28 de outubro de 2013

Interview with the Vampire - Opinião

Título: Interview with the Vampire
Autor: Anne Rice
Lido no Kobo
Sinopse (do Goodreads):
"Here are the confessions of a vampire. Hypnotic, shocking, and chillingly erotic, this is a novel of mesmerizing beauty and astonishing force–a story of danger and flight, of love and loss, of suspense and resolution, and of the extraordinary power of the senses. It is a novel only Anne Rice could write."

Opinião:

Há anos que amigas minhas me torturavam para eu ver o filme Entrevista com o Vampiro, sempre com a minha insistente resposta: "Não! Quero ler o livro antes de ver o filme." E, apesar de ser um filme bastante conhecido, consegui manter-me afastada de todos os detalhes narrativos, partindo para a leitura conhecendo apenas os nomes dos protagonistas, a sua condição de vampiros e que, no filme, há Brad Pitt, Tom Cruise e Antonio Banderas. Escusado será dizer que, a seguir, vou ver o filme...

Mas voltando ao livro, escolhi-o para primeiro livro da minha Temporada Assombrada por ser aquele que tenho há mais tempo para ler e por me suscitar maior curiosidade. Histórias de vampiros há por aí aos pontapés, umas, porventura, melhores que outras, e vai daí tinha que dar uma hipótese a Anne Rice, mãe dos vampiros, tal como Bram Stoker será o pai.

Esta é a história do vampiro Louis, contada por ele próprio durante uma entrevista. Nessa entrevista ficamos a conhecer como ele se tornou vampiro e como foi a sua vida de cerca de duzentos anos até ao momento presente, com tudo e todos aqueles que se cruzaram no seu caminho. Mesmo depois de acabar esta leitura é-me difícil de falar sobre este livro. Por isso, mais do que o enredo, vou cingir-me ao que o livro me fez sentir.

Primeiro, transporta-nos completamente para outros tempos e outros lugares, desde Nova Orleães, à Europa de Leste e a Paris. E este mundo é um mundo negro, obscuro, nocturno, terrivelmente sensual e perigoso. Este é um mundo vampírico onde se mata para poder sobreviver, onde não há remorsos nem moral, onde a violência é um modo de vida. Neste aspecto, a escrita de Anne Rice é fantástica e envolve-nos completamente na narrativa, fazendo-nos viver momentos e emoções inesquecíveis.

É claro que o meu momento preferido de toda a história é quando ele chega a Paris e conhece o célebre e fatídico Théatre des Vampires. Este livro foi a minha estreia com Anne Rice, mas por deuses, toda esta parte é Anne Rice e vampiros no seu melhor! Toda a sensualidade, violência e vampirismo parecem colidir neste local para criar uma atmosfera fantástica, quase sobrenatural e épica. Toda a descrição do local, toda aquela encenação teatral sanguinária, tudo é imponente e imortal. Para mim, este foi o grande clímax do livro.

Das personagens que ficamos a conhecer, as principais são Louis, Lestat, Armand e Claudia. Cada um com as suas personalidades, com os seus dilemas e dotados de uma beleza incrível. De todos, para além de Louis, fiquei fascinada com Armand. Armand é misterioso, carismático e exerce este mesmo fascínio sobre Louis. Um aspecto interessante quanto aos vampiros, é que todos eles são regidos pelo instinto mais básico de sobrevivência, que é matar para viver. Neste aspecto, eles são vistos quase de forma animalesca, fazendo algo condenável para poderem subsistir. 

Porém, Louis é incrivelmente humano, detestando essa faceta da sua condição de vampiro. Através dele temos divagações sobre o Bem e o Mal, sobre o pecado, sobre a morte, sobre a existência de Deus e do Diabo, levando a momentos de tormento e dúvida que parecem assombrar Louis por toda a sua vida. Louis é quase um filósofo, questionando aquilo que o rodeia, apreciando a beleza das coisas através dos seus sentidos mais apurados, abominando a violência que é obrigado a cometer, e é o único que não perde completamente a sua humanidade. Nesse aspecto, gostei bastante desta dicotomia de Louis: a sua essência humana entra em conflito com a sua condição de vampiro.

Por outro lado, temos Lestat, quase o anti-herói desta história. Um vampiro arrojado, provocador, intempestuoso a quem Louis não consegue resistir. Temos ainda Claudia, para sempre aprisionada num corpo de uma menina de cinco anos, mas cuja mentalidade vai crescendo e cuja aparente inocência ganha contornos enganadores e perversos.

Este livro é fascinante. Adorei todo este mundo negro, as personagens vampíricas, os cenários elegantes, sumptuosos, as grandes questões filosóficas que ensombram Louis, o erotismo e a sexualidade ambígua que permeia toda a narrativa, os momentos mais fortes e magistralmente bem escritos. A escrita de Anne Rice é riquíssima e transporta-nos completamente para este mundo e para os dilemas de cada uma das personagens. E por tudo aquilo que este livro tem para oferecer, não posso deixar de o recomendar a quem gosta deste género literário.

5/6 - Muito Bom


3 comentários:

Catarina R. disse...

Como estou a fazer o mês especial de Anne Rice importas-te que partilhe o link da tua opinião no facebook do blog? Com os devidos créditos claro.
Beijos

Diana Marques disse...

Podes partilhar, sim :)

Maria João disse...

Tens de ler a noite das bruxas, são dois volumes simplesmente fantásticos