5 de abril de 2010

Wuthering Heights - Opinião

Título: Wuthering Heights
Autor: Emily Bronte
Editora: Penguin
Páginas: 279
Sinopse:
"One of the most passionate and heartfelt novels ever written, Wuthering Heights tells of the relationship between Catherine Earnshaw and Heathcliff, the orphan boy her father adopted and brought to Wuthering Heights when they were children.
While Catherine forms a deep attachment to Heathcliff, her brother Hindley despises him as a rival. Heathcliff becomes torn between love for Catherine and the rage and humiliation he suffers. Finally he can stand it no longer and, in the violence of a summer storm, leaves the Heights for three years.
During his absence Catherine has married, but her tormented heart belongs eternally to Heathcliff who is now prepared to exact his tyrannical revenge.
With its freedom from social convention and its unparalleled emotional intensity, Wuthering Heights is a highly original and deeply tragic work."

Opinião:

Li este livro no âmbito de uma mini leitura conjunta que foi feita no fórum Estante de Livros. A leitura durou cerca de 3 semanas e aqui fica a minha opinião final sobre Wuthering Heights, de Emily Bronte.

Toda a narrativa é contada em segunda mão. Temos Mr. Lockwood que escreve no seu diário a narrativa que, por sua vez, Nelly lhe conta quando ele ficou doente em Thrushcross Grange. Além disso a história também atravessa duas gerações. Inicialmente temos o triângulo principal formado por Hindley e Catherine Earnshaw, que são irmãos, e Heathcliff que é trazido para casa pelo pai de ambos e criado como membro da família. Porém, se Heathcliff no início é mal tratado por Hindley, é este que começa a ser deixado para trás e a ser preterido por Mr. Earnshaw, o pai. Quando o pai morre, as suas posições voltam ao que eram: Hindley como dono da casa e Heathcliff como empregado, já que não tem laço de sangue com a família. E, na minha visão, é sempre este jogo de posições que está em causa durante todo o romance: quem tem uma posição social mais baixa quer vingar-se dos que têm posição social mais elevada.

Para além disso temos o tal amor entre Catherine e Heathcliff. A relação deles é uma relação de amor-ódio, tanto é "eu amo-te, quero-te aqui" como a seguir já é "odeio-te, vai-te embora". Catherine é uma miúda mimada, caprichosa, por vezes irritante, a meu ver, e que casa com Edgar Linton mais por teimosia do que por amor. Heathcliff, amargurado, desaparece durante 3 anos e reaparece rico, mas ninguém sabe como ele adquiriu essa riqueza. Quanto a este par, sinceramente, não consegui sentir a paixão, o amor avassalador de que tanto se fala. Senti sim a obsessão, senti desejo de vingança por parte de Heathcliff, senti Catherine demasiado emproada quando era com Heathcliff que ela se dava melhor e só no momento da sua morte é que consegui sentir alguma coisa em relação a este par. Consegui sentir que ambos viviam com esse sentimento recalcado, sem saber muito bem o que fazer e que daí nada de bom brotou. Foi a única parte em que consegui sentir pena de Heathcliff.

Posteriormente, temos presente outra geração: Catherine, filha da primeira Catherine com Edgar Linton; Linton, filho de Isabella (irmã de Edgar) com Heathcliff; e Hareton, filho de Hindley com sua mulher. Neste triângulo a história parece repetir-se e o jogo de posições sociais mantém-se: quem deveria ser dono da casa, Hareton, está remetido à posição de um criado, um Heathcliff de segunda geração; Linton, que não tem qualquer ligação à casa, é feito o dono da casa, a seguir de Heathcliff, mas é tratado mal por este, por ser de natureza frágil. Catherine é parecida com a sua mãe, com a mesma natureza irrequieta e um pouco rebelde. Se, inicialmente, esta parece apaixonar-se por Linton, posteriormente é com Hareton que ela fica (depois de ter enviuvado de Linton). Aqui parece que a história de Heatcliff e da primeira Catherine se redime e se concretiza.

Apesar de parecer bastante interessante, o livro não me conseguiu cativar por aí além. A narrativa está bem construída, a forma como a natureza envolve o meio físico e psicológico da história também está muito bem feita e foi disto que eu gostei. Destes elementos meio góticos, da influência das tempestades em momentos mais trágicos e cruciais da história e do simbolismo dos "moors". Assim como estes são terrenos incultiváveis, de onde não brota vida, também do amor das personagens Catherine e Heathcliff não brota nada de positivo. Eles não conseguem ser felizes e só ficam juntos realmente na morte. Tudo é tumultuoso naquele local e ninguém tem descanso, a não ser que se afastem de lá. Para mim, só por estes elementos é que a história vale.

De resto, não consegui sentir empatia por nenhuma das personagens e achei que alguns acontecimentos que podiam ter sido mais explorados foram contados à pressa. Contudo, talvez volte a pegar neste livro mais tarde, pode ser que tenha uma leitura diferente.

2/6 - Razoável

6 comentários:

Marco Caetano disse...

Olá!

Li muito recentemente este livro e engraçado ver que temos opiniões distintas.

Convido a ler a minha opinião em:

http://conspiracaodasletras.blogspot.com/2010/03/o-monte-dos-vendavais-emily-bronte.html

Continuação de boas letras...

Diana disse...

Eu acho que o facto de não ter simpatizado com nenhuma das personagens, de ter sentido poucas ou nenhumas emoções ao ler este livro foi o que me levou a não gostar assim tanto dele...
Mas a construção da narrativa é realmente de valorizar, assim como a construção do ambiente da própria história.

Talvez lhe pegue daqui a uns tempos e até tenha uma opinião diferente!

Jacqueline' disse...

Nunca pensei que a tua opinião sobe este livro seria assim :O
E não podia discordar mais de ti :) As personagens, tão diferentes das que costumo ler, fascinaram-me. Tenho muita pena que não tenhas sentido nenhuma empatia com as mesmas. A meu ver, eram elas que davam vida ao livro.

Diana disse...

Primeiro, eu acho que este livro ou se ama ou se odeia, por suscitar emoções tão extremas.
Segundo, a sério que eu queria ter gostado mais do livro!!! Toda a gente me disse que era um clássico que eu tinha que ler, era maravilhoso, etc, etc... Mas eu não consegui achar isso. :(

São as personagens que dão vida ao livro, sem dúvida. São fortes e convictas naquilo que querem, mas não consegui simpatizar com nenhuma...
É como digo, talvez volte a pegar nele mais tarde e tenha uma opinião diferente. Já aconteceu com outros livros.
Eu queria mesmo ter gostado do livro...lol

tonsdeazul disse...

Gostei imenso desta história. Está recheada de fortes emoções e os personagens causam-nos diferentes sentimentos. Principalmente a figura de Heathcliff que cheguei a odiar e amar em simultâneo. Espero que numa próxima leitura possas deleitar-me mais sobre este amor tempestuoso.

Landslide disse...

Já o li há alguns anos e, apesar de já não me lembrar muito bem da história, lembro-me de não ter gostado tanto dele como pensei que ia gostar. Das personagens só me ficaram na memória a Catherine e o Heathcliff. Detestei a Catherine, achei-a uma menina mimada e orgulhosa a quem só me apetecia dar um estalo... Com o Heathcliff já simpatizei mais, talvez por compreender melhor o porquê das suas atitudes. De certo modo achei-o parecido com a personagem do Conde de Monte Cristo.

Mas talvez lhe deva dar uma segunda oportunidade, quem sabe se desta vez não tenho outra opinião?