10 de janeiro de 2014

Siddhartha - Opinião

Título: Siddhartha
Autor: Herman Hesse
Editora: Leya - Colecção BIS
Páginas: 142
Sinopse:
"Nascido na Índia, no século VI a.C., filho de um brâmane, Siddhartha passa a infância e a juventude isolado das misérias do mundo, gozando uma existência calma e contemplativa. A certa altura, porém, abdica da vida luxuosa, protegida, e parte em peregrinação pelo país, onde a pobreza e o sofrimento eram regra. Na sua longa viagem existencial, Siddhartha experimenta de tudo, usufruindo tanto as maravilhas do sexo, quanto o jejum absoluto. Entre os intensos prazeres e as privações extremas, termina por descobrir «o caminho do meio», libertando-se dos apelos dos sentidos e encontrando a senda da paz interior. 
Em páginas de rara beleza, Siddhartha descreve sensações e impressões como raramente se consegue. Lê-lo é deixar-se fluir como o rio onde Siddhartha aprende que o importante é saber escutar com perfeição. Este comance é um dos livros mais vendidos de sempre."

Opinião:

Este livro relata-nos a viagem de auto-conhecimento de Siddhartha, um homem indiano que busca a sabedoria e iluminação espiritual. Já queria ter lido este livro há algum tempo, porque fala sobre um tema que me tem atraído nos últimos anos, que é o enriquecimento e crescimento espiritual de uma pessoa.

O livro encontra-se dividido em duas partes. Na primeira parte Siddhartha parte em busca do seu crescimento espiritual, despojando-se de todos os seus bens materiais, passando privações, sobrevivendo apenas com o essencial e passando a maior parte do tempo a meditar. Estas meditações têm em vista a perda do ego através do sofrimento, para atingir um estado espiritual mais elevado. Esta primeira parte contém um capítulo que faz a ponte para a segunda parte, e relata o encontro entre Siddhartha e Gotama. 

Depois de todas as privações, de ter renunciado a quase todas as coisas, Siddhartha chega à conclusão de que o caminho não se faz somente através da rejeição do Eu e do mundo material, mas sim através da experiência de ambas as coisas. Ele praticamente rejeita a existência de uma fórmula pré-estabelecida que leve à iluminação espiritual, e aprende que a sabedoria vem da experiência: a experiência espiritual mas também física, das coisas mundanas e terrenas. 

Assim, o último capítulo desta parte foca-se no despertar de Siddharta para esta realidade e está lançado o mote para a segunda parte do livro que se foca na experiência dele no mundo material. Aqui ele experiencia o dinheiro, as coisas que dão prazer, o sexo, os afectos, a alegria dos sucessos, o envelhecimento. E se na primeira parte a grande figura é Gotama, nesta segunda parte as figuras mais proeminentes são Kamala, a cortesã que lhe ensina a arte do amor, e Vasudeva, já na parte final do livro, que se revela um guia para Siddhartha.

Este livro explora muitos conceitos interessantes dentro da filosofia hindu e budista, bem como do taoísmo, sobre os quais sei alguma coisa, mas tenho muita curiosidade em saber mais. Para mim, o tema deste livro é a busca de si próprio enquanto ser espiritual num mundo material e que, para encontrar a tal iluminação, a sabedoria "suprema", tem que se experienciar ambos os mundos, uma vez que nós somos espírito e matéria, temos que passar pelo bom e pelo mau. E por mais que tenhamos professores e mestres a transmitirem-nos conhecimento, a verdadeira sabedoria advém das nossas próprias experiências e não pode ser ensinada.

A escrita é muito bonita, quase poética, e simples, de modo que não se torna confuso para o leitor perceber os conceitos e ideias que são discutidos. O livro é pequeno, fácil de ler, mas acho que li o livro na altura errada, porque não estava inclinada para ler um livro deste género, neste momento. A altura errada não me permitiu desfrutar mais do livro do que gostaria, mas, ainda assim, foi um livro de que gostei e que, certamente, irei reler no futuro com mais atenção. De qualquer maneira, recomendo o livro a quem se sinta tentado a saber mais sobre estas filosofias orientais. 

4/6 - Bom

(Esta leitura conta para o desafio TBR Pile Reading Challenge)

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