14 de abril de 2013

Gone Girl - Opinião


Título: Gone Girl
Autor: Gillian Flynn
Editora: Crown Publishers
Páginas: 560
Sinopse:
"On the morning of their fifth wedding anniversary, Nick's wife, Amy, has disappeared. Nick is weak, Nick is a liar, and maybe he's not the very best of husbands — but is he a killer? Amy's diary reveals turmoil over their marriage, strange sicknesses, and her deep wish to be a mother — but is she telling the whole story? As the evidence slowly mounts, and the police investigation deepens, Nick is incriminated in horrible ways. He swears he didn't murder his beautiful wife and goes on the offensive to clear his name. The mystery of Amy's disappearance only gets more tangled as secrets unfurl from the web of their knotty marriage, and it becomes clear that something may have happened more disturbing than death."

Opinião:

Primeiro, gostaria de dizer que tinha bastante expectativa em relação a este livro. Antes de todo o hype, antes do livro ganhar o prémio do Goodreads na categoria "Melhor Livro de Mistério e Thriller" do ano passado, assim que o livro saiu eu quis lê-lo, uma vez que li, há alguns anos, o Objectos Cortantes, também da Gillian Flynn, e adorei. E depois de todo o hype à volta dele, pensei que agora é que tinha mesmo de o ler, para tirar as minhas teimas.

A premissa deste livro é bastante simples: Nick e Amy estão casados, mas enfrentam uma crise marital, as coisas já não estão bem entre os dois há algum tempo. No dia do quinto aniversário de casamento de ambos, Amy desaparece misteriosamente e Nick, com o avançar das investigações policiais, acaba por se tornar no principal suspeito. A narrativa vai sendo alternada: ora temos o ponto de vista dele, à medida que os dias vão passando, depois do desaparecimento dela; ora temos o ponto de vista dela, sob a forma de um diário que começa no dia em que ambos se conhecem, cerca de sete anos antes destes acontecimentos. 

Na narrativa de Nick temos a visão dele do seu casamento, da sua vida, da investigação, todas as suas ideias, dúvidas, medos e reflexões sobre aquele momento tão particular que está a viver. Já o diário de Amy oferece-nos uma visão sobre ela própria, sobre o início da relação com Nick, o seu casamento, a mudança de ambos de Nova Iorque para o Missouri, depois de ficarem desempregados, e o que começa a descambar no casamento, aumentando a clivagem entre ambos. Nick surge como alguém que não se insere completamente na sociedade, Amy surge como a rapariga perfeita com quem todos se querem relacionar.

Foi da construção destas duas personagens e da relação entre ambos que gostei mais em todo o livro. Faz-nos questionar sobre as nossas próprias relações, sejam elas familiares, amorosas ou de amizade, sobre as falhas de comunicação que existem, sobre o facto de nunca conseguirmos chegar a conhecer realmente, profundamente, uma pessoa, sobre o factor surpresa naqueles que nos rodeiam. Penso mesmo que o centro deste livro são as relações que estabelecemos com os outros mas também sobre a relação que temos com nós próprios. Até que ponto estamos a mentir? Até que ponto isto ou aquilo é verdadeiro? Até onde é que conseguimos chegar quando queremos algo?

Porém, o que me desiludiu neste livro foi o seu final. Foi muito "meh", muito anticlimático... Depois de toda a história, do acumular de tanta tensão, o final desiludiu-me. E foi só por causa do final que tudo o resto acabou por me saber a pouco, porque pensei que a autora rematasse assim com um final mais digno do resto da história. Ainda assim, vale muito pelas personagens principais, por toda a investigação sobre o desaparecimento de Amy e pela escrita de Gillian Flynn, que toca em alguns pontos sensíveis e cuja escrita, por vezes, nos deixa desconfortáveis.

4/6 - Bom

1 comentário:

WhiteLady3 disse...

A construção das personagens é realmente o melhor de todo o livro, assim como o retrato da relação. Coloca bastantes questões, como as que enumeras, nomeadamente no que ao contacto com outros diz respeito. Eu cheguei a querer fechar-me em casa e nunca mais entrar em contacto com ninguém, fugir para uma ilha deserta. xD Tive de pegar num romance para voltar a acreditar que há relações que valem a pena. Mas acho que é um relato bastante bom, mesmo que algo extremado, de como as pessoas se relacionam.