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    Título: Rachel (As Filhas de Rashi #3)
    Autor: Maggie Anton
    Editora: Bertrand (Círculo de Leitores)
    Páginas: 549
    Sinopse:
    "Troyes, França, 1091. Rachel, a filha mais nova do erudito Salomon ben Isaac é a favorita do pai. Mulher brilhante e enérgica, esforça-se por constituir um próspero negócio de têxteis que mantenha em casa o marido Eliezer, afastando-o assim das missões mercantis cada vez mais demoradas.

    No entanto, antes que Rachel consiga realizar o seu sonho, sucede uma catástrofe. Os saqueadores da Primeira Cruzada massacram a população judaica da Alemanha e o seu pai sofre um colapso. Eliezer quer que a sua família se mude para a segurança de Espanha, mas Rachel está determinada a permanecer em França para ajudar o pai a salvar a yeshiva de Troyes - a única subsistente das grandes academias do Talmude na Europa.

    Com Rachel, uma intemporal história de sobrevivência e de amor, Maggie Anton conclui, de forma brilhante, a sua trilogia épica das mulheres judias de dignidade, paixão e energia que, contra todas as contrariedades, floresceram na França medieval."

    Opinião:

    Finalmente, depois de praticamente três anos de espera para que fosse publicada a tradução do último livro desta trilogia, consegui ler este Rachel que finda a história desta família judia de Troyes, em França, no século XI. Rachel é a filha mais nova de Salomon ben Isaac, o mestre do Talmude em Troyes, e a sua preferida. À semelhança do que acontece nos dois volumes anteriores, seguimos a história desta família agora pela perspectiva da terceira filha, Rachel, que é talvez a mais enérgica e provocadora das três.

    Como eu tinha saudades desta gente! Maggie Anton tem uma escrita simples, clara e consegue envolver-nos de tal maneira que vivemos a vida destas personagens, que estão tão bem construídas. Mais uma vez gostei da parte histórica do livro por retratar acontecimentos reais, como a Primeira Cruzada e consequentes massacres de comunidades judaicas na Europa, o crescente interesse nas obras clássicas de autores como Aristóteles, o estudo da astronomia, entre outras áreas de conhecimento que deram origem a uma Renascença no século XII; mas também do modo de vida das populações da época, em especial da comunidade judaica: os seus rituais diários, as suas festividades, as suas superstições e o estudo frequente do Talmude encabeçado por Salomon, patriarca da família.

    Mais uma vez, deliciei-me com esta narrativa da família de Rashi. Estava em pulgas para começar a ler este último livro e as expectativas não foram defraudadas. Tudo funciona na perfeição e a parte histórica está tão bem interligada com a parte ficcional, que não se torna secante. As várias discussões sobre o Talmude que a autora vai inserindo ao longo do livro também se tornam interessantes e pertinentes para nos ajudarem a compreender o pensamento e o modo de vida dos judeus. Além disso é bom ver o crescimento das personagens, de uns livros para os outros, e ver o que a vida lhes reservou nesta última etapa e como reagem eles aos vários obstáculos, tragédias e incertezas que a vida lhes vai colocando.

    Eu adorei e não posso deixar de recomendar estes livros a todos que gostam de ficção histórica, aos que gostariam de saber mais sobre a religião judaica, e aos que gostam de livros com personagens interessantes a que nós nos acabamos por apegar e que, apesar de viverem numa época que nos parece tão distante, acabam por se defrontar com dilemas tão semelhantes como os nossos.

    5/6 - Muito Bom
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    Estive ontem até às 3h da manhã a ler para terminar este livro da trilogia As Filhas de Rashi, de Maggie Anton.
    Salomon ben Isaac é o patriarca desta família e cujas filhas são três: Joheved, a mais velha, Miriam, a do meio e Rachel, a mais nova. Sendo assim, este segundo livro intitulado Miriam, foca-se na vida da filha do meio de Salomon, o Rashi.

    O início da história parte, então, do fim do primeiro livro. Miriam está noiva de Benjamin e falta pouco mais de um mês para que se realize o casamento. Apaixonados, lutam contra o desejo de se entregarem um ao outro antes da realização do casamento, porém, Benjamin morre, acidentalmente na vinha, deixando Miriam desolada durante meses. Contudo, a família tenta arranjar um noivo para que ela possa casar e reconstruir a sua vida.
    É, então, achado um parceiro à sua altura, Judah. Miriam não queria nada menos que um chacham (mestre judeu) e Judah, por sua vez, também não queria uma esposa que fosse ignorante em relação ao Talmude. E, embora não estando apaixonados, acabam por ter uma relação de empatia um com o outro e casam-se.
    Contudo, Judah é diferente dos outros homens da yeshiva (academia talmúdica) de Troyes, sendo que este sente-se atraído pelos vários discípulos que toma para companheiros de estudo do Talmude. E enquanto vemos Judah a tentar resistir ao impulso de se deixar levar pela sua yetzer hara (inclinação para o mal, normalmente referente ao desejo sexual) sempre que se afeiçoa a um discípulo, Miriam afirma-se como parteira da comunidade judaica e tenta também afirmar-se como mohelet, ou seja, a mulher que faz as circuncisões. Este último facto é alvo de muita polémica na comunidade, já que esta era uma obrigação e mandamento divino, mitzvah, direccionada ao homem.
    Temos, então, dois grandes temas no desenrolar deste livro: o papel da mulher na vida privada e social numa comunidade judaica no século XI; e a possível homossexualidade de um jovem casado, com filhos, mas confrontado com uma luta interior entre o que é levar uma vida "normal" e ceder aos seus desejos mais íntimos de estar com um homem.

    Gostei muito deste livro e, de facto, há uma facilidade enorme de nos apegarmos às personagens e sentirmos as suas vivências como se fossem nossas. Este é um trabalho excelente da autora, tanto em termos ficcionais como em termos históricos de retratar a vida da comunidade judaica de Troyes e de todos os rituais do Judaísmo e como este afecta as vidas de cada um. Tomamos conhecimento com mais personagens, com mais filhos que nascem, com outros casamentos e viagens. A autora abre também a discussão sobre o que era esperado de uma mulher, nesta época, e do que ela realmente podia fazer e, de facto, fazia. E esta família não era, de todo, considerada a típica família judaica, já que Salomon ensinava o Talmude às filhas, algo que não era permitido, tinham uma filha que se tornou mohelet e, ainda mais, as três filhas de Rashi ensinavam o Talmude aos filhos, algo reservado somente aos homens.
    A narrativa atravessa também momentos históricos importantes, bem documentados, como as duas epidemias de varíola em França que começou em 1088, onde morreram grande parte dos mais novos e dos mais velhos membros da comunidade; e as batalhas do Papa Gregório com o Rei Henrique a propósito da reforma da Igreja Católica. Aliás, estes e outros factos são descritos no Posfácio da autora em que ela justifica as suas escolhas, revela a sua investigação e revela quem são as personagens ficcionais e as que existiram realmente.

    Em geral é um livro, juntamente com o anterior, aconselhadíssimo para quem quer saber mais sobre o Judaísmo, mas também para quem gosta de romances históricos bem construídos, que nos agarram desde o início e que nos fazem ficar à espera de mais.
    Quem quiser ler a minha opinião sobre o primeiro livro, Joheved, pode ver aqui.
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    Vou começar agora a ler este segundo livro da trilogia As Filhas de Rashi, da autoria Maggie Anton, intitulado Miriam. Li o primeiro livro e fiquei a adorar a história desta família e conhecer estes costumes de uma família judia na França do século XI.
    Fica aqui a sinopse:

    "Troyes, França, 1078. Ao ensinar à sua extrovertida e corajosa filha do meio, Miriam, as particularidades do Talmude, Salomon bem Isaac, não faz ideia de como ela se vai atrever.
    Encorajada pelo seu conhecimento e luto pela morte do noivo, Miriam está determinada a tornar-se não só a parteira da comunidade, mas também o seu mohel - pessoa que realiza circuncisões. Devido à devoção que tem pelo caminho escolhido, não será capaz de prever que vai ser testada de inúmeras maneiras e que terá de confiar veementemente na sua fé. E quando um novo pretendente misterioso chega a Troyes - um jovem mestre de sabedoria e beleza excepcionais que se esforça para viver com um segredo que, se revelado, levá-los-ia à ruína - a formidável e independente Miriam terá de decidir se são capazes de construir uma vida em conjunto."
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    Pois bem, ontem foi dia de adquirir uns livrinhos por minha conta. Finalmente chegou a minha encomenda do Círculo de Leitores, do segundo livro da trilogia As Filhas de Rashi, da autoria de Maggie Anton, intitulado Miriam. Quem quiser saber sobre o que se trata, aqui está a crítica ao primeiro livro da trilogia, Joheved.

    E, como ontem fui à FNAC não resisti trazer de lá um livro (sim, só um, porque ao preço que andam os livros, não pude comprar mais nada). Trouxe uma autobiografia que ando para ler há muito tempo, Antes que Anochezca, de Reinaldo Arenas, um escritor e poeta cubano. É o primeiro livro que compro em espanhol, mas acho que me safo...
    Há um filme baseado na sua autobiografia, chamado Antes que Anoiteça e cujo protagonista é Javier Bardem. Como adorei o filme é claro que quis comprar o livro... Para quem não conhece e esteja curioso para saber quem é, o filme é um excelente ponto de partida.

    Agora tenho mesmo que acelerar a leitura do The Pillars of the Earth, porque estou ansiosa para começar a ler estes dois livros!
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    Mal pousei este livro e fiquei logo com vontade de ler o que se lhe sucede. Há algum tempo que não me acontecia isto: ler um livro e ser-me difícil de o largar. Mas vamos por partes.

    Joheved é o primeiro livro de uma trilogia chamada As Filhas de Rashi. Conta a história da família de Salomon ben Isaac, um estudioso do Talmude na França Medieval, mais propriamente no século XI. Vive em Troyes e, como não tem filhos, começa a ensinar, secretamente, o Talmude às suas duas filhas: Joheved e Miriam. Salomon possui também uma vinha, que é o que providencia o sustento da família e, por isso, divide-se entre a produção de vinho e o estudo do Talmude, assim como acontece com as suas filhas.
    Somos então levados aos eventos da vida quotidiana de uma família judaica e ao papel que cada um tem nas várias celebrações religiosas que se desenrolam ao longo da história. Podemos ver mais de perto todos esses rituais, o seu significado e a importância que têm na vida de todos e de cada um, já que o Judaísmo é indissociável das suas vidas. Para mim, foi isto que me interessou mais porque gosto sempre de saber mais sobre culturas, religiões, estilos de vida e sociedades que sejam diferentes da minha e a religião judaica era uma delas.
    Ao longo do livro somos também confrontados com algumas passagens do Talmude e com as discussões subsequentes por parte de quem a aprende e ensina, já que Salomon funda uma yeshiva (academia talmúdica) em Troyes, para que possa ensinar outros comerciantes que ali se encontram, assim como filhos e netos de outras figuras da cidade.
    Contudo, Joheved, cujo espírito desperta para a aprendizagem deste complemento da Torah, vê-se confrontada com o casamento com Meir ben Samuel, um discípulo de Salomon. O problema principal e as suas grandes dúvidas eram se Meir aceitaria bem o facto de ter uma mulher que sabia, provavelmente, tanto como ele a respeito do Talmude. E, mesmo que o aceitasse, se a deixaria continuar os seus estudos, mesmo enquanto casada, já que o estudo do Talmude era vedado às mulheres.
    Para além disso, a história tem os seus momentos de humor, principalmente de Miriam e dos discípulos de Salomon e achei curioso todas as susperstições e acontecimentos que seriam ligados aos demónios. No que toca ao Judaísmo, acho que muitas pessoas ficarão surpresas com alguns ensinamentos e crenças que eles têm. Eu, pelo menos, fiquei.

    Achei este livro fascinante e gostei particularmente do facto de que as palavras e expressões de origem judaica, assim como os nomes dos rituais, não foram traduzidos para português, originando um pequeno glossário no fim do livro. Assim, temos expressões como mazikim (espírito maléfico), shiva (sete dias de luto após a morte de um familiar) Rosh Hashanah (o ano novo judaico), chacham (mestre judeu) entre tantas outras.
    Outra coisa interessante é que este livro é um romance histórico e, como tal, existem personagens verídicas e ficcionais. A autora escreve um posfácio relatando as que são o quê mas, informo que Salomon, assim como as suas filhas e o marido de Joheved foram pessoas reais e Salomon foi a primeira pessoa a redigir um comentário ao Talmude. São descritos também eventos históricos mais que documentados como a reforma religiosa do Papa Gregório, a fome de 1030-1033 em França e o inverno bastante rigoroso que foi o de 1076-1077.

    Para concluir: achei este livro excelente, estou ansiosa para comprar o seguinte, Miriam, e saber os eventos que se vão desenrolar. Porque este foi um livro difícil de pousar, mesmo quando o sono apertava à noite e, quando finalmente o terminei, fiquei com uma enorme vontade de rever estas personagens, principalmente Joheved e o seu marido, porque me apeguei imenso à sua história.
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    Novas leituras!!

    Chegou há cerca de duas semanas através de encomenda e cativou-me desde que vi um resuminho numa revista do Círculo de Leitores.
    Joheved é o primeiro livro de uma trilogia, As Filhas de Rashi, da autora americana Maggie Anton. É um romance histórico que nos embrenha na França medieval e que parte de uma figura histórica real, Rashi, um professor de estudos bíblicos, que muitos acreditam ser descendente do Rei David.

    Fica aqui a sinopse:

    "O primeiro romance de uma dramática trilogia histórica na França do século XI, quando - para uma mulher judia - o saber era perigoso.
    No ano 1068, o mestre Salomon ben Isaac regressa a casa, em Troyes, França, para gerir o negócio de produção de vinho da família e embarcar num caminho que irá influenciar indelevelmente o mundo judaico, ao redigir o seu primeiro comentário do Talmude e ao ensinar secretamente o Talmude às filhas.

    Joheved, a mais velha, apercebe-se de que a sua mente e espírito são despertados pelo estudo religioso, mas, ciente do risco, tem de guardar segredo da sua paixão pela aprendizagem e pela oração. Quando fica noiva de Meir ben Samuel, vê-se obrigada a escolher entre a felicidade do casamento e a devoção ao seu amor pelo Talmude."


    Para quem desconhece o que é o Talmude, ficam aqui algumas indicações:

    "O Talmude define e dá forma ao judaísmo, alicerçando todas as leis e rituais judaicos. Enquanto o Chumash (o Pentateuco, ou os cinco livros de Moisés) apenas alude aos Mandamentos, o Talmude explica-os, discute-os e esclarece-os. Não fosse este, não entenderíamos e muito menos cumpriríamos a maioria das leis e tradições da Tora e o judaísmo não existiria. [...]
    O Talmude tem dois componentes principais: a Mishná, um livro sobre a lei judaica, escrito em hebraico, e a Guemará, comentário e elucidação do primeiro, escrita na gíria hebraico-aramaica."

    Este é um excerto de um artigo online sobre o Talmude, no site Morasha.com
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