8 de setembro de 2016

The Way of Kings - Opinião

Título: The Way of Kings (Stormlight Archive #1)
Autor: Brandon Sanderson
Editora: Tor Books
Páginas: 1252
Sinopse:
"I long for the days before the Last Desolation. Before the Heralds abandoned us and the Knights Radiant turned against us. When there was still magic in Roshar and honor in the hearts of men.

In the end, not war but victory proved the greater test. Did our foes see that the harder they fought, the fiercer our resistance? Fire and hammer forge a sword; time and neglect rust it away. So we won the world, yet lost it.

Now there are four whom we watch: the surgeon, forced to forsake healing and fight in the most brutal war of our time; the assassin, who weeps as he kills; the liar, who wears her scholar's mantle over a thief's heart; and the prince, whose eyes open to the ancient past as his thirst for battle wanes.

One of them may redeem us. One of them will destroy us."

Opinião:

Olhem, nem sei por onde começar... Depois de 5 meses a ler este livro (na prática foram 4, porque fiz uma interrupção em Junho/Julho) terminei-o ontem, sendo que as últimas 300 páginas foram lidas num ápice.  E nem sei por onde começar esta opinião porque este livro é tão grandioso, que qualquer coisa que eu vá dizer será pouco quando comparado com a magnitude da obra.

Não vou entrar em detalhes sobre o enredo porque nunca mais saía daqui. Mas, apesar de o livro ser bastante grande, não tem um leque grande de personagens como têm os livros do Martin, por exemplo. Aqui o foco principal são quatro personagens, Kaladin, Dalinar, Shallan e Szeth, e a narrativa gira à volta das suas vidas. Como cenário temos Roshar, que é o mundo criado por Sanderson, que consta numa ilha, ou supercontinente, dividida em vários reinos cada um com as suas especificidades. Há várias raças, várias crenças religiosas, várias versões das lendas e mitos que são centrais à narrativa, nomeadamente em relação a umas figuras chamadas Knights Radiants, e as distinções sociais fazem-se tendo em conta a cor dos olhos de cada um. Os de olhos claros, "lighteyes", ocupam estatutos mais elevados, fazem parte da elite e goveram os territórios, enquanto os de olhos escuros, "darkeyes", ocupam os estratos sociais mais baixos e são governados pelos de olhos claros. Existem vários sistemas de magia, cada um mais interessante e diferente do outro, criaturas estranhíssimas que só habitam este mundo, e cavaleiros com espadas que se formam a partir da bruma e que lhes pertencem só a eles, as Shardblades.

Somos apresentados a este mundo e a cada página que avançamos vamos descobrindo mais. Sem qualquer tipo de anexos ou explicações, com a excepção de alguns mapas e rascunhos de uma das personagens, cabe ao leitor pintar as paisagens deste livro, que são fascinantes e diferentes de tudo o que li até agora. Há sempre coisas a acontecer, enigmas para serem descobertos, histórias que vão avançando ao seu ritmo e que pedem para serem lidas com calma e atentamente. E temos um bocadinho de tudo: intriga política, filosofia, religião, magia, guerras, questões de ordem social, assassinatos, mistérios, a história da própria Roshar, questões identitárias... Tanta coisa!

Confesso que, no início, pensei que me fosse aborrecer com tanta página e porque o ritmo não é, propriamente, rápido. Não é uma leitura com imensos momentos de acção e com imensas reviravoltas. É mais uma apresentação ao mundo de Roshar em muitas das suas vertentes, é fazer o leitor entrar e deixar-se enredar por todas as suas características, pelas pessoas que nele habitam, pelos seus mistérios, complexidades e pela sua magia. É apegar o leitor às personagens e fazê-lo sofrer, questionar e ansiar como elas. Os grandes momentos estão guardados mais para o fim e fizeram-me querer começar a ler o próximo livro já de seguida, porque apesar de haver algumas revelações e momentos "tcharan", fica tudo em aberto e aguçam o apetite para o que há de vir. Penso que o livro seguinte terá um ritmo mais rápido, porque este livro serve como introdução àquele mundo tão estranho que é Roshar e a todas as suas dinâmicas.

Eu adorei este livro. Sim, levei 5 meses a lê-lo, mas soube-me tão bem! Nunca me aborreci, Sanderson consegue manter o leitor interessado mesmo com um livro tão grande, e achei fascinante todo o mundo e todas as personagens. É daqueles livros que se desfruta com calma e com atenção aos pormenores. Fiquei com muitas questões, com muita vontade de não sair de lá e de acompanhar o resto das personagens, mas o facto é que o autor ainda está a escrever esta saga e só está publicado o volume seguinte.

Aconselho vivamente este livro a quem gosta de fantasia épica no seu melhor. É uma criação extraordinária e imaginativa, um mundo do qual não queria sair, e com personagens interessantes e muito bem construídas, com uma profundidade emocional e psicológica que nos fazem viver as coisas que eles vivem. Não sei se vou ler já o próximo livro, porque quero ler outras coisas antes de passar mais 5 meses em Roshar. Mas que deu vontade de pegar no próximo livro assim que pousei este, lá isso deu!

6/6 - Excelente

Edit: A Patrícia do Ler Por Aí, andou a ler este livro na mesma altura que eu. E porque boas opiniões sobre um livro que adorámos nunca são demais, aqui fica a opinião dela.

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