20 de janeiro de 2020

The Secret History - Opinião

Título: The Secret History
Autor: Donna Tartt
Editora: Penguin Books
Páginas: 629
Sinopse:
"Under the influence of their charismatic classics professor, a group of clever, eccentric misfits at an elite New England college discover a way of thinking and living that is a world away from the humdrum existence of their contemporaries. But when they go beyond the boundaries of normal morality their lives are changed profoundly and for ever."

Opinião:

Quando parti para esta leitura, nunca tendo lido nada da autora, já sabia que os livros de Donna Tartt não reúnem consenso. Por esta mesma razão ainda tive maior vontade de o ler para perceber o porquê das várias opiniões, começando este livro com muita curiosidade.

Nas primeiras páginas do livro percebemos logo que há um crime que é cometido e uma das personagens morre. O que aconteceu até esse momento é contado por Richard, um dos seis alunos que estão na faculdade a aprender grego antigo. O facto de serem somente seis numa turma a aprender algo que mais ninguém aprende, fazem-nos crer que estão numa espécie de elite, que são um grupo de jovens privilegiados e mais sofisticados do que os outros. Para além de Richard, um rapaz da California oriundo de uma família pobre, seguimos pelos seus olhos a vida universitária em Vermont juntamente com os seus colegas Henry, Francis, Bunny e os irmãos gémeos Charles e Camilla. 

E o que é que eu tenho a dizer? Gostei bastante deste livro, mas percebo porque é que algumas pessoas têm sentimentos mistos ou não gostam deste livro. Não é um livro difícil, mas por vezes pode soar pedante, as personagens snobs e altivas, demasiado fechadas no seu círculo e, por isso, pode levar a que alguns leitores simplesmente não queiram saber do que lhes acontece. 

Para mim, este livro fala-nos de jovens à procura da sua identidade e do seu lugar no mundo dos adultos. Todos têm as suas inseguranças e sentem-se profundamente atraídos pela cultura clássica, tentando emular alguns rituais, como os de Dioníso, numa tentativa de parecerem sofisticados, cultos e sábios, como aqueles que eles admiram. Se podem parecer pretensiosos? Sim, completamente. Mas acho que é esse o objectivo da autora quando os caracteriza desta forma. São as suas inseguranças e os seus medos que propiciam as suas acções, provando que apesar de todas as suas tentativas em parecerem mais do que aquilo que são, estes jovens são imaturos, auto-isolam-se da restante comunidade escolar, esperando alcançar a sofisticação e a intelectualidade do mundo da Grécia antiga. 

Há, ainda, uma tentativa de escape para todas as personagens - escape às suas famílias, às realidades que deixaram para trás quando ingressaram na universidade, até um escape à restante comunidade escolar na qual, provavelmente e a nível individual, não se conseguiriam incluir. Estas personagens encontram pontos em comum neste aspecto: não se encaixam em mais lado nenhum. E é esse sentimento de pertença que os une numa relação de amizade intensa, mas que acaba por afastá-los das restantes pessoas. 

Gostei bastante do livro pelo percurso que fazemos e pela forma como vamos conhecendo aquelas personagens. Apesar de a narrativa ser contada através do ponto de vista de uma das personagens, Richard, inicialmente o outsider do grupo, senti sempre isso mesmo, que Richard nunca fez parte desse grupo, de forma completa, e isso acaba por toldar a visão dele sobre os acontecimentos que narra. Há culpa, remorso, tristeza, talvez até solidão e uma certa nostalgia de olhar para um passado que, não estando isento de actos condenáveis, transporta-o para um período de descoberta, de experiências novas, de amizade e pertença. Porque todos nós, de uma forma ou de outra, mais ou menos, queremos pertencer a algum lado. E o que torna a leitura compulsiva não é tanto saber o que aconteceu no que diz respeito ao crime propriamente dito, mas sim de que forma as acções tomadas têm consequências a nível individual e na dinâmica de grupo. 

5/6 - Muito Bom

(Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge 2020)

2 comentários:

Carlos Faria disse...

Dela li o Pintassilgo e gostei, embora digam que infantilizou a estória em nome do sucesso.

Diana Marques disse...

Pois, agora fiquei curiosa para ler esse.