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A Casa das Sete Mulheres - Opinião

Título: A Casa das Sete Mulheres
Autor: Leticia Wierzchowski
Editora: Record
Páginas: 511
Sinopse (do Goodreads):
"A Casa das Sete Mulheres é um envolvente romance histórico e de amor no cenário da Revolução Farroupilha de 1835, no Rio Grande do Sul. O romance mistura magistralmente realidade e ficção, narrando a aventura de sete mulheres da família de Bento Gonçalves, general e chefe da revolução que pretendia a república, a abolição da escravatura e a independência do Rio Grande do Sul, no Brasil da primeira metade do século XIX. (...)Com uma visão decididamente feminina e em volta de personagens centrais femininas, a autora descreve também cenas de batalha dignas de um livro de acção, em volta de fortes personagens masculinos."

Opinião:

Aproveitei o facto de estar a fazer este mês dedicado a autores da América Latina para ler este livro sobre o qual tinha imensa curiosidade, depois de uma opinião tão boa da Cat SaDiablo. Como soube que a biblioteca da minha faculdade o tinha, decidi ir buscá-lo e começar esta temporada com este livro colossal.

A Casa das Sete Mulheres conta-nos a história da Revolução Farroupilha que se iniciou em 1835 e se prolongou por dez anos, no Rio Grande do Sul, no Brasil. Na sua génese esteve os altos impostos pagos sobre os produtos produzidos por essa região e o descontentamento político com o governo imperial, uma vez que se reclamava uma maior autonomia para as províncias. A isso, posteriormente, juntou-se a luta contra a escravatura. Assim começa uma revolta liderada pelo General Bento Gonçalves da Silva, apoiado por outros militares, e que vai crescer para algo muito maior do que inicialmente se pretendia: a deposição do Imperador e a proclamação da República do Rio Grande do Sul.

Este é o cenário para a história que nos é contada neste livro. Todos estes anos de guerra, de angústia, de tristeza e perda, são-nos contados pelo ponto de vista das mulheres da família de Bento Gonçalves, que estão refugiadas na Estância da Barra, em segurança. E são estes dez anos de espera e de infortúnios que nos são descritos, ora através de um narrador omnisciente, ora através de cartas enviadas pelos homens que batalham, ora narrados por Manuela, uma das sobrinhas de Bento Gonçalves. Uma das sete mulheres.

Este livro está magnificamente bem escrito. Penso que nas mãos de outro escritor este livro poderia facilmente tornar-se enfadonho, mas Leticia Wierzchowski descreve tudo com uma sensibilidade tal, que nos consegue transmitir cada detalhe, cada emoção. Seja a descrição das paisagens dos pampas, o dia-a-dia das mulheres na Estância, as cenas terríveis e sangrentas no campo de batalha, os sentimentos mais profundos de cada personagem, a angústia da espera, da solidão, ou a incomensurável tristeza de receber a notícia da morte de um familiar, tudo tem impacto no leitor. Dei por mim a sonhar com o livro!

Gostei muito deste livro porque para além de me permitir saber mais um pouco sobre a história do Brasil, é um excelente romance histórico com uma prosa deliciosa e que nos permite ter uma perspectiva diferente da guerra. Esta perspectiva feminina confere-lhe uma certa suavidade, um certo encanto, que contrasta com os momentos mais violentos da guerra. Temos tudo neste livro: vida e morte, amor e desamor, solidão e companheirismo, angústia e fé. E sete mulheres que se tornaram pilares umas das outras. Além disso, li este livro na versão original, com expressões tipicamente daquele tempo e daquele lugar, algo que me transportou completamente, porque parecia que estava a ler um romance escrito mesmo no século XIX. A linguagem é um dos pontos fortes deste livro, sem dúvida.

O que me falta dizer mais? Falta dizer tanta coisa... Mas se calhar fica isto: um livro sobre mulheres de coragem num tempo que dizimou tantos e enfraqueceu outros tantos. Paisagens e cenários magníficos, passagens ricas em detalhe e em poesia e uma história tão monumental quanto parecem ter sido esses dez anos da história brasileira.

5/6 - Muito Bom


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