15 de abril de 2014

A Rainha no Palácio das Correntes de Ar - Opinião

Título: A Rainha no Palácio das Correntes de Ar (Millenium #3)
Autor: Stieg Larsson
Editora: Oceanos
Páginas: 715
Sinopse:

A sinopse tem spoilers para quem não leu o livro anterior e este. Por isso, podem encontrar a sinopse aqui.

Opinião:

E eis que, finalmente, me resolvi a concluir a leitura da trilogia Millenium, que estava pendurada desde 2011. Algumas coisas já não me lembrava, principalmente no que toca aos nomes de algumas personagens secundárias, mas nada que uma ida à wikipedia não resolva...

Este terceiro livro parte do ponto exacto onde o segundo terminou. E, como não quero "spoilar" ninguém, não vou dizer muito mais (muahahah!). Basta que saibam que Lisbeth vai ser acusada de uma data de crimes, mas conta com a preciosa ajuda de Mikael Bloomkvist e companhia. Assim, neste livro vemos todo o processo de investigação, tanto jornalística como policial, que envolve o processo de Lisbeth, que assume contornos verdadeiramente assustadores. A narrativa leva-nos à vida de diversas outras personagens, mostrando as ramificações que a história de vida de Lisbeth tem, atingindo altos membros da sociedade sueca, instituições governamentais, somente para encobrir um segredo, supostamente, de estado.

Como podem ver, a narrativa é complexa, uma vez que o livro nos leva a tantos outros enredos. Demasiados, até. Eu percebo que é importante mostrar a conspiração completa, perceber os motivos, as maquinações, quem está envolvido, mas às tantas torna-se enfadonho. E torna-se enfadonho porque Larsson vai a pormenores que podiam muito bem ter sido cortados do texto. Larsson faz, por exemplo, autênticas biografias de personagens, e percursos de fundações/instituições desde o início até ao momento presente. Também não me interessa saber os pormenores da instalação de um alarme de última geração numa vivenda. Através disto perceber-se perfeitamente que Larsson também era jornalista de investigação, mas para um livro destes há pormenores que são dispensáveis e cuja ausência podia manter a leitura mais centrada no essencial.

Fora isto, temos o reencontro com Lisbeth Salander e Mikael Bloomkvist. Adorei voltar a eles e ver o seu trabalho na trama. Lisbeth continua igual a si mesma, mesmo depois de tudo o que passou, e figura como uma das minhas personagens preferidas de sempre. Só tenho pena que não haja mais livros com ela... Mikael continua o jornalista de investigação que é, empenhado em provar que Lisbeth é inocente e desmascarar uma série de pessoas que estão metidas em vários crimes até aos cabelos.

Finalmente, apesar de todo o "engonhanço", Stieg Larsson tem uma prosa muito fluida, muito fácil de acompanhar e muito clara. É isto que permite que a leitura seja tão rápida e me tenha feito ler às cento e tal páginas de cada vez. Ele mantém-nos agarrado e na expectativa do que irá acontecer a seguir, muito por culpa da sua criação de Lisbeth. Ficam algumas pontas soltas, no fim. Mas penso que isso é evidente, uma vez que o autor previa publicar mais livros dentro da mesma série, e tal não aconteceu porque acabou por morrer em 2004. Ainda assim, gostei do livro e só não gostei mais por causa de tanta palha, e porque achei que a Lisbeth deveria ter tido um destaque ainda maior.

Em jeito de conclusão, penso que é uma trilogia que vale bastante a pena para quem gosta de policiais, de investigação, de casos com grande complexidade e enredo, dedicado a um tema essencial: a violência cometida contra mulheres. Portanto, leiam! Quanto mais não seja para ficarem a conhecer uma das personagens mais marcantes de sempre: Lisbeth Salander.

4/6 - Bom

(Esta leitura conta para o desafio TBR Pile Reading Challenge)

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