12 de março de 2015

Ler quando não se tem tempo



"Não leio porque não tenho tempo" - quantas vezes não ouvimos dizer isto? A falta de tempo parece ser uma desculpa para quase tudo o que diga respeito a lazer: ler, ir passear, ver um filme, uma jantarada com os amigos... Nesta vida tão corrida, parece que não há tempo para nada, com a excepção das obrigações, daquelas coisas que temos mesmo de fazer. No entanto, por vezes penso que se trata de tempo mal organizado ou prioridades na nossa vida que não incluem a leitura, ou simplesmente falta de paciência e foco para a leitura, mas isso já é outra coisa.

Quando comecei o doutoramento, em Outubro, soube de imediato que iria ter menos tempo para a leitura. Se antes podia passar os dias a ler, porque também não estava empregada, com o doutoramento o tempo para leituras de lazer ia ser reduzido em prol de leituras para a faculdade. E até Dezembro tive que fazer ajustes na minha rotina para encaixar aquilo que eu tinha que fazer e aquilo que eu queria fazer. Se se lembram, desisti de uns três livros, demorei imenso tempo a ler aqueles que li, e só em Janeiro é que voltei a encontrar o meu ritmo dado as circunstâncias da minha vida.

E quando falo de rotina, falo de horários, de reservar tempo para ler e aproveitar momentos mortos para o fazer também. Por isso, aqui vão umas dicas para quem tem problemas semelhantes aos meus, ou para quem gosta de ler mas acha que não tem tempo para isso.

1 - Aproveitar as oportunidades em que não se está a fazer nada para ler - Refiro-me a tempos de espera antes de uma consulta, nos transportes no caminho casa-trabalho-casa, quando se está à espera que o computador faça as actualizações, situações deste género. Conseguir ler nem que seja 20 minutos ou 10 páginas por dia acaba por dar impulso para continuarmos a querer ler mais e até a reservar mais tempo para ler. No meu caso, leio nos transportes (o meu percurso casa-faculdade-casa demora mais ou menos 45 minutos) quando o sono não se apodera de mim. Às vezes lá calha...

2 - Estabelecer um horário de leitura- Os últimos meses do ano passado foram um pouco caóticos, mas entretanto lá estabeleci o tal horário. O que decidi para mim foi estabelecer que depois do jantar não faço nada relacionado com o doutoramento. Posso aproveitá-lo como quiser: seja a ler, a actualizar o blog, a ver filmes, a actualizar os feeds, etc. Assim, aproveito para fazer um bocadinho estas coisas todas depois de jantar, porque acaba também por me relaxar e desligar o cérebro de tudo aquilo que tenho para fazer. Normalmente acabo por ler também já na cama, antes de adormecer. Isto acaba por criar uma rotina e ajudar a que as nossa leituras avancem.

3 - Ler coisas que sabemos, à partida, que vamos gostar - Falo por mim, mas se tenho pouco tempo para ler quero gastá-lo em algo que, à partida, vou gostar. Seja porque se trata de um autor que gosto, um dos meus géneros literários favoritos, ou uma releitura. As releituras também contam. Quando temos pouco tempo para ler, penso que se torna frustrante quando nos apercebemos que estamos a ler algo que não nos está a apelar minimamente. Isto gera desânimo e falta de vontade de pegar nos livros, levando a que a leitura se arraste. Mas como saber se um livro é bom ou não é um bocado difícil, se vos calhar um assim não tenham medo: desistam dele. Eu faço-o, sem remorsos.

4 - Comecem por ler livros não muito grandes - Se não têm muito tempo e querem começar a ganhar algum ritmo, acho que ajuda termos a percepção de que lemos dois, três, quatro livros num mês, por exemplo. Por isso, não pensem em atirar-se logo a Os Miseráveis, porque vai levar-vos uma eternidade. A não ser que queiram, claro! Nada vos impede de ler calhamaços, às vezes sabe bem dedicar um período maior de tempo a um determinado livro. Mas se o objectivo for o de criar ritmo e hábitos de leitura, se calhar não é boa ideia. Comigo, ajudou-me o ler livros com 300 e tal páginas, que não fossem muito complexos, para ganhar algum balanço e ajudar o meu cérebro a focar-se na história. Ao terceiro mês do ano já me senti à vontade para pegar num calhamaço de mais de 500 páginas.

5 - Apostem noutros formatos - Como os audiobooks. Eu não tenho ouvido livros, a última vez que o fiz foi com os livros do Harry Potter. Mas conheço pessoas que têm apostado neste formato e que as tem ajudado nas leituras. Com os audiobooks podem estar a fazer tarefas de casa ou à seca nas filas do trânsito enquanto ouvem um livro. Isto faz a leitura avançar, para além de ser outra forma de "ler", porventura a mais antiga. Afinal, antes da forma escrita, as histórias circulavam de forma oral, não é verdade?

6 - Combinem leituras - Se sabem que têm um ou mais amigos que gostam de ler, porque não combinar uma leitura conjunta? Assim "obrigam-se" a ler porque têm alguém com quem discutir o livro e partilhar ideias. Comigo não aconteceu, mas é uma ideia interessante. É quase como ter companhia para fazer desporto: sozinha não vou, mas se tiver companhia até faço o esforço. Com a leitura pode ser igual, para algumas pessoas. Escolham um livro e combinem com amigos lerem a mesma coisa. É um incentivo à leitura e um exercício bom até para se perceber a quantidade de interpretações diferentes que um livro pode suscitar.

7 - Participem em desafios - Eu decidi não participar em desafios nenhuns este ano, mas acabei por experimentar a Bout of Books em Janeiro. Em 2014 a coisa correu muito bem, mas este ano não sabia como iria resultar, embora tenha decidido que seria um bom exercício para ver como andava. Isto fez com que eu começasse a reservar tempo estritamente para ler (ver ali o ponto 2) e visse a leitura a avançar, estabelecendo uma rotina.

8 - Tenham noção da qualidade do vosso tempo livre - Quantas vezes me apercebo que estive duas horas ao computador sem fazer nada de útil ou de interessante? Duas horas perdidas sem acrescentar nada à minha vida, quando podia estar a ver um filme, quando podia ter saído para ir dar uma volta, ou a ler. Na era da comunicação, da internet, das redes sociais, é fácil dispersarmo-nos e distrairmo-nos com coisas que não nos acrescentam nada. Por isso, tentem aproveitar essas horas para fazer algo que vos distrai, relaxa, mas que vos acrescenta alguma coisa em vez que queimar neurónios sem propósito. Os neurónios são nossos amigos e os nossos livros merecem ser lidos. Vá. Saiam lá da internet...

E é isto! Para alguns podem parecer dicas básicas que "pel'amor de Deus, toda a gente sabe isso", mas às vezes pode não ser assim tão evidente para algumas pessoas. E como eu passei por um período um bocado perdida e desorganizada quanto a leituras, lembrei-me de fazer este post. Se tiverem mais algumas ideias, partilhem!

3 comentários:

Célia disse...

Gostei muito de ler o teu post :)
Em alternativa (ou em conjunto) com a definição de um período do dia para ler, eu também tento definir uma quantidade de páginas a atingir por dia. No meu caso são 100, e digo desde já que muitas vezes não consigo, porque depende do livro, da disposição, do tempo disponível... mas gosto de ter este objetivo porque me motiva a ler mais ;)

Diana Marques disse...

Obrigada :)

Eu já tentei fazer isso, mas comigo não funciona, pelas mesmas razões de que falas... Há alturas em que consigo ler 100 páginas por dia, outros em que só leio 20. Também depende do livro, porque às vezes só consigo ler 20 páginas numa hora, e outras consigo ler 50 no mesmo período de tempo.

Mas é uma boa motivação! Fica a dica :)

WhiteLady3 disse...

Olha, respondi-te ponto por ponto aqui. :P