31 de agosto de 2013

Sagas

Sim, mais uma a falar deste drama que são as sagas literárias. 

Qualquer pessoa que adora ler e que tem particular gosto em ler fantasia e ficção científica, sabe que grande parte das obras dentro deste género são sagas. Há sagas com 4 livros, há sagas com 10 livros, há sagas com mais de 30 livros. O meu problema com sagas não é tão preocupante como o de algumas pessoas que conheço. E sobre este drama das sagas por ler, inacabadas ou que queremos começar a ler, os posts da Célia e da Cat SaDiablo são bem elucidativos daquilo que estou a falar. É quase uma espécie de amor-ódio, porque queremos ler aquela história, mas o ideal era que se ficasse só por um livro mesmo. Vá, dois no máximo. 

O que me fez querer escrever este post foi o facto de ter ido ao Goodreads para adicionar um livro que me parecia interessante, e ver que esse livro era apenas o primeiro de uma trilogia. A premissa do livro parecia-me muito boa, mas ao ver que é apenas parte de um todo, fez-me ficar logo de pé atrás em adicioná-lo à minha lista de livros para ler. Neste momento tenho 7 sagas que já comecei a ler e ainda não terminei. Contudo, no total de sagas que tenho cá por casa, tanto em papel como em e-book, tenho 32 sagas. Destas sagas todas, terminei apenas três. Estão a perceber a minha relutância em adicionar mais um livro que pertence a uma trilogia, certo?

Ultimamente, parece que nos deparamos cada vez mais com trilogias e sagas que até podem contar histórias fabulosas mas... e o tempo que temos para as ler, mais todos os outros livros com que nos deparamos pelo meio? Como é que uma pessoa arranja disponibilidade para ler tanta coisa? Há sempre a possibilidade de se fazer um retiro literário, em que vamos para um sítio bem zen, sem ninguém à volta, sem televisão, rádio, telemóvel, internet, e onde nos dedicamos apenas a ler. Ou a dar em malucos, ao fim de algum tempo.

Pus-me a pensar, entretanto, que quem já tem tantas sagas como eu (ou mais!) para ler, ficará reticente em ler um livro que até pode ser muito bom, pelo simples facto de ser parte de uma saga, e isso, por si só, vai querer dizer várias coisas. E, para exemplificar, vou parafrasear a minha mãe: 

"Este livro é parte de uma saga? Ah então não quero. Depois vou ter que gastar dinheiro em mais livros / Vou ter que estar à espera que publiquem os outros / Depois não me lembro da história, de um volume para o outro / Mas já não se conseguem contar histórias num só volume?"

Às vezes bate a saudade de ler um livro, por maior que ele seja, e a história começar, desenvolver-se e acabar ali. Há sagas maravilhosas, não me interpretem mal. O que eu mais gosto nas sagas, normalmente, é o world-building. Testemunhar a capacidade de criação de um mundo novo, diferente, e da história se passar com pessoas e criaturas próprias desse mundo, regido por leis internas próprias. Para além da própria história que tem a tendência a ser mais complexa, com mais personagens, por vezes a estender-se por um período de tempo de décadas, é a construção daqueles mundos que me apraz mais ler. No fundo, acabo por viajar e gosto bastante de me alhear da minha realidade para testemunhar outra.

Por outro lado, penso que se torna frustrante quando nos apercebemos que temos todas estas sagas por ler, mais outras tantas que gostávamos de ler, mas não nos atrevemos a pensar nelas porque já temos com que nos entreter durante anos. Sim, anos. E acabamos por criar folhas em Excel para nos mantermos a par das sagas que temos para ler, para terminar, para continuar, porque de outra forma perdemos o fio à meada e ficamos sem saber a quantas andamos. E em vez de vermos a lista a diminuir, ela vai aumentando, aumentando, aumentando... Porque adoramos ler histórias boas.

E é este o drama das sagas.

2 comentários:

Jacqueline' disse...

Indeed, por falar nisso, ontem comecei outra saga, desta vez da Anne Bishop. De facto, a fantasia é um género que não dá descanso à nossa organização enquanto leitores !

Diana Marques disse...

Da Anne Bishop li a Trilogia das Jóias Negras, que adorei! Mas sim, a fantasia dá-nos cabo da organização e do orçamento! hehehe