11 de fevereiro de 2016

The Invention of Wings - Opinião

Título: The Invention of Wings
Autor: Sue Monk Kidd
Lido no Kobo
Sinopse:
"Sarah Grimké is the middle daughter. The one her mother calls difficult and her father calls remarkable. On Sarah's eleventh birthday, Hetty 'Handful' Grimké is taken from the slave quarters she shares with her mother, wrapped in lavender ribbons, and presented to Sarah as a gift. Sarah knows what she does next will unleash a world of trouble. She also knows that she cannot accept. And so, indeed, the trouble begins ... 

A powerful, sweeping novel, inspired by real events, and set in the American Deep South in the nineteenth century, The Invention of Wings evokes a world of shocking contrasts, of beauty and ugliness, of righteous people living daily with cruelty they fail to recognise; and celebrates the power of friendship and sisterhood against all the odds."

Opinião:

The Invention of Wings é um livro de ficção histórica passado na América esclavagista, no início do século XIX e está publicado em português pela Saída de Emergência com o título A Invenção das Asas. É só o segundo livro que leio este ano e já é uma das minhas leituras favoritas. O meu ritmo de leitura tem andado bastante lento, mas a forma como esta história me agarrou foi tal, que o li numa semana. Adorei tudo desde as personagens, ao cenário histórico, ao enredo e ao facto de se basear em personagens verídicas. Vamos por partes.

Este livro tem como personagens principais duas mulheres: Sarah Grimké e Hetty, mais conhecida como Handful. Tudo começa com ambas crianças, Sarah com onze anos e Handful com dez anos, quando Handful é dada a Sarah como presente no seu aniversário. Handful é escrava de casa e Sarah é filha de uma das famílias mais importantes de Charleston, na Carolina da Sul. O livro segue o percurso de ambas, cada uma com os seus grilhões e limitações, um percurso que se vai aproximando e afastando, que vai revelando as suas fragilidades mas também a sua força.

Sarah Grimké é uma figura histórica, uma das primeiras mulheres americanas a lutar pela abolição da escravatura e pelos direitos das mulheres. Desde pequena que sabe que não quer seguir o percurso típico designado para as mulheres na altura: frequentar os salões da alta sociedade, casar, ter filhos e liderar uma casa cheia de escravos. Sarah quer ter uma voz activa na sociedade, sente-se deslocada e sufocada pela falta de liberdade imposta às mulheres e é contra a escravatura. Por outro lado temos Handful, uma escrava que desenvolve uma relação muito próxima com Sarah, que a tenta ajudar por diversas vezes mas que só o consegue fazer até certo ponto. Porém, esta amizade não é óbvia e a relação entre ambas não é um mar de rosas. O fosso entre ambas é abismal e Handful irá enfrentar situações inimagináveis e Sarah só poderá ficar a ver, de mãos atadas. A compreensão nunca será total e há sempre um distanciamento entre ambas. O livro decorre no espaço de trinta anos, mais ou menos, e durante esse período muita coisa muda. 

Adorei as personagens Sarah e Handful, irão ficar para sempre comigo. O livro está muito bem escrito e torna fácil a empatia por elas. Sentimos as suas alegrias e os seus sofrimentos, as frustrações, a raiva, a rebeldia, as desilusões. O título é apropriadíssimo, porque a invenção das asas é o momento em que cada um adquire a sua liberdade. Houve, aliás, uma frase dita por Handful a Sarah que me ficou, deste livro: "My body might be a slave, but not my mind. For you, it's the other way round." Só mostra que há diferentes formas de uma pessoa ser escrava e neste livro temos duas. Sarah e Handful acabam por se tornar mulheres fortes e a vida de uma molda a outra, irremediavelmente.

Tudo o que diga será pouco. Adorei a mãe de Handful, Charlotte, e das colchas que fazia com a história dela e da sua família. Estas colchas eram, de facto, uma forma dos escravos contarem a sua história e de deixarem a sua marca na história. Basta procurarem por "slave quilts" no google, encontrarão alguns exemplos. Fiquei a saber mais sobre a história da escravatura e sobre o movimento abolicionista que começou por volta daquela altura. A escrita é envolvente e senti as páginas voarem e o tempo passar sem dar por isso. A história é fantástica e estas personagens são, de facto, o ponto forte, são retratadas de forma realista, sem cair em clichés. Vê-se o crescimento de ambas, a força que ganham e o poder que advém de seguirmos as nossas convicções e de sermos fiéis a nós próprios. Está tudo muito bem contado e o cenário histórico bem incorporado, de forma a conseguirmos entrelaçar a história das personagens com o ambiente social e político da época. 

Adorei. Adorei tudo! Recomendadíssimo a todos os que gostam de ficção histórica e deste período em particular da história norte americana.

6/6 - Excelente

(Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge)

3 comentários:

Tita disse...

Olá Diana,
Li este livro o ano passado e gostei bastante =)
Beijinhos

Carla Martins disse...

Vou esperar pela publicação em Portugal... :(

Diana Marques disse...

Carla, eu digo no início da minha opinião que ele está publicado em Portugal, pela Saída de Emergência...