30 de setembro de 2014

Top Ten Tuesday - 10 Livros cuja leitura tenha sido difícil


Seja pela escrita, seja pelo tema, pelo tipo de história, houve livros que me marcaram neste aspecto e cuja leitura foi um pouco difícil. Ora aqui vai o meu top 10 com livros desse género

1. Beloved, da Toni Morrison - Foi o livro mais recente deste género que li e, por isso, o primeiro que me veio à cabeça. Retratando momentos da escravatura nos Estados Unidos, há momentos que até nos fazem sentir envergonhados com a raça humana. Além disso, é um livro cuja narrativa, por vezes, não é linear, havendo saltos temporais, misturando o presente com sonhos e com memórias, com uma aura por vezes opressiva e mais melancólica, roçando o terror. É preciso ter muita atenção, em alguns momentos, mas é um livro muito recompensador.

2. The Bell Jar, da Sylvia Plath - Um dos meus livros favoritos, mas não um livro fácil de se ler. Trata da descendência à depressão, de internamentos em hospitais psiquiátricos, da terapia de choque tão em voga nos anos 50, e tem um ambiente por vezes claustrofóbico. Lembro-me que a primeira leitura me custou bastante, apesar de ter gostado. Mas com as releituras fui sabendo apreciá-lo melhor.

3. The Road, de Cormac McCarthy - A imagem que me vem à memória, quando falo neste livro, é de um pai e um filho no escuro. Quase como se não houvesse cenário, como se à volta deles estivesse o vazio. É um livro comovente, mas com um cenário muito estéril, do qual se sabe muito pouco, onde o perigo espreita em todo o lado, e a viagem deste pai e do seu filho, que é mais uma fuga do que uma viagem, parece a única fonte de vida no livro.

4. Johnny Got His Gun, de Dalton Trumbo - Este livro revelou-se tão difícil que nem sequer consegui acabá-lo. É demasiado depressivo e complicado de seguir, uma vez que conta a história de um soldado ferido na Primeira Guerra Mundial, e que ficou sem olhos, nariz, boca, ouvidos, braços e pernas. Sem meio de comunicar com o exterior, seguimos a narrativa pelos seus pensamentos, memórias, pesadelos, reflexões. Nada é linear, por  vezes as coisas são confusas e a história de Johnny é demasiado pesada e agonizante.

5. Night, de Elie Wiesel - Aqui temos uma narrativa biográfica do autor, sobre os anos que passou no campo de concentração de Birkenau até ao fim da guerra. Acho que não é preciso especificar muito mais, pois não?

6. 1984, de George Orwell - Mais um livro cinzento, ou não fosse ele uma distopia, em que tudo é tão controlado que por vezes parece que nem conseguimos sentir as emoções das personagens. Nesse aspecto, é um livro que passa muito bem para o leitor a sensação de se viver num regime daqueles e naquelas condições. Ainda assim, senti alguma dificuldade na leitura, porque me senti oprimida, tal como as personagens do livro.

7. American Psycho, de Bret Easton Ellis - Gostei bastante deste livro, mas está cheio de imagens perturbadoras, para todos os gostos: alucinações, violações, mutilações, canibalismo, tortura, sadismo... Não é de ânimo leve que se lê este livro.

8. The Wasteland, de T. S. Eliott - Este foge à ficção. Este é um poema longo do período Modernista, dividido em cinco secções. Carregado de simbolismo, de reflexões filosóficas, muito difícil de lhe descortinar o significado. Passei um semestre a analisá-lo, na faculdade, e odiei-o. Mas marcou-me, ficou na cabeça, e depois de o ler, mesmo não apanhando todos os significados, acabei por conseguir apreciá-lo.

9. Vendidas, de Zana Muhsen - Lembro-me que li este livro com uns doze ou treze anos e foi um choque. O livro conta a história real de Zana, e da sua irmã, que foi vendida pelo pai para casar com um homem no Iémen. Zana, cuja educação era ocidental, uma vez que a sua família estava em Inglaterra, vê-se, de repente, no seio de uma cultura completamente diferente, e numa realidade brutal. O livro conta todas as atrocidades que foram cometidas, a luta para se salvar a si e à sua irmã, para sair do casamento e para, mais tarde, poder ficar com os filhos. É uma história de coragem e força, mas que marca bastante e há cenas que continuam vivas na minha memória.

10. Crime e Castigo, de Dostoiewsky - Li este livro numa tradução muito má e adorei. Por isso estou curiosa para o ler numa tradução óptima, porque o resultado só pode ser fenomenal... O tema do livro não é fácil e há momentos em que não sabemos o que é real, o que é sonho, o que é a culpa do protagonista, e que torna tudo um pouco confuso. Agora juntem-lhe a má tradução... Este é dos livros que tenho mais curiosidade em reler, porque apesar de não ser uma leitura fácil, é super interessante e fascinante ver as consequências da culpa numa pessoa.

O Top Ten Tuesday é uma rubrica semanal da autoria do blog The Broke and the Bookish

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