24 de março de 2014

The Eagle and the Raven - Opinião

Título: The Eagle and the Raven
Autor: Pauline Gedge
Lido no Kobo
Sinopse (do Goodreads):
"Spanning three generations, this historical novel tells the tale of Boudicca, the most famous warrior of ancient Britain, and Caradoc, the son of a Celtic king, who sets out to unite the people of the Raven and lead them against Rome. Caradoc's objective is not easily accomplished as the Roman army advances into Britain, raping Celtic women and burning villages to the ground. His efforts are also met with fierce opposition from Aricia, the vain queen of a northern tribe who swears allegiance to the Romans after Caradoc slights her, and from Gladys, Caradoc’s warrior sister who falls in love with her Roman captor. Unfortunately, Caradoc’s endeavors are left unresolved when he is taken prisoner, but Boudicca, a strong-willed woman, ultimately takes up the cause that was Caradoc’s legacy."

Opinião:

Um calhamaço de pouco mais de 700 páginas que li no Kobo e que me mentalizei, logo quando comecei a lê-lo, que era leitura para demorar o seu tempo e, por isso, já sabia que ia passar o mês de Março todo com esta leitura. A sinopse é um pouco enganadora, bem como a capa. Na sinopse diz-se que este livro é sobre a história de Boudicca, uma guerreira celta inglesa, rainha da tribo dos Icenos, e na capa a imagem que encontramos é referente a uma mulher guerreira, provavelmente a Boudicca. Porém, a personagem principal deste livro é Caradoc, o chefe da tribo Catuvellauni, e só nas últimas 100 ou 200 páginas é que Boudicca ganha destaque. De certa maneira percebo o porquê, uma vez que é preciso contexto para se perceber como se chegou à situação em que Boudicca acabou por se rebelar, mas... 500 páginas até chegar lá? Vamos por partes.

Um dos pontos fortes deste livro, como ficção histórica, é o retrato da cultura celta. Todo o livro é sobre o ponto de vista das tribos celtas e espelha muito bem os seus rituais e crenças, o seu modo de vida, a romanização da ilha, as trocas comerciais e as rivalidades entre as tribos. Neste aspecto, o livro é muito rico em descrições e ficamos com uma ideia muito boa de como as coisas funcionavam naquele tempo. O mundo celta ganha vida e conseguimos ver, perfeitamente, todos os detalhes daquele povo, desde a roupa e acessórios que usavam, à construção das casas, aos ritos e ideais dos celtas. Gostei, ainda, do facto de terem sido incluídas palavras celtas bem como referências directas a deuses celtas irlandeses, o que foi uma aposta arriscada da autora, uma vez que não há  registos de uma mitologia celta de origem inglesa. Ainda assim, gostei deste pormenor. Também gostei de ver a evolução das personagens, principalmente de Caradoc. De miúdo inconsequente a chefe de tribo, é sobre ele que passam a recair todas as responsabilidades, incluindo o futuro de Albion, e a mudança interior dele, as dúvidas, os conflitos interiores,  os erros, estão muito bem descritos e tornam Caradoc muito humano. Um dos pontos fortes, sem dúvida.

Por outro lado, o livro arrasta-se e arrasta-se... Há partes monótonas, não há momentos de grandes emoções, o ritmo do livro é muito linear e mesmo em alguns momentos que seriam de maior tensão, confronto armado, personagens que morrem, intrigas, a autora não consegue passar grandes emoções para o leitor. E depois há cenas que se alongam e alongam e que apesar de fazer sentido para percebermos o percurso das personagens, algumas são dispensáveis para a história que a autora, em primeiro lugar, quer contar. Dizer que o livro é sobre Boudicca quando ela aparece e ganha destaque já só a 200 páginas do fim, é muito mau. Além disso, há outras mulheres fortes e interessantes ao longo do livro que podiam ter um destaque maior, mas acabam relegadas para segundo plano. Uma delas é Eurgain, mulher de Caradoc, que eu adorei, a outra é Aricia. Todas as mulheres são fortes, leais, guerreiras e gostei bastante deste retrato. Mas sempre relegadas para segundo plano...

No fim de contas, não posso dizer que não gostei deste livro. Gostei, mas podia não ser tão longo, com um ritmo tão morno, sem grandes clímaxes, sem altos e baixos. Por vezes li na diagonal, saltei algumas partes para ver se a coisa se tornava mais interessante, mas senti-me frustrada e, por vezes, aborrecida. Senti, no início, que este livro podia quase ser um épico mas faltou-lhe qualquer coisa. Além disso, aquele engano da sinopse sobre o facto do livro ser sobre Boudicca... Esqueçam. É um livro sobre a luta das tribos celtas contra o domínio romano, que começa em Caradoc, personagem principal do livro, e acaba em Boudicca, num episódio super conhecido da história de Inglaterra. Uma mulher de coragem que não teve medo de lutar contra os romanos. Sobre ela gostei muito mais de Os Corvos de Avalon, de Marion Zimmer Bradley e Diana L. Paxson. Esse sim, centra-se em Boudicca.

Ainda assim, é um livro bom, demonstrativo da luta travada entre celtas e romanos, bem como um retrato fiel de ambas as culturas. A parte da rainha Boudicca é mais agitada, mais emocionante, é o auge deste livro, mas eu já vinha tão "cansada" do resto, que já só queria acabá-lo. Ler um livro de 700 páginas e só nas últimas 200 encontrarmos aquilo de que estávamos à espera... Tende cuidado.

4/6 - Bom

(Esta leitura conta para o TBR Pile Reading Challenge 2014) 

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