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    Título: Dark Fire
    Autor: C. J. Sansom
    Editora: PanMacmillan
    Páginas: 608
    Sinopse:
    "Summer, 1540. Matthew Shardlake, believing himself out of favour with Thomas Cromwell, is busy trying to maintain his legal practice and keep a low profile. But his involvement with a murder case, defending a girl accused of brutally murdering her young cousin, brings him once again into contact with the King's chief minister - and a new assignment...

    The secret of Greek Fire, the legendary substance with which the Byzantines destroyed the Arab navies, has been lost for centuries. Now an official of the Court of Augmentations has discovered the formula in the library of a dissolved London monastery. When Shardlake is sent to recover it, he finds the official and his alchemist brother brutally murdered - the formula has disappeared. Now Shardlake must follow the trail of Greek Fire across Tudor London, while trying at the same time to prove his young client's innocence. But very soon he discovered nothing is as it seems..."

    Opinião:

    Três anos depois da narrativa passada no primeiro livro Dissolution, voltamos à companhia do advogado Matthew Shardlake que tenta desvendar dois crimes: o primeiro diz respeito ao homicídio de um rapaz, supostamente, cometido pela sua prima Elizabeth; e o segundo tem a ver com o brutal assassinato dos irmãos Gristwood que descobriram uma substância potencialmente perigosa, mas que faria Cromwell cair nas boas graças do rei, chamada "Greek Fire". De facto, mais uma vez Cromwell contrata os serviços de Shardlake para descobrir não só o que aconteceu, mas também para encontrar a fórmula desaparecida que permite a produção desse material estranho para seu uso numa potencial arma incendiária. E, se no primeiro livro Cromwell está no auge do seu poder durante o reinado de Henrique VIII, neste livro a coisa já não é bem assim, e Cromwell tenta a todo o custo conservar a sua posição enquanto conselheiro do rei que se deteriorou depois deste ter arranjado o casamento do rei com a sua quarta mulher, Anne de Cleves - casamento esse que durou cerca de seis meses.

    Assim, temos uma mistura de investigação criminal com ficção histórica, combinação essa de que gosto muito e Sansom faz maravilhosamente bem. Os passos dados na investigação de ambos os crimes acabam por se mesclar com as intrigas e lutas de poder entre Cromwell e o Duque de Norfolk, pai da futura esposa do rei, Catherine Howard, entre católicos e protestantes, adensando toda a trama que se vai desenvolvendo e colocando Shardlake em perigo. Gostei muito de reencontrar Matthew e a Inglaterra Tudor e de conhecer o seu novo companheiro Barak, designado por Cromwell para ajudar Matthew. São ambos homens muito diferentes, mas que acabam por se complementar bastante bem, afinal Matthew é um homem mais dado a processos mentais, sendo advogado, e Barak é um homem de acção, mais habituado à violência e a actos considerados menos nobres. 

    O que melhor me soube neste livro, para além das personagens e da própria investigação em si, foi todo o ambiente criado pelo autor que nos oferece uma visão realista sobre aquele período, tanto nas esferas mais elevadas, como nas baixas, visitando tabernas, bordéis, prisões e andando pelas ruas de Londres pejadas de habitantes de todos os tipos. Quanto aos principais enredos de crime, confesso que não estava à espera do desenlace final. Sansom conseguiu construir uma trama de conspiração, alquimia e segredos de estado que levam Shardlake e Barak a percorrer as ruas de Londres durante um período de cerca de 15 dias, levando o leitor consigo na sua demanda, mas sem nunca adivinhando onde tudo irá parar.

    Gostei bastante deste livro e de voltar ao período Tudor na companhia de Matthew Shardlake. Não posso deixar de aconselhar esta obra a quem gosta de um bom livro de ficção histórica com um enredo "policial" à mistura.

    5/6 - Muito Bom
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    Título: Dissolution
    Autor: C. J. Sansom
    Editora: Pan Books
    Páginas: 463
    Sinopse:
    "In 1537 a time of revolution that sees the greatest changes in England since 1066. Henry VIII has proclaimed himself Supreme Head of the Church. The country is waking up to savage new laws, rigged trials and the greatest network of informers it has ever seen. And under the orders of Thomas Cromwell, a team of commissioners is sent throughout the country to investigate the monasteries. There can only be one outcome: dissolution.

    But on the Sussex coast, at the monastery of Scarnsea, events have spiralled out of control. Cromwell's commissioner, Robin Singleton, has been found dead, his head severed from his body. His horrific murder is accompanied by equally sinister acts of sacrilege.

    Matthew Shardlake, lawyer and long-time supporter of Reform, has been sent by Cromwell to uncover the truth behind the dark happenings at Scarnsea. But investigation soon forces Shardlake to question everything that he hears, and everything that he intrinsically believes..."

    Opinião:

    Estamos em pleno reinado de Henrique VIII, rei da dinastia Tudor, em Inglaterra. Estamos também em pleno auge da Reforma Protestante, mais precisamente quando se começam a dissolver as casas e ordens monásticas em Inglaterra. Daqui o título do livro: dissolução.

    Mathew Shardlake é um advogado e comissário ao serviço de Lord Cromwell, enviado para investigar o homicídio de um outro comissário, Robin Singleton, no mosteiro de Scarnsea. Shardlake leva o seu ajudante Mark e pretende desvendar este crime o mais depressa possível para cair nas boas graças de Cromwell. Apoiante da Reforma, Shardlake é mal encarado por todos os monges que lá habitam, com a agravante de ter uma corcunda, algo visto como mau agoiro.
    Praticamente todos os monges com cargos importantes provocam uma desconfiança tanto em Shardlake como no leitor que se vê imediatamente embrenhado na narrativa e no ambiente do mosteiro do século XVI. Consegue-se sentir o clima, os cheiros, a tensão entre os monges católicos e Shardlake, protestante. Todos são vistos como suspeitos e todos veêm Shardlake como um inimigo.

    Porém, aquilo que começa por ser uma investigação sobre a morte de Singleton passa a ser uma investigação à gestão financeira do mosteiro, à conduta moral dos monges e a outras mortes que vão acontecendo. Shardlake vê-se metido numa espiral de crimes, conspirações e intrigas em Scarnsea que nos levam a virar cada página mais depressa para saber o que vai acontecer a seguir. Shardlake tem várias pistas, mas todas inconclusivas, que não levam a nada nem a niguém. Só praticamente mesmo nas últimas páginas do livro é que todos os mistérios são desvendados, os autores dos crimes enunciados e a tensão, construída ao longo da história, dissipada. Parece que todos têm algum motivo para cometerem actos criminosos, vamos suspeitando de algumas pessoas durante todo o livro mas o fim é, de facto, surpreendente.

    Eu sou fã de livros deste género: de mistérios, intrigas, policiais. Para além do mais, este livro tem a componente histórica por se passar na época do reinado de Henrique VIII. Assim, ao mesmo tempo que Shardlake vai abrindo caminhos na sua investigação, vai-nos também pintando as paisagens de Scarnsea e de Londres, os comportamentos das pessoas, o modo de vida de cada um, o modo de funcionamento das instituições de poder, de tal modo que o leitor se sente naquelas ruas, com aquele frio (a narrativa passa-se no inverno), a ver tudo pelos olhos de Shardlake. Além disso, há diversas conversas sobre o estado do país na altura: conversas sobre a Reforma, sobre o rei e as suas mulheres (na altura, a rainha Jane Seymour tinha morrido), sobre a dissolução dos mosteiros, sobre o catolicismo, sobre a corrupção moral em que alguns dos mosteiros viviam.

    Este é um ponto muito forte que, como fã de ficção histórica, agradou bastante por dar uma maior noção da era conflituosa que se vivia. Para além da parte histórica, o mistério dos homicídios adensa-se a cada página. E as interligações são tais que o próprio Shardlake se vê a braços com dúvidas existenciais, questionando os seus próprios valores, as suas convicções e julgamentos em relação às pessoas. A trama está muito bem construída, não há um único momento aborrecido, de tédio e vou, certamente, seguir os restantes livros da saga.

    6/6 - Excelente
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