23 de março de 2015

A Vida no Céu - Opinião

Título: A Vida no Céu
Autor: José Eduardo Agualusa
Editora: Quetzal
Páginas: 186
Sinopse:
"A Vida no Céu é um romance distópico, num futuro que se segue ao Grande Desastre, e em que o Mundo deixou de ser onde e como o conhecemos. Encontrando-se o globo terrestre inteiramente coberto por água, e a temperatura, à superfície, intolerável, restou ao Homem subir aos céus. Mas essa ascensão é literal (não é alusiva ou simbólica): a Humanidade, reduzida agora a um par de milhões de pessoas, habita aldeias suspensas e cidades flutuantes - dirigíveis gigantescos denominados Tóquio, Xangai ou São Paulo -, e os mais pobres navegam o ar em pequenas balsas rudimentares. Carlos Benjamim Moco é o narrador da história. Tem 16 anos e nasceu numa aldeia, Luanda, que junta mais de cem balsas. O desaparecimento do pai fará com que Benjamim decida partir à sua procura."

Opinião:

Este foi o primeiro livro que li de José Eduardo Agualusa e, por isso, não sabia muito bem o que esperar. Mas cada vez mais gosto de partir assim para um livro, sem qualquer expectativa e deixar que a história me surpreenda. Foi o caso deste A Vida no Céu, uma história narrada por Carlos, um rapaz de 16 anos e em termos de enredo penso que ali a sinopse resume muito bem o livro.

O que mais gostei neste livro foi das descrições da vida nas balsas e naquelas cidades no céu, das aldeias ligadas por redes e cordas, onde todos tiveram que se adaptar a uma nova vida. Isto fez-me pensar como seria se este mundo onde vivemos, e onde tomamos tudo como garantido, desaparecesse e nos obrigasse a mudar completamente o modo de vida. Imaginar que o mar engolia tudo aquilo que conheço e ir viver para zepelins, balões, balsas, o que seja, porque já não há terra. Foi interessante ver como as cidades se formaram e como recriaram, na medida do possível, cafés, ruas, jardins, apartamentos, dentro daqueles dirigíveis imensos. Os mais velhos ainda se lembram de uma vida na terra, com árvores, animais, lagos, o cheiro a terra molhada, o colher alimentos que deixaram de existir ou que se tornaram muito raros e caros, o simples acto de poder correr descalço, na terra. Tudo isto me fez pensar "e se...?"

Para além deste mundo novo, gostei de Carlos e das restantes personagens que o acompanham nas suas aventuras. Carlos acaba por se tornar um herói improvável mas que consegue manter a sua simplicidade, humildade e até uma certa ingenuidade de quem parte para ver o mundo e se depara com pessoas, locais e culturas diferentes.

Agualusa faz uma apologia, sem dúvida, da necessidade de preservação da natureza, do quanto ela é importante e do quanto dependemos dela. É o que referi acima: tomamos as coisas como garantidas, como se estivessem sempre lá, mas se nós continuarmos a tratar o planeta da maneira como tratamos, as coisas não vão acabar bem. E quando as coisas desaparecessem é que tendemos a dar-lhes valor e a sentir-lhes a falta.

Gostei da história, das personagens e deste mundo distópico das pessoas que vivem no céu, destes nefelibatas. Há alguns aspectos que poderiam ser mais bem desenvolvidos, algumas coisas são abordadas superficialmente, mas ainda assim é um livro de leitura fácil, que entretém e que nos deixa a pensar. A prosa de Agualusa é bastante fluida e dado que a história é narrada por um adolescente é notória a presença de uma certa inocência na linguagem. Ainda assim, foi um livro que me satisfez e de que gostei. Fico curiosa para experimentar mais livros do autor.

4/6 - Bom

(Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge)

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