20 de julho de 2011

Oscar Wilde

Primeiro, um à parte: não tenho tido muito tempo para vir aqui ao blog porque, nestas duas semanas, tenho cá em casa uma tia e prima que vieram da Irlanda passar férias cá. Como tal, andamos a fazer turismo e pouco tempo me sobra para vir aqui, assim como para ler, porque chego à noite super cansada. Mas passemos ao verdadeiro motivo deste post.

Para dinamizar este blog decidi ir escrevendo uns artigos sobre alguns autores de que gosto, à semelhança do que fiz com a Virginia Woolf e o Percy Bysshe Shelley. Desta feita, falemos de Oscar Wilde.

Em termos biográficos, vou fazer uma espécie de resumo sobre a sua vida, porque Wilde foi uma figura muito além do seu tempo com uma vida recheada de polémicas, quer seja pelas suas obras com grande teor de crítica social, quer seja pela sua vida pessoal que acabou, eventualmente, de forma trágica.
Oscar Wilde nasceu em 1854 em Dublin, na Irlanda mas tornou-se reconhecido por ser o dramaturgo mais popular de Londres, na década de 80. Famoso pelas suas peças cómicas, as chamadas "comedy of manners", satirizavam a sociedade vitoriana, os maneirismos da classe burguesa e aristocrata, chamando a atenção para os seus vícios. Destas, destaco The Importance of Being Earnest, A Woman of no Importance e Lady Windermere's Fan.
Wilde é, ainda, o expoente máximo da figura do dandy. Muito resumidamente, um dandy é um homem que dá importância à sua imagem, tem uma linguagem refinada, cultua o seu ego, dá importância às artes e tenta, de alguma maneira, imitar o estilo de vida das classes mais aristocráticas. Oscar Wilde e dandy são, praticamente, sinónimos...

Famoso pelos seus epitáfios, a escrita de Wilde é rica em reflexões sobre a sociedade, sobre a arte e sobre o carácter das pessoas. Wilde ficou conhecido por ter sido um grande adepto do Esteticismo, movimento artístico espelhado em The Picture of Dorian Gray. Wilde acreditava que a arte não podia ter um valor social, político ou moral. A arte não tem uma função, a não ser a de proporcionar prazer àquele que a contempla. O valor da arte é puramente estético, é espelhar a beleza do mundo e não tem qualquer utilidade ou função.
Eu li The Picture of Dorian Gray o ano passado e foi uma verdadeira delícia mergulhar no mundo riquíssimo que é o de Wilde, e perceber o quão irónico, provocador e além do seu tempo era este escritor. Ele consegue, de forma magistral, entrelaçar a crítica social, o Esteticismo e até alguns traços da sua própria vida pessoal. O Prólogo desta obra é praticamente um hino ao movimento adoptado por Wilde e a frase "All art is quite useless" vem daí.

Outro lado pelo qual Wilde ficou conhecido foi a sua orientação sexual. Wilde era homossexual e, por isso, foi preso sob as acusações de sodomia e indecência, já que a "amizade colorida" que Wilde e Douglas, um jovem por quem Wilde estava apaixonado, partilhavam, nunca foi disfarçada. Na prisão escreveu De Profundis, uma espécie de memórias da sua vida na prisão e do que ele passou nos anos imediatamente antes. Nesta obra é possível sentir a desilusão de Wilde em relação à pessoa que ele mais amava no mundo, Douglas, e como ele negou qualquer relação com o escritor. Dois anos aí passados, Wilde saiu da prisão mas teve que sair da Inglaterra, passando os seus últimos anos em Paris, vivendo uma vida decadente, acabando por morrer em 1900 de meningite, na pobreza.

Para além das suas peças de teatro e do marco que foi The Picture of Dorian Gray, Wilde escreveu contos infantis e destaco o único que li até agora. Lembro-me de o ler, quando criança, num livro de contos infantis que a minha mãe tinha por aqui e agora, já em adulta, voltei a lê-lo, no original, e voltei a apaixonar-me por ele: The Happy Prince. O texto está disponível na íntegra para quem quiser lê-lo, aqui: http://fiction.eserver.org/short/happy_prince.html
Além deste conto, chamo a atenção para os inúmeros epitáfios de Wilde, que facilmente encontram na net, mas deixo-vos aqui este site com alguns: http://www.brainyquote.com/quotes/authors/o/oscar_wilde.html

Em relação à sétima arte, mais recentemente saiu o filme Dorian Gray, em 2009, inspirado na obra The Picture of Dorian Gray. Apesar de eu ter gostado, principalmente pelas interpretações de Ben Barnes (como Dorian Gray) e Colin Firth (como Lord Henry), o filme toma algumas liberdades quanto ao enredo. Mas eu até gostei do conceito do filme, acho que espelha aquilo que Wilde queria transmitir no romance, com respeito à transformação interior de Dorian Gray.
Outro filme que vi e que gostei muito, chama-se Wilde, de 1997, e fala sobre a vida do próprio autor. Conta com a participação de Stephen Fry, que interpreta o autor, e Jude Law que faz de seu amante, Douglas.

2 comentários:

WhiteLady3 disse...

Adorei o texto e, como antecipava, fiquei com vontade de ler as Collected Works. :P É desta que lhes vou pegar!

É engraçado fazeres referência ao filme Wilde. Ainda não tive oportunidade de o ver, mas se há actor que acho extremamente parecido (e digo isto em inúmeros aspectos) é o Stephen Fry.

Diana disse...

Ainda ontem, numa visita à FNAC, estive com os Collected Works na mão! Mas depois respirei fundo e voltei a pousá-los... :P
Eu já vi o filme Wilde há uns anos, mas agora que falei nele, fiquei com vontade de o voltar a ver.