4 de novembro de 2015

Hell House - Opinião

Título: Hell House
Autor: Richard Matheson
Lido no Kobo
Sinopse:

"The Hell House is a haunted mansion called the Bellasco House that lures people in and doesn’t let them go. There are several expeditions that are started on staying for a while in this house, one of them which is also sponsored by a millionaire. A group consisting of psychics and also scientists are given the assignment to spend a week in this house, so they can prove or disprove forever that the afterlife exists then strange things begin to happen."

Opinião:

Comecei a ler este Hell House no espírito de Halloween. Achei que era uma boa escolha, e eu até gosto de casas assombradas e coisas que tais, por isso parti para a sua leitura. Esta casa dos infernos é descrita no livro, antes das personagens lá chegarem, como o Monte Evereste das casas assombradas, algo que ainda criou uma expectativa maior em mim.

Este livro tem quatro personagens: o Doutor Lionel Barrett, que é um cientista, um físico empenhado a provar que tudo tem uma explicação científica, a sua mulher Edith, que o acompanha, Florence Tanner, uma médium mental, e Benjamin Fischer, um médium físico. O que não é bem explicado é a diferença entre ser médium mental e físico, mas eu acabei por deduzir a diferença: o médium mental sente a presença de espíritos, consegue vê-los, comunicar com eles, coisas desse género, enquanto o médium físico consegue incorporar esses espíritos, e eles falam e agem através da pessoa. São estas quatro pessoas que vão para a mansão Belasco, conhecida como "Hell House", a pedido de um milionário à beira da morte que quer saber se há vida para além da morte. Aquela é considerada a casa mais assombrada no mundo e é lá que vão fazer a investigação.

O nome da casa, vimos a saber, advém dos actos horríveis e perversos que lá se praticava, assim uma mistura de Aleister Crowley com Marquês de Sade - acho que já ficam com uma ideia. Para além desses actos, muita gente morreu naquela casa. Benjamin Fischer é, aliás, o único sobrevivente de uma tentativa anos antes de perceber o que a assombra. A mansão Belasco é opressiva, envolta num nevoeiro permanente, com as janelas todas entaipadas, sem luz, rodeada de um pântano e com uma história pesada, mórbida, assustadora. Tudo isto faz prometer uma grande história de casa assombrada. Mas, para mim, não houve nenhuma ligação nem entusiasmo.

Parece que estava sempre à espera que algo de verdadeiramente assustador acontecesse, apesar de haver bastantes manifestações sobrenaturais. A escrita do autor, apesar de clara, era demasiado objectiva e não senti que a construção do ambiente estivesse bem feita de forma a permitir ao leitor embrenhar-se na atmosfera daquela casa. Não me senti a deambular naqueles corredores e salões receosa do que poderia encontrar. Não senti o suspense nem a ameaça do sobrenatural. Há coisas repetitivas, distracções dos eventos principais e isso acabou por fazer com que eu lesse algumas partes na diagonal. E depois o fim é quase anti-climático.

Em conclusão, foi um livro que não me entusiasmou, apesar do seu potencial. Tem os elementos todos para ser um bom livro e para causar alguns sustos, mas a escrita do autor não o permite. Às vezes é demasiado técnica e descritiva, com algumas repetições e desvios ao tema principal, que acabam por distrair em vez de apelar aos sentidos do leitor. É um livro razoável, que não correspondeu às minhas expectativas no que toca à construção de um ambiente sobrenatural e misterioso, e com o qual não consegui sentir a mínima empatia, apesar daquilo que as personagens sofrem com as assombrações e os actos violentos da casa.

3/6 - Razoável


(Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge)

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