16 de maio de 2014

O Velho que Lia Romances de Amor - Opinião

Título: O Velho que Lia Romances de Amor
Autor: Luis Sepúlveda
Editora: ASA
Páginas: 110
Sinopse:
"Concebido como um romance de aventuras e como uma homenagem ao mundo amazónico, hoje tão violentamente agredido, O Velho que lia Romances de Amor conta a história de António Proano, um homem que vive numa aldeia isolada no interior da floresta e que um dia é forçado a partir em perseguição de um predador que assola as proximidades, atacando pessoas e animais."

Opinião:

Confesso que, quando peguei no livro, pensei que a história fosse sobre livros. A referência a um velho que lia romances de amor, pensei que fosse sobre o impacto que os livros têm em nós ou qualquer coisa desse género. Mas não. Este livro é sobre o impacto que temos no meio ambiente. É sobre a nossa ignorância e medo perante aquilo que não conhecemos e que se transforma, automaticamente, na suposição de que se não conhecemos é mau, é perigoso.

Antonio Bolívar é um homem que vive numa povoação no interior da floresta amazónica e que durante um período da sua vida, apesar de ser "branco", se conseguiu integrar na tribo dos índios xuar. Como ele diz várias vezes, era como eles, mas não era um deles. Através dele e daquilo que o rodeia, podemos perceber o modo de vida dos índios, os seus princípios e valores quanto à natureza e os animais que os rodeiam, mas também as noções pré-concebidas dos colonos e a sua altivez perante aquilo que não conhecem bem. Os índios, para eles, são sempre os maus da fita.

Sepulveda é incrivelmente descritivo no que toca à floresta amazónica. Enquanto lia o livro, parecia que conseguia sentir aquele calor tropical sufocante da floresta, imaginava a densidade das plantas e os animais que lá habitam. Os colonos são vistos como invasores daquela ordem natural e são eles que trazem a desordem, que desestabilizam o equilíbrio entre o homem e a floresta, e é este que acaba por ser o tema do livro.

Gostei do livro pelas suas descrições e pela sensibilidade de Antonio, o velho que lia romances de amor. Antonio não era índio mas, depois do seu regresso à povoação, também não se sente completamente integrado. Acaba por fazer parte dos dois mundos, percebe ambos, mas há sempre uma mágoa sobre aquilo que os colonos destróem, sobre o espaço que roubam à floresta.

Há uma profunda injustiça do homem para com a natureza que Sepúlveda quis captar aqui e penso que o fez muitíssimo bem. Destruímos em vez de preservar. Achamo-nos os donos de tudo em vez de respeitar os espaços. Não achei uma obra grandiosa, mas gostei do livro e da mensagem que o autor quis passar. Aconselho!

4/6 - Bom


3 comentários:

helena frontini disse...

Aprecio, particularmente, os escritores sul americanos e esta obra tocou-me.

Manuel Cardoso disse...

É o meu livro preferido deste genial escritor:)
Gosto das suas causas, ecológicas mas também humanísticas, mas gosto ainda mais da sua escrita tão fluida e ao mesmo tempo tão cuidada...

Diana Marques disse...

Ainda tenho curiosidade em experimentar mais obras do Sepúlveda :)