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Divagações sobre livros e a minha vida de leitora

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    Podem também ouvir a minha opinião no podcast, AQUI.

    Este foi o primeiro livro que li no contexto do MangaLipa Mania e foi o segundo livro que li da V.E. Schwab. Gostei tanto do Addie LaRue que decidi experimentar enveredar por este mundo de magia que ela nos oferece neste livro, o primeiro da trilogia Shades of Magic. Por cá, o livro também está publicado com o título Uma Magia Mais Escura.

    Neste livro deparamos-nos com uma realidade em que os Antari - um grupo pequeno de pessoas com habilidades mágicas - conseguem viajar entre as várias Londres em realidades paralelas: a Londres Vermelha, a Branca e a Cinzenta. Existe, ainda, a Londres Negra que caiu em desgraça e para a qual já não se viaja. Deste grupo de Antari, dos quais cada vez há menos por causa das habilidades que possuem e que são cobiçadas por todos, seguimos Kell. 

    Kell foi criado na Londres Vermelha, é um embaixador da família  Real, mas tem um trabalho não oficial e mais obscuro: é contrabandista de objectos das outras Londres. Este aspecto coloca-o numa posição mais vulnerável e é a partir daí que todos os acontecimentos se desencadeiam, depois de uma espécie de troca que acarreta mais problemas do que, aparentemente, parece. Na Londres Cinzenta Kell cruza-se, ainda, com Lila, uma jovem rapariga que sobrevive nas ruas como pode e que acaba por se juntar a Kell numa aventura que coloca em perigo as várias Londres.

    Assumo que o início do livro foi um pouco atribulado para mim, porque só comecei a entrar realmente na narrativa a partir de meio do livro. Não porque esteja mal escrito, ou seja desinteressante, mas porque há a introdução de várias personagens, várias dinâmicas, vários locais, mais o sistema de magia deste mundo, que me pareceu tudo um pouco desconexo, como se fossem várias coisas separadas a acontecerem sem ligação entre elas. Mas a meio do livro tudo começa a convergir e o leitor começa a perceber de que forma tudo está ligado e tem influência para o resultado final.

    Gostei muito das personagens: Kell e Lila, bem como do irmão de Kell, Rhy. Lila é uma rapariga rebelde, que faz e diz o que lhe vai na real gana, sem filtros e que tem algumas das tiradas mais hilariantes do livro. A interacção entre ela e Kell é bastante divertida e os dois acabam por depender e ter de confiar um no outro em várias situações - mesmo que isso os contrarie um pouco. Kell é um pouco mais velho que Lila,  mais conhecedor da magia que permeia este mundo até porque ele próprio é um dos Antari, aspecto que é visível pelo facto de ele possuir um olho negro, marca da magia, e um azul, a cor natural dele.

    Apesar deste livro ser o primeiro de uma trilogia, penso que pode ser lido individualmente, uma vez que a história aqui apresentada tem princípio, meio e fim. Há algumas pontas que ficam soltas, que serão desenvolvidas nos volumes seguintes, mas se quiserem têm curiosidade e ainda não se querem comprometer com toda a trilogia, este livro está bem concebido nesse sentido.

    Como veredicto final, posso dizer que gostei deste livro, gostei da construção do mundo, da magia, das personagens, mas... Não achei fenomenal. Como todos os livros que fazem parte de trilogias ou sagas, o primeiro livro é sempre mais introdutório e talvez por isso me tenha sabido a pouco. Quero saber mais sobre aquelas Londres, o sistema de magia e por isso achei que faltou alguma coisa. Fica aqui a vontade de continuar a ler estes livros.

    4/6 - Bom

    (Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge 2021)

    Comprar: Bertrand (link de afiliado)
    __________________

    Detalhes

    Editora: Titan Books
    Páginas: 384
    Sinopse:
    "Kell is one of the last Antari—magicians with a rare, coveted ability to travel between parallel Londons; Red, Grey, White, and, once upon a time, Black. 

    Kell was raised in Arnes—Red London—and officially serves the Maresh Empire as an ambassador, traveling between the frequent bloody regime changes in White London and the court of George III in the dullest of Londons, the one without any magic left to see.

    Unofficially, Kell is a smuggler, servicing people willing to pay for even the smallest glimpses of a world they'll never see. It's a defiant hobby with dangerous consequences, which Kell is now seeing firsthand.

    After an exchange goes awry, Kell escapes to Grey London and runs into Delilah Bard, a cut-purse with lofty aspirations. She first robs him, then saves him from a deadly enemy, and finally forces Kell to spirit her to another world for a proper adventure.

    Now perilous magic is afoot, and treachery lurks at every turn. To save all of the worlds, they'll first need to stay alive."
    Continue Reading
    The Invisible Life of Addie LaRue


    Eu não sou muito de ler livros durante todo o hype do seu lançamento. A não ser que sejam de autores queridos, de quem gosto e quero muito ler, se forem outros autores e outros livros espero sempre que a poeira baixe e, então, leio o livro já fora daquele frenesim. No entanto, por algum motivo, vi-me a comprar este livro praticamente uns dias depois de ele ter sido publicado e, finalmente, o li.

    Ora bem, como falar-vos deste livro sem entrar em spoilers? A premissa básica é a de que a personagem principal, Addie LaRue, pretende ser livre de viver como quer, sem restrições ligadas à sua condição de mulher. Nisto, vê-se a fazer um pacto Faustiano que, como sabemos, tem consequências que Addie acaba por carregar consigo durante toda a sua vida: está condenada a ser esquecida. E mais não digo, porque não quero desvendar nada sobre esta história.

    Este não é o mais original dos livros. Nem das ideias, nem das histórias. Mas há qualquer coisa na escrita da V.E. Schwab que nos envolve e que nos faz sentir tão próximos da história da Addie LaRue, mesmo em momentos que são apenas descritivos de episódios da sua vida, saltando linhas narrativas, ora para o passado ora para o presente, que nos ajudam a compreender as suas vivências. Há algo de profundamente melancólico e nostálgico nesta narrativa, atrevo-me a dizer até algo de fatídico, porque sabemos que a história não vai ter um "felizes para sempre", ou algo que se pareça. Não vamos sentir aquele conforto de saber que tudo está bem quando acaba bem, mas Schwab de alguma forma consegue amparar a nossa queda, no final. Este é um livro que nos quebra o coração, mas que volta a consertá-lo nas páginas finais. 

    Acabei de ler o livro num dia particularmente complicado a nível emocional e talvez isso tenha tido um maior impacto na minha impressão da leitura, mas não posso deixar de recomendar este livro de que gostei muito. Conto pelos dedos de uma mão os livros que me fizeram chorar no final, e este foi um deles. Gostei muito da história de Addie, da sua personalidade, da sua história de vida e de nunca se deixar vergar à vontade de outras pessoas, ainda que esteja condenada a ser esquecida. Gostei das referências artísticas, de conhecer vários países em várias épocas diferentes e de como Addie acaba por encontrar o seu espaço, à revelia do destino. Por isso, fica aqui a prova: 

    Addie, I remember you.


    6/6 - Excelente

    (Esta leitura conta para o desafio Mount TBR Reading Challenge 2021)

    __________________

    Detalhes

    Editora: Tor Books
    Páginas: 442
    Sinopse:
    "France, 1714: in a moment of desperation, a young woman makes a Faustian bargain to live forever and is cursed to be forgotten by everyone she meets.
    Thus begins the extraordinary life of Addie LaRue, and a dazzling adventure that will play out across centuries and continents, across history and art, as a young woman learns how far she will go to leave her mark on the world.
    But everything changes when, after nearly 300 years, Addie stumbles across a young man in a hidden bookstore and he remembers her name."
    Continue Reading
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