2 de novembro de 2012

A Canticle for Leibowitz - Opinião

Título: A Canticle for Leibowitz
Autor: Walter M. Miller Jr.
Editora: Bantam Books
Páginas: 338
Sinopse:
"In the depts of the Utah desert, long after the Flame Deluge has scoured the earth clean, a monk of the Order of Saint Leibowitz has made a miraculous discovery; holy relics from the life of the great saint himself, including the blessed blueprint, the sacred shopping list, and the hallowed shrine of the Fallout Shelter.

In a terrifying age of darkness and decay, these artifacts could be the keys to mankind's salvation. But as the mistery at the core of this groundbreaking novel unfolds, it is the search itself - for meaning, for truth, for love - that offers hope for humanity's rebirth from the ashes."


Opinião:

O livro está dividido em três partes, cada uma delas intitulada: "Fiat Homo" (Faça-se o Homem), "Fiat Lux" (Faça-se a Luz) e "Fiat Voluntas Tua" (Faça-se a tua vontade). Cada parte se passa em três épocas diferentes, centenas de anos após um cataclismo nuclear que quase destruiu a humanidade e o planeta. Apesar da história compreender um período tão grande, a base da história passa-se sempre no mosteiro da Ordem de Leibowitz que, após essa guerra nuclear, se dedicou a preservar o que restava do conhecimento adquirido pela civilização anterior.

Uma das coisas que notei, à medida que ia avançando, foi que as três partes fizeram-me lembrar da nossa própria história. Na primeira parte é tudo muito arcaico, o território muito estéril por causa dos efeitos do cataclismo anterior e a civilização muito apoiada na religião, semelhante à Idade Média; na segunda parte já se nota um interesse maior na ciência, em pôr em prática as noções e fórmulas que foram deixados pelos seus antepassados, fazendo lembrar o período do Renascimento; e a terceira parte já uma civilização mais avançada do que é, neste momento, a nossa.

Apesar da história se passar durante um período de tempo que abrange centenas de anos, é interessante que a religião está presente como um dos pilares da civilização, interferindo na vida política, social e cultural de um povo. Além disso, esta Ordem de Leibowitz dedica-se a preservar a memória de tempos idos, a conservar aquilo que eles chamam de Memorabilia, documentos da civilização que pereceu antes deles, considerados relíquias sagradas. Durante a história, percebemos como a Ordem é gerida, como vivem os monges e como, com o passar do tempo, as ideias vão mudando e as mentes se vão abrindo.

Gostei bastante deste livro que me pôs a pensar: estará o homem condenado a repetir-se a ele próprio? Mesmo com todo o conhecimento que se vai adquirindo, temos a tendência de repetir os mesmos erros? Apesar de este livro ser ficção, não deixamos de nos perguntar este tipo de coisas, num período em que o armamento é mais sofisticado, em que a escassez de matéria prima, comida e água é cada vez maior, em que o abismo entre ricos e pobres também cresce e em que assistimos a conflitos provocados pela falta de tolerância religiosa.

Concluindo: a história está muito bem construída e vai-se adensando e adquirindo uma complexidade maior à medida que avança. Gostei dos momentos de humor entre alguns monges, principalmente na primeira parte e em relação a um monge em particular: o Brother Francis. Gostei do mundo criado para contar a história de uma civilização que se tenta erguer e procurar preservar o conhecimento adquirido anteriormente
 
Este livro põe-nos a pensar sobre o quão importante é o conhecimento, o quanto avançámos, tecnologicamente, que importância ocupa a Igreja e a religião nas vidas das pessoas e de uma civilização, mas também no nosso destino. No que seremos daqui a 10, 50, 100 anos e no facto da história ser cíclica. Vale a pena ler este livro e penso que não podia ter começado melhor esta temporada!

5/6 - Muito Bom


2 comentários:

André Nóbrega disse...

Ando mesmo com vontade de pegar neste livro e a tua opinião só me espicaçou a curiosidade. Dois pontos que me interessam especialmente são o facto de se tratar de uma história verdadeiramente pós-apocaliptica (o mundo anterior acabou mesmo, não foi só piorado por uma treta qualquer) e estar escrito para um periodo ficcional de centenas de anos, de forma a ilustrar a evolução da sociedade e não só a de algumas personagens. Vou ter que o arranjar!

Diana Marques disse...

Foi um dos livros que me surpreendeu este ano. Gostei imenso e acho que vale a pena, mesmo que a narrativa vá ficando mais densa e complexa. É muito interessante.
Ainda bem que te espicacei com a minha opinião ;)