17 de fevereiro de 2010

As Cidades Invisíveis - Opinião

Título: As Cidades Invisíveis
Autor: Italo Calvino
Colecção: Biblioteca Sábado
Páginas: 178
Sinopse:
"Marco Polo fala a Kublai Kan das cidades do Ocidente, maravilhando o imperador Mongol com as suas descrições. Estas cidades, no entanto, existem apenas na imaginação do mercador veneziano: a sua vida encontra-se apenas dentro das suas palavras, uma narrativa capaz de criar mundos, mas que não tem força para destruir «o inferno dos vivos». Este livro tem o lirismo dos livros de poemas, poemas que por vezes descrevem cidades e outras vezes a forma de pensar e de ser dos seus habitantes.
Invertendo os papéis do Livro das Maravilhas, através do qual Marco Polo revelou o Oriente ao mundo ocidental, Calvino arquitectou o livro que o estabeleceria como uma das referências incontornáveis da literatura pós-moderna."

Opinião:

As Cidades Invisíveis são um conjunto de descrições de várias cidades feitas por Marco Polo a Kublai Kan. O livro está dividido em nove partes, em que cada uma começa com um diálogo entre o Imperador Khan e Polo, e depois as cidades vão sendo descritas também, por sua vez, divididas em vários temas.
E estas cidades são todas diferentes, surreais, quase oníricas. Há cidades que só o são pela metade, há outras que não tocam na terra, há cidades suspensas, outras cobertas de terra e outras cheias de canais de água; há cidades incompletas, em construção, cidades feitas de ouro e pedras preciosas. Por vezes estas cidades não nos são descritas a partir das suas estruturas, mas sim através das pessoas que as habitam ou habitavam, dos seus costumes, dos seus hábitos e das suas especificidades.

Se estas cidades são reais ou não, isso não importa. Talvez elas existam porque pensamos nelas e quando deixamos de as pensar elas desmoronam-se aos nossos pés. São cidades essencialmente da imaginação, da memória, porque as palavras não chegam para se descrever algo. Tem que se estar lá. E só lá estamos através das imagens que fabricamos para nós próprios, na nossa mente. Este é um livro, decididamente, que dá largas à imaginação de cada um. Dá liberdade criativa.

E se houve uma coisa que eu vim a descobrir conforme ia lendo é que todos somos Kublai Khan e todos somos Marco Polo. Todos temos coisas para contar, experiências para partilhar; mas também todos somos ouvintes e recipientes desses testemunhos.

Só encontrei dois pontos fracos neste livro. Apesar de ser um livro pequeno, não é um livro fácil de se ler, tem que se ler nas entrelinhas e captar a sua verdadeira essência. Contudo, senti um pouco que não havia conexão entre os vários textos, não havia um fio condutor que nos levasse de uma cidade à outra. Havia um corte bem marcado. Outro ponto fraco foi o facto da acção ser praticamente nula. Atenção, isto não quer dizer que não tenha gostado do livro, mas sim que a história em si tem um ritmo lento porque, no fundo, não se passa realmente nada.

Gostei particularmente de uma reflexão entre Kublai Khan e Marco Polo quando se questionam sobre a sua própria existência, porque às vezes penso precisamente a mesma coisa. Aliás, isso já foi inclusive motivo de conversa por várias vezes. Como é que eu sei, por exemplo, que não sou fruto da imaginação de alguém que está a dormir, ou em coma, ou até de um animal?...

5/6 - Muito Bom

Sem comentários: