7 de janeiro de 2014

O Leque Secreto - Opinião

Título: O Leque Secreto
Autor: Lisa See
Editora: Editorial Presença
Páginas: 296
Sinopse:
"Numa remota localidade chinesa do século XIX, assistimos ao desabrochar de uma das mais belas e inquietantes histórias de amizade. Numa sociedade em que as mulheres desempenham um papel de total submissão, resta-lhes a esperança de um bom casamento para minimizar o facto de serem raparigas - e uns pés delicados e sedutores podem garantir um futuro próspero. O primeiro passo é enfaixá-los com ligaduras para que mais tarde adquiram uma forma e tamanho perfeitos. Este é um momento de grande sofrimento que Lili terá de suportar com apenas sete anos, mas em breve conhece Flor de Neve, a jovem escolhida para ser a sua laotong - uma espécie de irmã de juramento - e estabelece-se entre elas uma ligação emocional que durará a vida inteira. Com o passar dos anos, as duas mantêm uma amizade profundamente sincera e cúmplice, trocando mensagens e poemas em nu shu - uma linguagem secreta feminina - inscritos num leque de seda. Mas um dia os laços de amor que sempre as uniu serão postos em causa...
Obra vencedora do Southern California Booksellers Association Award para melhor romance de 2005."

Opinião:

Depois de ter lido Memoirs of a Geisha, ganhei uma enorme curiosidade para com a cultura oriental. Por isso parti para a leitura deste O Leque Secreto, que se passa durante o século XIX numa pequena localidade rural chinesa e tem como foco a relação entre duas mulheres: Lírio e Flor de Neve. No desenrolar da história destas duas personagens, da sua relação desde crianças até à maturidade, podemos tomar contacto com algumas tradições seculares em vigor nessa altura nas quais duas se destacam: o doloroso enfaixe dos pés, que começa quando as raparigas têm por volta dos seis ou sete anos, e o nu shu, uma linguagem secreta entre mulheres que servia, no fundo, para lhes dar voz sem que os homens tivessem conhecimento dessa linguagem. No meio de todos os rituais, tradições e modo de vida, assistimos ao nascimento de uma relação de amor profunda, ainda mais importante do que o laço que une esposa e marido: Lírio e Flor de Neve são laotong, "amigas-irmãs". 

Para mim, o cerne deste livro é esta relação, com a história e costumes chineses do século XIX por trás. A relação de amizade e amor que é construída, que se desenvolve, que passa por dificuldades, supera as maiores provas da vida e que se vê por um fio. Foi isto de que realmente gostei e do facto da autora ter demonstrado tão bem as falhas que pode ter um ser humano mesmo quando confrontado com a realidade dolorosa de alguém que amamos mas que, por mais que queiramos, não conseguimos compreender. Esta amizade não é perfeita porque as pessoas envolvidas não são perfeitas. O caminho é feito de erros, de tentativas, de redenção, de amor e perdão. Apesar desta amizade ser tão profunda, as circunstâncias da vida acabam por cegar os olhos às coisas que não queremos ver, ou que nos é mais confortável não ver. 

Achei um livro muito bonito por mostrar esta dinâmica nas relações: há sempre falhas, por mais que se ame. Contudo, o laço que une Lírio e Flor de Neve é belíssimo e forte, provando ser maior do que tudo. Para além da relação entre as duas, adorei o contexto em que a narrativa se insere, que me permitiu conhecer um pouco mais da cultura chinesa da época, sobre o papel da mulher na sociedade, os seus deveres e funções e como ela era vista pelos demais. Concluindo, gostei da sua escrita, das personagens e do contexto histórico e fiquei com ainda mais curiosidade em ler mais coisas sobre a China na época imperial.

4/6 - Bom

(Este livro conta para os desafios: TBR Pile Reading Challenge, para o Monthly Keyword Challenge e para o Monthly Motif Challenge)

1 comentário:

Inês Santos disse...

Infelizmente o meu rol de livros orientais é muito pequeno, mas quando leio gosto.
Achei piada ao nome das personagens e interessante às fases que elas passam que referes. De qualquer maneira fico um pouco de pé atrás quando a história principal não se baseia num par e sim em amigas/família, mas de qualquer forma, logo no primeiro paragrafo da tua opinião fiquei curiosa.