30 de março de 2011

Livro - Opinião

Título: Livro
Autor: José Luís Peixoto
Editora: Quetzal
Páginas: 263
Sinopse:
"Este livro elege como cenário a extraordinária saga da imigração portuguesa para França, contada através de uma galeria de personagens inesquecíveis e da escrita luminosa de José Luís Peixoto. Entre uma vila do interior de Portugal e Paris, entre a cultura popular e as mais altas referências da literatura universal, revelam-se os sinais de um passado que levou milhares de portugueses à procura de melhores condições e de um futuro com dupla nacionalidade. Avassalador e marcante, Livro expõe a poderosa magnitude do sonho e a crueza, irónica, terna ou grotesca, da realidade. Através de histórias de vida, encontros e despedidas, os leitores de Livro são conduzidos a um final desconcertante onde se ultrapassam fronteiras da literatura.
Livro confirma José Luís Peixoto como um dos principais romancistas portugueses contemporâneos e, também, como um autor de crescente importância no panorama literário internacional."

Opinião:


Este não é o primeiro livro que leio de José Luís Peixoto e, por isso, penso que já ia com algumas expectativas para a leitura deste Livro.
Na minha opinião, Livro é mais do que um simples relato da imigração dos portugueses para França, na década de 60. É uma história sobre pessoas. Sobre pessoas simples, de uma pequena vila que, por um motivo ou por outro, vão parar a França. Pelo menos algumas. Ele vai ao pormenor de usar expressões e palavras típicas daquela altura e daquela gente, algo que me agradou bastante. Contudo, quando pensamos que a narrativa é simplesmente esta, o contar de histórias sobre Ilídio, Adelaide, Cosme e tantos outros, eis que Peixoto nos surpreende com as últimas páginas da sua obra, deixando-nos de rastos.
Eu gostei do livro. Gostei da história, das personagens, da maneira como o autor nos descreve cada particularidade, cada sentimento, cada pensamento que passa pela cabeça de cada um. Cada lugar que contém tantas memórias, cada uma diferente e que, por vezes, caracteriza também cada estado de alma. Também nos deleita com a sua já característica prosa poética que confere uma beleza singular aos textos que escreve.
Mas o fim... o fim é intrigante, desconcertante e deixa-nos a cabeça a mil mesmo depois de pousarmos o livro. Fiquei, literalmente, a pensar "mas o que é que eu acabei de ler?" Põe-nos questões, lança-nos dúvidas que depois se tornam certezas para, depois, voltarem a ser dúvidas. É um final em grande que põe em perspectiva tudo o que lemos antes. A meu ver é magistral, já que tudo fica em suspenso, tudo rebola dentro da nossa cabeça.
Porém, penso que é só o final mesmo. O resto da narrativa é um desenrolar de acontecimentos, o conhecer de personagens, espaços, histórias de vida que vai culminar, então, nesse final onde tudo, parece-me, é possível.

4/6 - Bom

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