27 de maio de 2015

2001: A Space Odyssey - Opinião

Título: 2001: A Space Odyssey
Autor: Arthur C. Clarke
Lido no Kobo
Sinopse
:
"Written when landing on the moon was still a dream, made into one of the most influential films of our century, brilliant, compulsive, prophetic, 2001: A SPACE ODYSSEY tackles the enduring theme of man's place in the universe.On the moon an enigma is uncovered. So great are the implications that, for the first time, men are sent out deep into the solar system. But, before they can reach their destination, things begin to go wrong, horribly wrong."

Opinião:

Este foi um livro que comecei a ler no verão de há dois anos atrás e desisti. Agora voltei a pegar nele e finalmente consegui lê-lo. Só prova que há alturas certas para se ler determinados livros, e que o problema nem sempre é o livro em si mas o momento em que o lemos.
Uma das coisas que desconhecia é que a história deste livro foi desenvolvida ao mesmo tempo que o projecto para o filme com o mesmo nome realizado por Stanley Kubrik, e foi publicado depois do filme ter sido lançado. Como ainda não vi o filme, fiquei curiosa para o ver e perceber as semelhanças e como se complementam.

2001 é, de facto, uma odisseia no espaço. O espaço é o protagonista deste livro. A busca de respostas nesse espaço infinito do qual ainda sabemos tão pouco. A procura nas estrelas, nos planetas, satélites, saber mais sobre povos alienígenas e sobre nós próprios também. Nesse sentido, posso dizer que as descrições da paisagem do universo abundam e são o foco deste livro, uma vez que a história se passa, maioritariamente, no espaço. 

Clarke apresenta-nos aqui três fios narrativos que vão acabar por se cruzar na parte final do livro. O primeiro fio narra-nos como um monolito aparece inesperadamente no continente africano, no início da civilização, e que terá estimulado o desenvolvimento da inteligência nos seres humanos, há mais de 3 milhões de anos. No segundo fio passamos já para o fim do século XX da nossa era, onde um grupo de cientistas e astronautas viajam para a Lua, onde há uma colónia, e onde descobriram um monolito numa das crateras. Esse monolito é semelhante ao da primeira parte, é tido como criação de seres inteligentes e tem mais de 3 milhões de anos. O terceiro fio, que acaba por unir os outros dois, é quando encontramos uma nave espacial, a Discovery One, que tem a missão de ir a Saturno. Nela estão cinco pessoas, sendo que três estão em animação suspensa e serão acordados quando a nave chegar a Saturno. É nela que também temos o tão famoso HAL 9000, o computador de inteligência artificial que ajuda a manter a navegação da nave.

Este livro aborda vários temas interessantes: a vida alienígena, a inteligência artificial, os perigos da tecnologia, a evolução e o progresso, a exploração espacial e também os medos da guerra fria com a presença dos perigos de uma guerra nuclear. Nesse aspecto o livro adquire um tom quase filosófico na abordagem a algumas destas questões e é, de facto, interessante, deixando-nos a pensar nestes temas e no quanto o livro ainda se mantém actual apesar de já se terem passado quase 50 anos. Acho que o final é maravilhoso e inesperado e fiquei a pensar se, de facto, será possível evoluirmos para um estado tão livre e imaterial.

Por outro lado, o livro não me apelou tanto nem me deixou tão agarrada por causa das personagens. Aqui, o ser humano é quase um adereço, é secundário. E apesar de haver algumas personagens importantes, elas não são desenvolvidas e não senti grande ligação ou empatia para com elas. Mas isto é propositado, penso eu, porque o grande foco é o espaço, o universo, o desconhecido e toda aquela paisagem que ainda provoca, ao mesmo tempo, estranheza, admiração e até algum medo. Por isso, o livro é cheio de pormenores técnicos sobre o funcionamento das naves e da navegação espacial, da vida na colónia lunar, pormenores científicos sobre os planetas e os seus satélites, sobre aquilo que habita a milhares de anos luz daqui do nosso cantinho terrestre. Penso que poderá ser interessante para quem gosta dessa parte mais científica mas para quem, como eu, não percebe muito e esperava algo mais humano, se calhar algumas partes podem parecer enfadonhas. Foi o que eu senti e, por isso, não me liguei tanto à história. Ainda assim, gostei do livro e ainda bem que voltei a pegar nele.

4/6 - Bom

(Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge)

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