3 de janeiro de 2010

A Casa da Floresta - Opinião

Autor: Marion Zimmer Bradley
Título Original: The Forest House (1993)
Editora: Difel
Páginas: 544

Acabei hoje a leitura de mais um livro, o primeiro de 2010, se bem que foi um livro que comecei a ler no ano passado. A Casa da Floresta, de Marion Zimmer Bradley precede, cronologicamente, a saga d'As Brumas de Avalon e situa-se nos primórdios da ocupação romana na ilha da Bretanha. Para além da descrição dos factos históricos relacionados com a conquista da ilha, temos todas as complicações políticas e religiosas que daqui vieram.

Assim, podemos considerar que há dois núcleos de personagens: os celtas e os romanos. Do lado celta temos Eilan, uma rapariga inocente, ingénua, mas que sempre manifestou interesse em juntar-se às sacerdotisas e servir a Grande Deusa. Filha de um druida, Bendeigid e neta do arquidruida Ardanos, Eilan acaba por se juntar às sacerdotisas da Casa da Floresta e, posteriormente, torna-se Grã-Sacerdotisa.
Do lado dos romanos temos Gaius Macellius, filho de um oficial romano e de mãe inglesa. Embora educado com os valores e ensinamentos romanos, pareceu-me que Gaius nunca se enquadrou nem se identificou completamente com esta sociedade.
O destino destas duas personagens está entrelaçado, já que se conhecem quando Gaius é ferido numa armadilha para javalis e é a família de Eilan que toma conta dele durante o processo de convalescença. Os jovens acabam por se apaixonar durante o festival celta de Beltane (festival da fertilidade, de comemoração da Primavera) e a partir daí seguimos as suas aventuras e desventuras feitas de encontros e desencontros furtivos, já que não podem ficar juntos.
De um modo geral gostei deste livro, principalmente porque sou grande apreciadora da história e cultura celta e este livro transporta-nos para o centro dos rituais religiosos e das tradições dessa sociedade. Adorei a sacerdotisa Caillean que se revelou uma mulher forte, íntegra, convicta dos seus ideais e que queria proteger ao máximo a tradição e poder feminino da Casa da Floresta. Protectora da antiga Grã-Sacerdotisa Lihannon e, posteriormente, de Eilan, Caillean é talvez a minha personagem favorita a par com Eilan.
Gostei especialmente do ambiente que rodeia a Casa da Floresta, onde as raparigas se tornam sacerdotisas, os rituais de adoração à lua, os festivais de Samaine e de Beltane, e todas as suas tradições religiosas de culto à natureza e à Grande Deusa.
Contudo, a narrativa é alternada: ora vemo-nos transportados à Casa da Floresta e à sociedade celta; ora estamos nos campos das legiões romanas, seja na Bretanha, Germania ou em Roma. E era precisamente esta parte que me aborrecia... Não sei se por querer saber mais sobre a parte celta, dei por mim a saltar algumas partes ou a ler na diagonal os capítulos relacionados com a vida de Gaius. Achei que o cerne da história era o amor proibido entre Eilan e Gaius e que tudo o que estava pelo meio, nomeadamente da parte romana, como as batalhas, a política, a ascenção de poder de Gaius, etc, era palha. Não por não serem importantes, mas por serem descritas com demasiada exaustão e pormenor. Além disso, Gaius revelou-se uma personagem decepcionante, a meu ver, principalmente quase no fim do livro.
De notar ainda o poder feminino nas suas histórias. A mulher aqui tem um papel muito forte, primordial e é a base da sociedade celta. É ela que gera, que dá à luz os homens que vão lutar pela sua terra. É ela que dá a vida mas também que retira força da vida que os homens dão por ela. É a mulher que tem o poder da visão sobre as coisas, sobre o futuro e os homens têm que se guiar pelas suas palavras. A mulher tem aqui um papel simbólico e místico de que eu gostei bastante.

4/6 - Bom

2 comentários:

Morrighan disse...

Olá =)

Eu adorei este livro! Não foi o meu preferedio, mas gostei bastante. Deixei a minha opinião aqui:
http://branmorrighan.blogspot.com/2009/12/casa-da-floresta-marion-zimmer-bradley.html

Quanto à saga Avalon deixei uma pequena sugestão para a ordem de leitura dos livros ;)

Tem um bom 2010, cheio de grandes leituras!

Diana disse...

É essa a ordem que também vou seguir antes de ler os quatro livros das Brumas de Avalon. Dos que nomeaste só não li a Queda da Atlântida.

Um bom 2010 também para ti!