes que surgiu na época. Já quando estudei um pouco da história de Inglaterra na faculdade Cromwell e More foram das figuras que mais curiosidade suscitaram, da minha parte. 

Cromwell é inteligente, ambicioso, sabe onde se colocar, em que altura, e passa de um simples advogado a serviço do cardeal Wolsey, a um dos homens mais poderosos do reino de Inglaterra. Tudo isto num punhado de anos. Muitas foram as coisas que conseguiu conquistar e longe iam as suas influências. Não me vou prender com muitos detalhes, porque aquilo que conseguiu está em qualquer livro de história ou página da Wikipédia. Mas neste livro em particular vemo-lo a conseguir a anulação do casamento de Henrique e Catarina, para que ele se pudesse casar com Ana Bolena, provocando uma ruptura com a Igreja Católica por conta das doutrinas protestantes que começaram a aparecer, na altura. Vemo-lo nos meandros da corte com os seus espiões, Cromwell sabe sempre tudo o que acontece, quanto se gasta, quem tem o quê, que leis devem ser levadas ao Parlamento, como dar mais poder ao rei, como obter mais poder para si mesmo e beneficiar a sua casa e aqueles que lhe são próximos. Cromwell também era uma espécie de mecenas, que ajudava na educação dos sobrinhos, de rapazes que eram entregues pelos pais para poderem ter uma vida melhor, de outros que se ofereciam para ficar ao serviço da sua casa. E é assim que ele vai, também, passando os seus ensinamentos e criando uma espécie de família que cedo perdera, com a morte da mulher e das filhas.

Gostei imenso deste livro por retratar os bastidores da corte durante este período conturbado, por conhecer mais sobre Cromwell, que me fez ter a certeza que a sua foi das mentes mais brilhantes e interessantes do seu tempo. Adorei ter acesso à mente dele, de ter andado naqueles meandros onde todos conspiram, formam intrigas, querem ascender mais alto, querem cair nas graças do rei e acabar com aqueles que possam representar obstáculos à obtenção dos seus objectivos. Nota-se que a autora teve um exaustivo trabalho de investigação e que conseguiu traduzi-lo numa narrativa bastante coesa e interessante, para retratar um período tão fervilhante em mudanças. O livro termina pouco depois da execução de Thomas More que, tendo sido outra figura importante desta época, era o maior oponente das reformas de Cromwell.

Para quem gosta deste estilo de livros, recomendo bastante. Conseguimos ter uma ideia muito clara e realista de como as coisas se passavam, onde realmente se tomavam as grandes decisões, quem realmente detinha o poder e do que se fazia para o obter. Ressalvo apenas isto: numa época em que se editam tantos livros, já não há razão para haver erros de tradução e revisão. Este livro é um festival de vírgulas. É vírgulas onde faz sentido e onde não faz sentido. Outro pormenor, que não sei se vem da autora ou da tradutora, é o facto de que, no discurso indirecto, a referência a Cromwell é sempre feita através do pronome "ele". Até se pode ter estado a falar, num parágrafo inteiro, sobre o cozinheiro do palácio, e o "ele" do parágrafo a seguir já se referir a Cromwell. Nós é que temos de adivinhar... Isto distraiu-me algumas vezes, porque tinha de reler algumas partes para perceber de que "ele" se estava a falar. Enfim... 

Tirando estas pequenas distracções, que acabamos por nos habituar, este livro vale muito a pena ser lido, principalmente por quem gosta deste período, de ficção histórica e que goste de saber as maquinações que estão por detrás das grandes mudanças e decisões de Estado.

5/6 - Muito Bom

(Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge 2013)

2 comentários:

slayra disse...

Ai. Festivais de vírgulas é do que há mais. As vírgulas antes do "e" numa enumeração dão-me quase um ataque. Muitas vezes há mais do que um "e" na frase porque os tradutores são literais até dizer chega. No inglês utiliza-se frequentemente a estrutura "and... and", mas no português não resulta muito bem; no entanto, em vez de terem isso em conta, os tradutores transpõem a estrutura para o português e como resultado: frases demasiado grandes com o tal festival de vírgulas. O_O

Quanto ao "ele" é mesmo da autora. :)

Tenho este livro lá em casa, tenho de lhe pegar.

Diana Marques disse...

Também achei que o "ele" fosse da autora. Mas pronto, uma pessoa habitua-se e às tantas já sabe que o "ele" é sempre o Cromwell.
Quanto ao que falas sobre a tradução, tens toda a razão. Tem que se ter atenção e ver se algumas coisas resultam, no português, porque até as regras gramaticais diferem de língua para língua. Mas neste livro só achei irritante as vírgulas. De resto, é uma tradução que está bem feita.