7 de junho de 2012

The Happy Prince and Other Stories - Opinião

Título: The Happy Prince and Other Stories
Autor: Oscar Wilde
Editora: Penguin Classics
Páginas: 204
Sinopse:
"Urbane, dandyish, sardonic - the popular image of Oscar Wilde does not immediately conjure up a writer of enchanting fairy tales. Yet, as this collection admirably shows, he was also a poet, a dreamer and, above all, born storyteller.

'The Happy Prince', one of his best-loved stories, tells of the attempts of a kind-hearted statue and an amorous swallow to rid their city of poverty, and of their heavenly reward. Others include the tale of the unjust but repentant giant who discovers joy in loving others, the nightingale willing to die for love, and a pompous although very remarkable rocket, ready to display his talents and his ignorance. Full of splendid, joyous imagery - birds, flowers, fireworks and palaces - the stories are infused with an underlying wisdom and morality.

Beguilingly haunting and original, these timeless tales - initally invented by Wilde for his own children -  remain as popular today as when they were written over a hundred years ago."


Opinião:

Esta não é a primeira obra que leio de Oscar Wilde. Já passei por alguns ensaios dele, pela peça The Importance of Being Earnest e pelo seu único romance The Picture of Dorian Gray. Desta feita aventurei-me nos contos, dos quais já conhecia dois desde a minha infância: "The Happy Prince" e "The Selfish Giant". E como gosto tanto de ambos decidi alargar os meus horizontes e ler os restantes.
O livro encontra-se dividido em duas partes. A primeira contém os cinco contos que fizeram parte da colectânea The Happy Prince: "The Happy Prince", "The Nightingale and the Rose", "The Selfish Giant", "The Devoted Friend" e "The Remarkable Rocket". Já a segunda parte constitui os contos da colectânea The House of Pomegranates: "The Young King", "The Birthday of the Infanta", "The Fisherman and his Soul" e "The Star-Child".

Todos estes contos têm tanto de ambiente de contos de fadas, com a presença da magia, animais e objectos falantes, com a natureza a ter um papel importante no desenrolar das histórias, como tem de crítica social aos homens do seu tempo. Os contos foram escritos por Wilde para os seus filhos mas nota-se perfeitamente, que a moral final do conto advém da crítica social que o permeia em primeiro lugar. Desde o contraste entre pobres e ricos, o aproveitamento das classes mais abastadas e consequente desprezo pelas classes mais pobres e a crítica ao homem dandy tão em voga no seu tempo (um homem que dá demasiada importância à aparência física, à linguagem refinada, às ocupações de tempos livres e adepto da cultura do Eu, tentando imitar o estilo de vida da aristocracia). Neste aspecto, todos os contos têm essa característica: a crítica à sociedade da sua época. 
Assim, temos a estátua dourada de um príncipe que é adorada por todos na cidade mas que, quando começa a decair, uma vez que as folhas douradas estão a ser distribuídas pelos mais pobres, é desprezada por todos e acaba por ser deitada abaixo. Temos ainda um jovem rei que ao aperceber-se de que objectos da sua coroação, a coroa, o manto e o ceptro, são obtidos através do trabalho escravo e sofrimento dos outros decide optar por uma coroa de ramos de roseira, um cajado e uma túnica de pastor e é desdenhado por todos. Isto só para dar alguns exemplos.

Wilde ensina também que o amor é a grande virtude de uma pessoa e não a sua beleza ou riqueza. A verdadeira fortuna é um bom coração que se sacrifica pelos outros mesmo que os outros não lhes retribuam, pois estes terão um lugar especial no Céu, quando partirem. Mas até a passagem desta mensagem se faz, por vezes, de maneira irónica e até trágica. Temos um rouxinol que morre para fazer brotar rosas vermelhas numa roseira para que um rapaz possa oferecer a rosa mais bela à sua amada. Ou ainda um anão que, apaixonado pela infanta que o contrata para o seu aniversário para fazer rir todos os presentes, acaba por morrer de coração partido, aos pés da sua amada, ao que esta última afirma: "For the future, let those who come to play with me have no hearts." Algumas histórias são de apertar o coração e da lágrimazita espreitar no canto do olho. Eu, pelo menos, emocionei-me. Então, apesar de todas as vicissitudes que as várias personagens possam passar, a chave para tudo é o amor e não a riqueza ou as aparências exteriores.

Que posso mais dizer sobre estes contos? A escrita de Wilde é belíssima. Emocionante, sardónica, pertinente e até com uma boa dose de humor. Através destes contos ele fala às crianças, criando um mundo fantástico e mágico onde pode mostrar-lhes a verdadeira essência das pessoas mas, ao mesmo tempo, fala aos adultos mostrando aquilo que não estava bem na sociedade do seu tempo. São contos muito belos que nos falam ao coração e que também põem em causa os nossos comportamentos perante os outros. Aconselho a todos a leitura dos contos de Oscar Wilde, a crianças e a adultos. Porque, de vez em quando, todos precisamos de um conto de fadas que nos desperte para a nossa realidade e nos faça pensar sobre ela.

6/6 - Excelente

8 comentários:

WhiteLady3 disse...

Tenho mesmo que me atirar às obras do homem.

Diana Marques disse...

Tens sim. Os contos são belos e poderosos :)

tonsdeazul disse...

Gostei imenso deste livro de contos de Oscar Wilde, que tive a oportunidade de ler na língua original.

Diana Marques disse...

Sim, há obras que valem a pena serem lidas na língua original em que foram escritas e as obras de Wilde fazem parte desse grupo. Eu sempre que posso tento ler os livros na língua original, porque perde-se sempre alguma coisa na tradução. E a escrita de Wilde vale bem a pena ser lida em inglês :)

WhiteLady3 disse...

Sim perde-se, sobretudo com autores de renome. Digo isto porque estou a ler o Hamlet em inglês e em português e na tradução perde-se tanto. É óptimo para perceber o que se está a passar, que os "thy", "art", "ere" são aquelas coisas que me deixam "hã?!" Custa um pouco uma pessoa habituar-se a tal linguagem e ao facto de andarem por ali às voltas só para dizer "ai que o meu pesar é tão grande!", mas é tão bonito e a tradução perde um pouco dessa beleza e de significados escondidos.

Percebi que o Wilde seria para ler na versão original devido à Importância de ser Ernesto. Depois de ver o filme e saber que o título dizia "earnest" e não "Ernest" uma luzinha acendeu-se e pensei "ele faz jogos de palavras!"

Diana Marques disse...

E há sempre expressões que não têm equivalente na nossa língua, quando são traduzidas, há coisas que acabam por serem escritas de outra maneira e perde-se a maneira original como aquela obra foi escrita. Estes clássicos vale muito a pena ler em inglês.
Essa peça do Wilde até serviu de tema de uma aula na faculdade, sobre como traduziríamos o título da peça! Acho que não chegámos a conclusão nenhuma xD

E quanto ao Shakespeare, eu já sou uma 'ssoa habituada ao linguajar dele, portanto aquilo que escreve já se vai tornando mais familiar. :P Mas é tão munito, não é?? ^^

WhiteLady3 disse...

Aha! Não invejo o trabalho dos tradutores nesses casos. :)

Sim, é tã'lindo! Ainda dou por mim a pensar no verso:
"These indeed seem,
For they are actions that a man might play;
But I have that within which passeth show,
These but the trappings and the suits of woe."
Tanto que ele sofre. :'(

Diana Marques disse...

Tão vunito! ^^ E ainda não chegaste ao To be or not to be! :D
E sim, o Hamlet é um sofredor... É um Jon Snow à antiga xD