1 de junho de 2011

A Rapariga que Roubava Livros - Opinião

Título: A Rapariga que Roubava Livros
Autor: Markus Zusak
Editora: Editorial Presença
Páginas: 463
Sinopse:
"Molching, um pequeno subúrbio de Munique, durante a Segunda Guerra Mundial. Na Rua Himmel as pessoas vivem sob o peso da suástica e dos bombardeamentos cada vez mais frequentes, mas não deixaram de sonhar. A Morte é a narradora omnipresente e omnisciente e através do seu olhar intemporal, é-nos contada a história da pequena Liesel e dos seus pais adoptivos, Hans, o pintor acordeonista, e Rosa, a mulher com cara de cartão amarrotado, do pequeno Rudy, assim como de outros moradores da Rua Himmel, e também a história da existência ainda mais precária de Max, o pugilista judeu, que um dia veio esconder-se na cave da família Hubermann.
Um livro sobre uma época em que as palavras eram desmedidamente importantes no seu poder de destruir ou de salvar. Um livro luminoso e leve como um poema, que se lê com deslumbramento e emoção."


Opinião:

Este foi um dos livros que adquiri este ano, na Feira do Livro, que já queria ler há algum tempo. Ao passar pela banca da Presença, o livro saltou-me aos olhos e, em plena Hora H, não pensei duas vezes e comprei-o. E em boa hora o fiz...

Este livro relata-nos a história de uma rapariga, Liesel Meminger, que vive durante a 2ª Guerra Mundial, na Alemanha. A história começa quando ela tem apenas 11 anos e assiste à perda do irmão e da sua mãe, mas também quando rouba o seu primeiro livro. Esta obra é toda ela narrada pela Morte, que se encontrou com Liesel por três vezes durante a sua vida. A Morte é uma narradora bastante interessante: irónica, crua nas palavras que usa, com observações perspicazes e que nos deixam a pensar em determinados momentos da história. A Morte é uma observadora da bondade, da maldade e da indiferença humana, tecendo a sua própria opinião sobre elas mas também deixando espaço para o leitor pensar por si próprio.

Liesel é uma rapariga adorável que vai passar por vários momentos marcantes na sua vida e, alguns deles, profundamente dolorosos. O que mais gostei nesta personagem foi o facto do autor ter conseguido contar a história dela de maneira a que o leitor pense que ela é, realmente, apenas uma de nós. Nós também fomos crianças, como ela; pensámos e agimos como ela; tivemos as mesmas curiosidades, os mesmos medos, os mesmos desejos, as mesmas dúvidas, mesmo que tenhamos vivido em tempos completamente diferentes. Além disso, Liesel tem uma particularidade: rouba livros. E todos esses livros marcam uma fase da sua vida, do início ao fim.
Vemos o seu processo de crescimento, primeiro estranhando a sua nova família para, aos poucos, se sentir parte dela. O pai, Hans, é o seu pilar, é ele que a sustenta. Ficamos a conhecer a rua onde vive, os seus vizinhos, os seus amigos, as aventuras e sarilhos em que se mete e é tudo tão natural, tão reminiscente daquela inocência infantil que todos um dia possuímos, que nos afeiçoamos facilmente a Liesel.

Não esqueçamos que isto tudo se passa durante a 2ª Guerra Mundial. Por isso, ao mesmo tempo vemos Liesel e os seus amigos a juntarem-se à Juventude Hitleriana, as marchas dos judeus a caminho do campo de concentração de Dachau, os vários homens que são levados para e pela guerra, os bombardeamentos, o clima de medo e as necessidades que são vividas por todos. Neste aspecto, destaco a importância das palavras, que parecem ser o motivo que une todos os pontos deste livro. É a curiosidade pelas palavras que a leva a roubar livros, são as palavras que não podem ser ditas naquele tempo por serem demasiado perigosas, são as palavras que condenam e as que salvam, as que constroem e as que destroem.

Embora me tenha custado um pouco a entrar no ritmo da narrativa, depois de me habituar foi muito fácil apegar-me a todas as personagens e à história de Liesel Meminger. Desde Liesel, ao seu melhor amigo Rudy, aos seus pais, no mínimo, peculiares, ao judeu escondido na sua cave, à mulher do presidente da câmara que lhe facultava livros, todas as personagens são providas de uma humanidade tal que conseguimos sentir as suas alegrias e tristezas.
Este é um livro envolvente pela sua narrativa que é, ao mesmo tempo, poética e directa ao assunto, pela galeria de personagens que enriquecem não só o texto mas também o leitor. Porque não ficamos indiferentes a nada, porque ficamos a pensar em todas aquelas personagens que acabam por se tornar reais para nós, porque é difícil desligarmo-nos delas mesmo depois de não haver mais páginas. Penso que a palavra chave aqui é sentir. Sentimo-nos parte do livro e aquelas pessoas que lá habitam também acabam por fazer parte de nós.
Aconselho vivamente este livro e é uma história que vai ficar na minha cabeça durante algum tempo.

5/6 - Muito Bom

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