30 de abril de 2014

A Cor do Hibisco - Opinião

Título: A Cor do Hibisco
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: ASA
Páginas: 269
Sinopse:
"Os limites do mundo da jovem Kambili são definidos pelos muros da luxuosa propriedade da família e pelas regras de um pai repressivo. O dia-a-dia é regulado por horários: rezar, dormir, estudar e rezar ainda mais. A sua vida é privilegiada mas o ambiente familiar é tudo menos harmonioso. O pai tem expectativas irreais para a mulher e os filhos, e pune-os severamente quando se mostram menos que perfeitos.
Quando um golpe militar ameaça fazer desmoronar a Nigéria, o pai de Kambili envia-a, juntamente com o irmão, para casa da tia. É aí, nessa casa cheia de energia e riso, que ela descobre todo um novo mundo onde os livros não são proibidos, os aromas a caril e a noz-moscada impregnam o ar, e a alegria dos primos ecoa.
Esta visita vai despertá-la para a vida e o amor e acabar de vez com o silêncio sufocante que a amordaçava. Mas a sua desobediência vai ter consequências inesperadas...
Uma obra sobre a ânsia pela liberdade, o amor e o ódio, e a linha ténue que separa a infância da idade adulta, que marcou a estreia de uma escritora extraordinária."

Opinião:

Finalmente! Andava há mais de um mês para ler um livro da Chimamanda e os deuses rejubilam de alegria porque consegui! Depois de umas tantas peripécias, do livro enviado e devolvido ao remetente e, por fim, emprestado pessoalmente, parti para a leitura deste A Cor do Hibisco.

Ultimamente tenho pensado no quanto as minhas leituras se centram no contexto anglo-saxónico. Contexto que eu adoro mas, ao mesmo tempo, quero alargar horizontes e conhecer autores de contextos diferentes dos meus. Já me aventurei na China, no Japão, na Índia e agora estreei-me no continente africano com este livro que se passa na Nigéria.

A história é-nos contada através do ponto de vista da personagem principal, Kambili - uma rapariga de 15 anos que vive com o seu irmão e os seus pais em Enugu. Contudo, ela está longe de ser a típica adolescente: o seu pai é um homem muito rico, que partilha a sua riqueza com várias obras de caridade, mas extremamente religioso e fanático. A vida de Kambili e da sua família é centrada no catolicismo. Não há espaço para divertimento, para lazer, para tempo útil em família. Tudo se resume às obrigações e deveres enquanto estudante, filha e crente em Deus. Por causa do fanatismo do pai, todos sofrem abusos físicos, verdadeiras torturas em nome de Deus para expiar os seus pecados. Porém, tudo começa a mudar com a ida de Kambili e de Jaja, o seu irmão mais velho, para casa da sua tia e primos, em Nsukka.

Confesso que, ao início, custou-me um pouco a entrar na narrativa. Primeiro porque o meu conhecimento sobre aquela cultura e a sua história era nenhum. Tive que pesquisar algumas coisas, ver algumas imagens dos locais, mas lá me habituei e consegui seguir a história perfeitamente. Chimamanda inclui palavras e expressões em igbo, a língua nativa da Nigéria, o que eu achei muito interessante e dá um sabor diferente à história. Só achei que poderia ter sido incluido um glossário para sabermos o que aquelas palavras significavam. Mas uma ida ao google também serve.

Posto isto, gostei muito da história de Kambili. Achei o livro muito sensorial no sentido que eu consegui ver o sol vermelho ao fim do dia, cheirar a terra após as chuvas torrenciais, até sentir a textura do fufu, uma comida tipicamente africana. Gostei muito da inclusão destes elementos na narrativa - conhecer a comida, as crenças pagãs, o vestuário (principalmente o feminino), os penteados, as casas, os costumes, as dificuldades que enfrentavam. Gostei muito de Kambili e da personalidade peculiar dela. Muito fruto da sua educação e daquilo que vivia em casa, mas que acaba por crescer e questionar-se sobre aquilo que a rodeia e sobre aquilo que sente. A tia Ifeoma e Amaka, sua tia e prima, respectivamente, são outras duas personagens que vão ficar comigo pela sua simplicidade e forma de estar na vida.

Gostei muito da escrita de Chimamanda que apela aos sentidos e que, mesmo na dureza das situações, consegue transmitir-nos algum lirismo naquilo que descreve. Estou ansiosa para ler mais obras desta autora de que já era fã antes de ter lido o livro, por conta de alguns artigos publicados por ela, bem como da sua TedTalk

5/6 - Muito Bom

(Esta leitura conta para o desafio TBR Pile Reading Challenge)

1 comentário:

Neptuno_avista disse...

Fiquei curiosa. Vou querer ler :)
Realmente as minhas leituras também se baseiam muito no universo anglo-saxónico e são raras as vezes que leio livros fora disso...
Beijinho