21 de março de 2010

Dia Mundial da Poesia


Hoje, dia 21 de Março, comemora-se o Dia Mundial da Poesia. Assim, e tal como fiz o ano passado, ponho-vos aqui um poema de um senhor chamado Ary dos Santos. Assim como quem não quer a coisa... ;)

Espero que gostem e que se leia e escreva cada vez mais poesia! Mesmo na faculdade, noto que há uma certa "alergia" quando se fala neste género literário...

Original é o poeta
que se origina a si mesmo
que numa sílaba é seta
noutro pasmo ou cataclismo
o que se atira ao poema
como se fosse um abismo
e faz um filho ás palavras
na cama do romantismo.
Original é o poeta
capaz de escrever um sismo.

Original é o poeta
de origem clara e comum
que sendo de toda a parte
não é de lugar algum.
O que gera a própria arte
na força de ser só um
por todos a quem a sorte faz
devorar um jejum.
Original é o poeta
que de todos for só um.

Original é o poeta
expulso do paraíso
por saber compreender
o que é o choro e o riso;
aquele que desce á rua
bebe copos quebra nozes
e ferra em quem tem juízo
versos brancos e ferozes.
Original é o poeta
que é gato de sete vozes.

Original é o poeta
que chegar ao despudor
de escrever todos os dias
como se fizesse amor.
Esse que despe a poesia
como se fosse uma mulher
e nela emprenha a alegria
de ser um homem qualquer.

4 comentários:

B. disse...

Bonito poema... Ary dos Santos é um dos meus poetas preferidos...

bjs

tonsdeazul disse...

Muito bonito este poema do Ary dos Santos. Desconhecia.

Faço uma troca. :) Deixo-te com «Ausência»:

«Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
magoa, que se limita à alma; mas que não deixa,
por isso, de deixar alguns sinais, um peso
nos olhos, no lugar da tua imagem, e
um vazio nas mãos, como se as tuas mãos lhes
tivessem roubado o tacto. São estas as formas
do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
as coisas simples também podem ser
complicadas, quando nos damos conta da
diferença entre o sonho e a realidade. Porém,
é o sonho que me traz a tua memória; e a
realidade aproxima-me de ti, agora que
os dias correm mais depressa, e as palavras
ficam presas numa refracção de instantes,
quando a tua voz me chama de dentro de
mim - e me faz responder-te uma coisa simples,
como dizer que a tua ausência me dói.»
in «Pedro, Lembrando Inês», de Nuno Júdice

Diana disse...

Muito bonito também. Obrigado por partilhares, tonsdezul =)

Regina disse...

Muito bom poema. Não conhecia. gostei também de seu blog. agora quero saber o autor dessa imagem que vc usou para ilustrar. Não encontro a autoria em lugar algum.
abraço
Regina
www.livroerrante.blogspot.com