19 de maio de 2011

Booking Through Thursday - Inadequado para a Idade

Contrastando com a pergunta da semana passada - O que achas de censurar livros por causa da idade a que são destinados? Por exemplo, livros "adultos" para os teus filhos lerem?

Penso que isto das idades, às vezes, é um bocado relativo, mas vamos por partes.
Acho que há alturas apropriadas para tudo, incluindo para os livros. Há livros que são mais aconselhados para uma certa idade, não só pelo seu conteúdo mas também pelo seu nível de compreensão. Uma criança com 10 anos, provavelmente não vai entender completamente um Conde de Monte Cristo, como um adulto. Contudo, há crianças que têm uma maturidade maior para a sua idade e conseguem perceber e gostar de livros que são considerados avançados para eles.

Lembro-me, por exemplo, de ter cerca de 12 anos quando li o Vendidas!, de Zana Muhsen e Os Filhos da Droga, de Cristiane F. e de ter gostado bastante deles. Não acho que sejam livros apropriados para aquela idade porque houve, claramente, coisas que eu não percebi na altura. Não fazia a mínima ideia do que era o Islão e de como algumas mulheres muçulmanas eram brutalmente tratadas, ou das consequências que advinham do consumo de drogas mas, para mim, estes livros fizeram-me crescer enquanto pessoa. Não fiquei traumatizada, mas sim procurei saber mais e perceber mais sobre aqueles assuntos. Além disso, os meus pais tentavam saber sempre, de antemão, o que eu ia ler para terem uma mínima noção do seu conteúdo. No caso destes dois livros, fui eu que pedi para os ler e eles não mostraram nenhuma objecção. Só me disseram: "se houver alguma coisa que não percebas, vem falar connosco".

Ainda outro exemplo: a minha mãe cresceu num ambiente relativamente pobre e não tinham televisão. Como, por vezes, também não a deixavam brincar na rua, a única coisa que lhe restava eram os livros. Em criança leu muitos dos livros que hoje são considerados clássicos e ainda hoje os lembra com saudade: O Conde de Monte Cristo, Os Três Mosqueteiros, Jane Eyre, As Aventuras de Huckleberry Finn, A Cabana do Pai Tomás, e também livros da Condessa de Ségur (que depois foram passados para mim também). Neste momento, penso que a maioria das pessoas que lê estes clássicos, já são adultas e com uma bagagem literária maior para os perceberem. No entanto, nada impediu a minha mãe de os ler e de se apaixonar por eles.

Por isso, isto da idade às vezes é um pouco relativo. Acho que tem que se ter algum cuidado, em relação à linguagem, e se houver referências sexuais explícitas, mas dependendo dos conhecimentos e da maturidade que a criança ou jovem tenham, penso que não lhes devemos censurar nenhum livro. Conforme nós adultos temos o livre arbítrio para escolher o livro que queremos ler, elas também devem ter esse direito, até porque lhes pode abrir novas portas e suscitar a curiosidade para saberem mais.

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