31 de maio de 2010

O Físico - Opinião

Título: O Físico
Autor: Noah Gordon
Editora: Biblioteca Sábado
Páginas: 520
Sinopse:
"No século XI, Rob Cole abandona com apenas onze anos a pobre e doente cidade de Lindres para vaguear pela Inglaterra. Durante as suas deambulações, fazendo malabarismos e vendendo curas para os doentes, vai descobrindo a dimensão mística da sanação. E é através dessa peregrinação que descobre o seu verdadeiro dom, que o levará a converter-se em médico num mundo violento, cheio de superstições e preconceitos. Tão forte é o seu sonho que decide empreender uma insólita e perigosa viagem à Pérsia, onde estudará na prestigiada escola de Avicena. Aí dar-se-á uma transformação que modificará para sempre a sua vida e o seu destino..."

Opinião:

O Físico conta-nos a história de um rapaz de 11 anos, Rob J. Cole que, depois da morte dos pais, é separado dos seus irmãos e tem que começar uma vida nova. Assim, ele é acolhido por um barbeiro-cirurgião, que ensina o seu ofício ao jovem Rob, viajando com ele pela Inglaterra, visitando as aldeias e cidades para entretenimento dos seus habitantes assim como para consultas médicas.

Porém, quando o barbeiro-cirurgião morre, sendo Rob já adulto, este continua a subsistir exercendo a profissão que o mais velho lhe ensinou. É assim que ele conhece um médico judeu que parece saber muito mais do que ele no que toca à medicina. Este médico diz que aprendeu o que sabe numa escola para físicos na Pérsia, na cidade de Ispahan. Rob fica curioso e, a partir daí, começa a sua viagem em direcção à Pérsia. Contudo, há um problema: essa escola só ensina muçulmanos e judeus, já que os cristãos são demasiado problemáticos no que toca à tolerância de outras religiões que não a sua. E é assim que Rob muda para Jesse ben Benjamin, assumindo a identidade de um judeu para poder ter acesso aos mesmos conhecimentos do Maristan, a escola para físicos. A partir do momento em que ele chega à cidade persa para aprender medicina, assistimos à sua história, às suas viagens, aprendizagens e descobertas que, no fim, acabam por fazê-lo voltar ao seu país.

Este livro conta uma história muito interessante. Não é recheado de acção, intrigas ou romance, mas é antes um retrato do modus vivendi da Idade Média, das principais diferenças entre o mundo ocidental e o oriental, da quantidade de conhecimento que os muçulmanos possuíam em relação aos cristãos, e da grande vontade de um jovem inglês em aprender medicina para poder prestar uma ajuda mais completa a quem recorre a ele.
É uma viagem muito interessante à Inglaterra e à Pérsia do início do século XI, onde se fica a conhecer diversas culturas, onde se fica a conhecer o âmago de cada personagem, e é na construção da narrativa que este livro se destaca. O ritmo da história é médio, tudo é contado a seu tempo, sem pressas, não é enfadonho, e dá-nos sempre a sensação de estarmos na cabeça de Rob a assistir a tudo o que se passa e aos seus sentimentos, apesar da história não ser contada na primeira pessoa.

Gostei bastante do livro e só me demorei mais porque foi um mês terrível quanto a trabalhos e testes da faculdade, sobrando-me tempo para quase nada. O escritor dá-se ao trabalho de ir aos costumes sociais de cada povo, incluindo cenas que não são necessariamente indispensáveis ao núcleo central mas que revelam mais sobre as tradições de cada povo e faz-nos imergir realmente no ambiente e na vida que se levava na Idade Média.

5/6 - Muito Bom

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