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Divagações sobre livros e a minha vida de leitora

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    Título: A Filha da Profecia (Sevenwaters #3)
    Autor: Juliet Marillier
    Editora: Círculo de Leitores
    Páginas: 474
    Sinopse:
    "No desfecho da Trilogia de Sevenwaters, Juliet Marillier apresenta-nos uma história de lealdade e amor, carregada de elementos mágicos. Fainne foi criada numa enseada isolada da costa, com uma infância dominada pela solidão. O pai, exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre magia. Esta existência pacífica será, em breve perturbada pela chegada da avó: a cruel feiticeira Lady Oonagh, que persuade Fainne de que ela descende de uma linhagem maldita e foras-da-lei. Enviada para Sevenwaters com o objectivo de a destruir, aterrorizada, a jovem Fainne vai usar todos os seus poderes mágicos para impedir que uma profecia se cumpra."

    Opinião:

    Eu devia ter vergonha. Há três anos que li O Filho das Sombras e deixei passar este tempo todo para terminar esta trilogia (sim, bem sei que há mais livros dentro do universo Sevenwaters, mas com este livro termina a trilogia original). Mas lá me deu a coragem, aliada à sugestão da Patrícia, no twitter, e finalmente li este A Filha da Profecia.

    Neste livro seguimos a história de Fainne, uma rapariga que foi criada nas artes druídicas e da feiticaria, isolada de todas as pessoas com excepção do seu pai e de Darragh, um rapaz nómada que se fixa com os restantes nómadas em Kerry, durante o verão. Fainne é atormentada pela sua linhagem e convencida de que a sua magia só poderá ser usada para o mal, sendo usada por Lady Oonagh para os seus próprios planos maquiavélicos. Porém, Fainne é uma rapariga boa e inocente, demasiado ingénua para perceber as verdadeiras intenções da Lady Oonagh e segue as suas instruções à risca, à base de ameaças. Mas houve qualquer coisa que não me deixou ligar a Fainne como me liguei anteriormente a Sorcha, ou a Liadan. A força dela é uma força diferente das outras duas mulheres, mas ainda assim não me seduziu e chegou a parecer-me fraca. Acho que esperava mais desta protagonista e, nesse aspecto, o livro ficou àquem das minhas expectativas.

    Contudo, gostei bastante de voltar à Irlanda, de ouvir as suas histórias, voltar a Sevenwaters e aos seus habitantes, bem como à floresta e aos seus seres misteriosos, último reduto de tempos idos. Gostei da preseça dos rituais celtas, das suas crenças e mitologia que acaba por não ser uma coisa à parte da vida quotidiana: tudo está interligado e tudo se vive no dia-a-dia. Mas todo este livro me soube a pouco. Penso que estava à espera de algo mais emocionante, com mais aventura, que me fizesse sentir que estava embrenhada na história. Isso não aconteceu. Achei o livro mais morno, e achei que a história de Fainne e Darragh podia ser mais explorada. Faltou-lhe paixão.

    Ainda assim, é um bom livro que nos faz voltar a Sevenwaters e à Irlanda, e que nos lembra dos velhos valores da terra, da nossa ligação à natureza e de como a temos estado a perder, poluindo, devastando, matando para nosso próprio proveito, sem pensar no perigo que espreita a cada árvore abatida, a cada espécie animal extinta, a cada derramamento de petróleo no oceano. Penso que este é o forte de todos os livros e este não lhe escapa: a importância da ligação e da harmonia entre o homem e a natureza. É, no geral, um bom livro e fico com vontade de ler os restantes da série Sevenwaters.

    4/6 - Bom

    (Este livro conta para o desafio TBR Pile Reading Challenge)
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    Título: Danças da Floresta
    Autor: Juliet Marillier
    Editora: Bertrand
    Páginas: 336
    Sinopse:
    "Este livro da autora é inspirado no conto de fadas As Doze Princesas Bailarinas. É a história de cinco irmãs intrépidas, em luta com quatro criaturas sinistras, três misteriosos presentes mágicos, dois amantes proibidos e um sapo enfeitiçado. Há muitos mistérios na floresta. Jena e as suas irmãs partilham o maior de todos, um segredo fantástico que lhes permite escapar à vida diária nos campos da Transilvânia, e que mantiveram escondido durante nove anos. Quando o seu pai adoece e tem de abandonar o seu lar na floresta durante o Inverno, Jena e a sua irmã mais velha, Tati, ficam encarregues de cuidar da casa e das outras irmãs. O surgimento de um misterioso jovem de casaco preto faz nascer o amor numa das irmãs e, subitamente, Jena apercebe-se que tem de lutar para salvar aqueles que lhe são mais queridos. Acompanhada por Gogu, Jena tem de enfrentar grandes perigos para preservar não só as pessoas que ama, como também a sua própria independência e a da família."

    Opinião:

    Comecei a ler este livro para desanuviar da leitura de The Eagle and the Raven que, para além de ser um calhamaço, está a aborrecer-me um pouco. E como tinha este livro para encaixar num dos desafios mensais, decidi partir para ele.

    Neste livro seguimos a história de cinco irmãs pelo olhar da segunda irmã mais velha, Jenica. Estas irmãs conseguem aceder ao Outro Reino nas noites de lua cheia, onde encontram fadas, anões, seres fantásticos e estranhos. Um mundo regido por leis e regras próprias, de onde brota a magia mas também o perigo. Jenica, ou na sua versão abreviada, Jena, é uma rapariga independente, o braço direito do pai nos seus negócios, a mais sensata das irmãs e com a peculiaridade de ter um sapo como seu melhor amigo, Gogu. Porém, com a ausência do seu pai, há perigos que rondam Jena e as irmãs, bem como o futuro da sua propriedade, Piscul Dracului. Perigos do Outro Reino e perigos do mundo "real".

    Gostei bastante deste livro por causa de Jena e de Gogu. Jena é uma miúda com uma maturidade acima da das raparigas da sua idade, embora noutros assuntos ainda se veja a braços com uma incompreensão típica de uma adolescente. Apesar de tudo é uma rapariga forte, com convicções fortes e que se mantém fiel a elas. É ela que vai tentar resolver os problemas da família e é sobre ela que pendem todas as decisões. Por outro lado, o sapo Gogu é o companheiro de Jena que tem opiniões bastante vincadas e sobre o qual Jena se apoia e procura conselhos para os seus problemas. Gogu é o seu alicerce e mais fiel amigo. Já na esfera dos ódiozinhos de estimação, aquele primo Cezar é uma pessoa detestável! Cada vez que lia uma parte em que ele entrava, apetecia-me rasgar as páginas do livro! (nada temam, o livro está intacto e em bom estado...)

    Adorei o facto de Juliet Marillier ter conseguido incorporar várias mitologias, várias tradições de contos de fadas que, de alguma forma, acabam por se conjugar de forma harmoniosa e fazer sentido dentro daquele mundo. Adorei o Outro Reino e as suas criaturas, a Clareira da Dança, Draguta e toda a narrativa à volta da família de Jena. Este é um livro com um tom mais juvenil, quando comparado com Sevenwaters mas, ainda assim, igualmente mágico, encantador e emocionante. Não ia com muita expectativas quando comecei a lê-lo, mas confesso que me surpreendeu com uma história relativamente simples, sem grandes surpresas, e que acabou por me agarrar.

    5/6 - Muito Bom

    (Esta leitura conta para os desafios Monthly Motif Challenge 2014 e TBR Pile Reading Challenge 2014)
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    Título: O Filho das Sombras
    Autor: Juliet Marillier
    Editora: Círculo de Leitores
    Páginas: 461
    Sinopse:
    "As florestas de Sevenwaters lançaram o seu feitiço sobre Liadan, que, tal como a mãe, Sorcha, herdou o talento de curar e penetrar no mundo espiritual. Os espíritos da floresta avisaram Liadan de que deve permanecer, para sempre, em Sevenwaters, para que as ilhas sagradas sejam reconquistadas aos Bretões. Em guerra, a Irlanda vê-se também assolada por bandos de assaltantes e mercenários. De entre estes, um destaca-se em particular: o Homem Pintado, feroz e astuto, que semeia o terror à sua passagem. Capturada por ele, Liadan, ao ver que o temido bandido é muito diferente da sua reputação, apaixona-se. Irá o seu amor proibido fazer cair a maldição sobre Sevenwaters?"

    Opinião:

    Já li primeiro livro desta trilogia, A Filha da Floresta, o ano passado. Mas a sua leitura foi de tal forma marcante que a história continuava gravada na minha cabeça e parti para a leitura deste segundo livro com os principais acontecimentos do primeiro livro em mente.
    Assim, O Filho das Sombras conta-nos a história de Liadan e dos seus irmãos, Sean e Niamh, todos filhos de Sorcha e Red, que neste livro aparece com o nome irlandês Iubdan. Liadan herdou os dons da cura e da Visão, da mãe, tal como a habilidade de falar com a mente e de comunicar com outras criaturas do mundo espiritual, o que a torna tão apaixonante, se não mais, do que a mãe fora no primeiro livro.
    Temos, por isso, três personalidades completamente diferentes umas das outras, mas todas marcantes. Sean, herdeiro de Sevenwaters, é um rapaz que segue as pisadas do seu tio Liam, nas artes da guerra e na parte política e de defesa do território, e do seu pai, enquanto responsável pela parte da gerência daquilo que Sevenwaters produz. Por sua vez, Niamh é a filha bela, vaidosa, cobiçada por todos os rapazes, mas que acaba por ter uma vida infeliz. Liadan é a rapariga simples, que só quer ficar em Sevenwaters, continuar a aprender a arte da cura com a mãe e tratar das pessoas que lá vivem. Contudo, é precisamente ela que vai viver as aventuras mais emocionantes, passar pelos momentos mais terríveis e sofredores e que vai mostrar uma força interior e determinação notáveis.
    Ela é determinada, sabe o que quer e recusa-se a ceder a vontades exteriores que vão contra aquilo em que acredita, mesmo que essas vontades sejam das Criaturas Encantadas. Torna-se numa mulher forte, audaz e acaba por levar sempre a sua avante, apesar dos obstáculos que se lhe impõem.
    Mais uma vez, este foi um livro delicioso de ler. A escrita de Juliet Marillier é tão fluida que nem damos pelo passar das páginas, de tão embrenhados que ficamos na história. As personagens são ricas, complexas, apelam aos nossos sentimentos e sentimos raiva, tristeza, alegria e revolta para com elas. Liadan e o Homem Pintado são verdadeiramente apaixonantes. Para além disso, temos o contar de histórias celtas da velha Irlanda, temos a influência da natureza, a riqueza das visões de Liadan, a presença das Criaturas Encantadas e toda a cultura celta que torna aquele mundo de Sevenwaters muito mais interessante e rico.
    Foi um verdadeiro prazer ler este livro e não consigo enumerar uma ou duas razões, simplesmente porque tudo está magistralmente construído e interligado de forma a que nós não consigamos pousar o livro. O que eu mais gostei foi da construção das personagens, nomeadamente Liadan e o Homem Pintado, da profundidade que a autora lhes confere e que as torna tão próximas de nós. É um livro riquíssimo e só me arrependo de não o ter lido antes.

    6/6 - Excelente
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    Título: A Filha da Floresta (Trilogia Sevenwaters I)
    Autor: Juliet Marillier
    Editora: Círculo de Leitores
    Páginas: 446
    Sinopse (da contracapa):
    "O domínio Sevenwaters é um lugar remoto e estranho, no seio da velha Irlanda, guardado por homens silenciosos e criaturas encantadas que deslizam pelos bosques vestidos de cinzento e de armas sempre afiadas. Há seres que querem invadir a floresta, há salteadores do outro lado do mar que pretendem destruí-la, porém, para os guardiões, a prioridade é aniquilar o traidor que se introduziu no domínio: Lady Oonagh, a cruel feiticeira, bela sedutora, que conquista o soturno Lorde Colum. Obstinada em destruir a família deste, Oonagh, ao sentir que não consegue ganhar a confiança de Sorcha, filha de Lorde Colum, aprisiona os seus seis irmãos num feitiço que só a jovem - sétima filha de um sétimo filho - poderá quebrar."

    Opinião:

    Há muito tempo que andava para começar a ler este livro até que, há uns tempos, surgiu uma promoção que me permitiu comprar os três livros a um preço mais baixo. Aproveitei e comecei a ler este A Filha da Floresta.

    Primeiro livro da Trilogia Sevenwaters, este livro conta-nos a história de sete irmãos que vivem em Sevenwaters, uma terra protegida por montanhas e pela floresta misteriosa, com Criaturas Encantadas, com velhas histórias de pessoas que desaparecem, de outras que são encontradas ao fim de muitos anos, de coisas estranhas conjuradas dentro daquele lugar.

    Sorcha surge-nos como a narradora e é a única rapariga da família, a irmã mais nova, sendo, por isso, super protegida pelos outros irmãos. Se a vida que levavam até ali era fácil, leve e feliz, tudo muda quando Lady Oonagh vem para Sevenwaters para casar com o seu pai. Quando todos tentam afastá-la de Lord Colum, esta lança um feitiço aos irmãos, transformando-os em cisnes para sempre. Porém, Sorcha encontra a Dama da Floresta que lhe revela que há uma maneira de reverter o feitiço. Mas esse caminho é difícil, de sofrimento, cheio de momentos em que só se quer desistir de tudo. Sorcha tem que tecer seis camisas feitas de morugem (uma espécie de espinheiro), pô-las nos pescoços dos cisnes e nunca emitir qualquer tipo de som vindo da sua boca até que o feitiço seja desfeito.

    Seguimos, então, a sua vida que vai dando voltas e reviravoltas, levando-a para lugares que ela nunca julgara ter de ir, lidando com pessoas que ela sempre julgou serem o seu inimigo. Mas as vontades e forças da floresta, das Criaturas Encantadas, são mais fortes e levam-na a cumprir a sua tão àrdua tarefa.

    Vivemos a maior parte do livro dentro da cabeça de Sorcha, tendo acesso aos seus pensamentos, sentimentos, dúvidas, a toda a sua vida vista pelos seus próprios olhos. Sentimos pena, raiva, compaixão e, no fim, uma sensação de que justiça é feita. Contudo, não se pode dizer que o final seja feliz. Todos vêm estilhaçados por dentro, de alguma forma, com o tempo que estiveram sobre o feitiço e todos os sete, que sempre foram como se fossem um só, acabam separados, cada um tomando o seu caminho, seguindo o seu destino. Além disso, nem tudo acaba completamente resolvido.

    Este foi, verdadeiramente, um livro apaixonante. Pessoalmente, tem muitos elementos que apelam ao meu gosto: o misticismo celta, a magia, a envolvência da natureza e a presença de Criaturas Encantadas que vivem na floresta mas que ninguém as vê, o próprio enredo da história que se baseia no mito celta dos seis cisnes, a presença de uma personagem feminina muito forte, Sorcha, mas que não é perfeita e tem os seus momentos de fraqueza como todos.

    Gostei bastante do facto do papel da natureza ser activo, porque influenciava e agia em momentos chave no percurso de Sorcha, ajudando e encaminhado-a para que atingisse os seus objectivos. A floresta, os rios, o vento, todos têm um papel, são agentes activos na narrativa e gostei bastante deste facto.

    Não sei porque demorei tanto tempo a ler A Filha da Floresta, mas ainda bem que o fiz. Adorei o livro do início ao fim, sinto que me apeguei às personagens, principalmente a Sorcha e Finbar. Finbar, para mim, representa um mistério por resolver, uma personagem que é muito mais do que aquilo que mostrou neste primeiro livro e, por isso, espero ansiosamente por ler os restantes.

    5/6 - Muito Bom
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